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Sufocada

Sinto-me sufocada,
Não me sinto,
Sinto-me perdida
em algo que lutei
mas deixei de ter forças
Sinto-me sufocada
numa relação que 
já não existe
Quero respirar mas o ar fica preso
Quero me libertar
Mas o sentimento é mais forte 
que eu,
Sufoco,
Quero acordar e pensar que 
isto tudo foi um sonho
Mas a realidade é outra
A dor persiste,
A mágoa é dolorosa,
Sinto-me sufocada 
para viver de novo,
A vida perdeu o brilho
Rendo-me ao inevitável,
Acabou!
Tens de superar,
Tens de lutar por ti,
Tens de te reencontrar
Mas as forças tendem abandonar-me
Sinto-me frágil,
Sinto-me sem chão
Sufoco para poder respirar,
Só queria sentir uma lufada de ar,
Aí saberia que poderia superar
tudo
©Lola 2017 #69Letras

Vicky M (d)escrevendo-se

Escrever… Para quê? Porquê?

Desde que me lembro, sempre senti as palavras, sempre gostei de as ver… Elas surgem-me na cabeça e desenham-se, dançam, compreendem, explicam…

Quando não as encontro é porque uma voz maior com uma linguagem diferente se eleva no meu âmago… É o meu coração a querer gritar para fora do meu peito…

Cedo vi no papel e na caneta confessores, amigos. Eles não perguntavam porquê, não criticavam, não julgavam… Quando escrevia era eu, só eu, sem reservas, sem tretas… Estive rodeada das pessoas erradas grande parte da minha vida, sabes? Faziam-me sentir que não podia ser eu, que não encaixava, que não era certo ser assim e eu nunca percebi o que havia de errado em ser “assim” porque eu simplesmente era… Chorei em silêncio, afoguei as mágoas nos kilometros de papel que enchi com as minhas dores, dúvidas, crenças e descrenças… E escondi-as, enterrei-as.

Andei a enterrar a minha essência, os meus sentimentos durante tempo indeterminado… Até deixar de saber sentir… E em última instância deixar de escrever… Estava presa, bloqueada, entupida de merdas da vida, cinzenta, estagnada, sem sequer me reconhecer…

Agarrei-me à música, deixei que inconscientemente ela me falasse, me contasse histórias, me lembrasse de detalhes… Adormeci agarrada a notas como uma criança se agarra ao seu peluche favorito, bebi letras sem lhes provar o sabor, sem lhes conhecer o sentido…

Ah, maestro da vida… Quis o destino que os meus olhos da alma se abrissem e deixassem entrar luz… Tal como qualquer cego quando vê a luz pela primeira vez, fiquei ofuscada e inebriada pelos fascínios das cores, da energia. Perdi-me, sobredosei-me de sensações e viciei-me nelas como se já não funcionasse sem as pressas e pressões da adrenalina, devorei o mundo e vomitei palavras desconexas, almas em nados-mortos, procurando sentidos em ventos rápidos, pedras preciosas em correntes de água cravadas de rochas espinhosas e sem fluir, avançando aos trambolhões… Ouvi vozes sábias sem as escutar e deixei-me arrastar…

Caí, na vida e em mim… Lambi as feridas e como uma gata enrolei-me em mim mesma e repousei… Levantei-me, quis avançar… A bagagem era pesada, dolorosa…

Sentei-me, senti-me e escrevi… Sobre tudo, sobre todos, sobre mim sobre a vida, sobre a bagagem e sobre como não sabia como a carregar… Olhei para cima, já consciente de não encontrar ajuda divina, vi uma mão estendida… Agarrei e vi outras mãos, ouvi e escutei vozes, histórias e compreendi, e vou compreendendo e vou avançando, mais leve, rodeada de uma massa de energia em forma de sorrisos, de pessoas carregadas de malas coloridas de contos e contas e hoje partilho, da melhor forma que sei… Vou escrevendo…

Aprendi que quando partilhada com as pessoas certas a vida não é tão dura, tão custosa… Aprendi também que se me ponho de coração nas palavras que hoje desenho alguém as vai ler e sentir-se e sentir-me…

Por isso e por mais vozes que não consigo descrever tão bem quanto queria, porque me são cantadas na voz do coração… Vou escrevendo…

© Vicky M #69letras

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Fotografia

Fotografia
Fotografamos momentos
Momentos felizes
Momentos tristes
Mas esses momentos
Ficam presos no tempo
Ficam retratados numa película
Sem cheiro nem cor
Só lembrança
Lembrança de algo
que nos fez feliz
Mas a nossa memória
Supera qualquer pedaço de papel
A nossa memória grava cada gesto
Cada pormenor, cada cheiro
As cores que nos rodeiam
Com ela sentimos-nos vivos,
O nosso coração acelera
A cada recordação
Faz o nosso corpo vibrar
Para quê fotografar?
Se tudo o que precisamos
Está cravado, na alma,
No coração, na mente
Lola 2017 #69Letras

O que me importa que Te chegue!

Gosto de escutar os olhos que sentem…
sentem as leituras da Alma e as vontades que geram e vivem!
Gosto de risos longos ou curtos , que sejam expontâneos!

Gosto de perder-me e brincar com as palavras …
Gosto quando um Tu me lê e se sente eu!
Mas ainda gosto mais quando um Tu me lê e sente que sou um Eu igual!
…. Raro!! Continuar a lerO que me importa que Te chegue!

Corpo cansado mas guloso…

Hoje acordaste mais tarde, cansada e sonolenta.

“Dói-me o corpo todo!” dizes-me com um sorriso safado. Não seria para menos. Os teus gemidos e suores, as nossas posições e as tuas suplicas durante todo o tempo que foste minha só poderiam ter como consequência um acordar com teu cansaço e satisfação.

Mas é teu cansaço e satisfação, não meu. Eu acordei com mais vontade de ti, de te sentir na minha pele, de provar o teu suor e o teu agridoce.

Estou a fazer as tuas panquecas de doce de mirtilo quando apareces com a minha t-shirt, de meias até ao joelhos e cuequinha de algodão branca. Cabelo preso e óculos. Quase que estragava o nosso pequeno almoço. Peço-te os pratos e ao te pores de bicos de pés o teu belo rabo fica evidente, e a beleza do teu corpo ainda mais notória com a luz do sol a raiar pela janela dentro.
“Acaba de comer e vem ter comigo ao quarto. Tenho uma surpresa para ti”, digo-te com um tom de voz carregado de vontade. “Sim senhor!” respondes.

De Plug na mão e lubrificante na outra espero-te à porta do quarto e sem te dizer nada deitas-te e empinas o rabo. Adoro quando te subjugas desta maneira para mim, com vontade de usar todos os presentes que te ofereço.

“Já sabes o que te espera, não sabes?”Acenas com a cabeça e esboças novamente esse sorriso safado, e no momento que te coloco o plug libertas aquele gemido intenso, longo e profundo. Pedes-me para te preencher todo a tua tesão, e sem demoras ocupo-me de todo o teu corpo com o meu corpo. Numa bela dança de desejo e vontade, com muita intensidade o teu primeiro orgasmo não tardou. O segundo também não, sendo que o terceiro só veio quando eu quis… quando o meu pode acompanhar…

“Teu corpo ainda está cansado? Ou aguentas o brinquedo-surpresa?”
Teus olhos ficam arreguilados e o teu sorriso rejubila…
Hum… vamos ter que tirar a dúvidas, não vamos?

© O Vizinho 2017 #69letras

Hoje sonhei contigo…

Good morning My Lady.

Hoje acordei contigo no pensamento e no corpo também. Sonhei contigo. Sei que não te pedi permissão mas sendo eu um rebelde ninguém manda no meu subconsciente.
E que sonho!

Sonhei com esse teu tímido sorriso de lábios rosados que eu tanto gosto, com a mordida provocante e com as covinhas nessas bochechas rosadinhas.

Sonhei com os teus cabelos selvagens e ondulantes pela brisa do mar como que um conjunto de felinos belos e magníficos se tratassem.

Sonhei com os teus olhos, profundos e misteriosos, onde a perdição é um simples estado de espírito.

Sonhei com o teu cheiro… Ah.. Aroma fresco e frutado, como se uma mistura de néctar dos Deuses se tratasse, entrou narinas e de tão delicioso e estonteante senti-me a voar com esse soberbo aroma.

Sonhei com toque da tua pele. Oh, tão macia e quente, reativa ao meu toque.

Sonhei com o teu abraço e com o teu beijo. Haverá algo mais puro e apaixonado que um beijo cheio de intensidade e vontade? Abraço apertado com as mãos a circular as costas, subindo os braços e segurando na cara. A respiração intensa, o arfar profundo e os olhares pedindo sempre mais, deixando a promessa no ar que o próximo será ainda melhor.

Sonhei que fazíamos amor ao Luar, na foz do rio junto ao Rochedo dos Amantes. Melhor sitio não poderíamos ter encontrado. Ali, tu foste minha e eu fui teu. Ali consumamos a nossa tesão e desejo acumulado, as nossas vontades bem pendentes deste o primeira dia em que nos vimos.

Sabes, meu corpo deve ter reagido ao sonho pois acordei cansado mas com a mente a sorrir. Tenho a certeza que sonhei com uma infinidade de coisas que acordado imaginei que te faria, com a certeza que desta vez terá sido mais prazeroso tendo em conta que acordei cansado… Sim, não é a primeira vez que sonho contigo, apenas considero que só te devo descrever este, ficando os restantes para mim. Quem sabe um dia não te demonstre como foram?

© O Vizinho 2017 #69letras

Quem sou eu?

Às vezes gostava de não ser eu.

Gostava de ser outra pessoa.

Gostava de ser uma desconhecida.

E, na verdade, às vezes sinto-me como uma desconhecida.

Não para os outros mas sim para mim.

Sinto que me conheço sem me conhecer.

Por vezes uma mudança é uma tentativa de ser outro alguém.

Uma simples maquilhagem, uma cor de cabelo diferente, um modo de vestir alterado.

Resulta, num espaço de tempo mínimo.

Queria que me olhassem e se perguntassem: de onde vem, que histórias traz, o que pensa, o que faz, porquê. Quem é ela?

Mas quem lhes poderia responder se nem eu própria sei quem sou?

Julgo que me conheço mas será que conheço mesmo?

Daí vem a necessidade de ser outra pessoa, de criar outra identidade.

Descobrir quem sou escondendo o meu verdadeiro eu.

Mas uma mudança não oculta o passado, não muda quem realmente somos e o que passámos.

Depois apercebo-me de que todos os dias sou uma desconhecida.

Todos os dias tenho uma nova identidade.

Rio e sorrio como se fosse a pessoa mais feliz à face da Terra mas o meu coração pode estar a sofrer.

Alego estar cansada quando o que quero mesmo é correr para longe de tudo e todos.

Um simples “está tudo bem” tem oculto um complicado “abraça-me e salva-me”.

Uma frase banal carrega o mais profundo silêncio.

O silêncio esconde as mais sinceras palavras.

Isto poderia fazer de mim uma pessoa falsa. Uma mentirosa.

Mas não faz.

Apenas faz de mim humana.

E por ser humana todos julgam conhecer-me.

Mas não me conhecem.

Como podem conhecer-me sem nem eu me conheço?

Afinal…quem sou eu?

 

© Fox 2017 #69Letras