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Nossa gordura não deve nada a ninguém!

Todos os dias me olho ao espelho e vejo isto.  Ainda esfrego os olhos, na esperança que eles sofram de algum síndrome de aumento mas não. 

Aquela no espelho sou eu e aquela arrasta o meu eu para a lama.
Complexos? Não! Vergonha? Muito menos!
É o reflexo daquela nos outros que me atinge. Porquê?
Porque deixo de ser “a” para ser “uma”. Perdemos a identidade na gordura…
E se não temos identidade, não somos membros da tal dita sociedade onde a minha palavra talvez até fizesse diferença. Quanto mais não fosse para os meus…

Deixamos de ser mulheres para sermos seres gordos sem interesse. Seres incapazes, ignorantes, insensíveis e desinteressantes.
É assim que a sociedade ainda nos vê.
A sociedade que critica, julga e condena.

Eu até me estou pouco marimbando para a sociedade mas os efeitos na geração do amanhã preocupa-me.
Sim, além de ser gorda sou mãe.
Uma mãe que dedica mais tempo aos seus que a si própria, sei. Mas não deixo de ser gente! E também sou sexy, sensual e até, espantem-se agora membros da sociedade critica, capaz de proporcionar e ter prazer.

Passo também a avisar que a minha gordura não roubou nada a ninguém, não vende droga a adolescentes, não matou em nome de pseudo religiões ou por psicopatismo, não violou nenhuma criança ou adulto e muito menos agride fisicamente ou verbalmente arbitrariamente em casa!

PORQUE ISSO É QUE É VERGONHA!

Dito isto, é justo dizer que a minha gordura, igual à de tantas outras pessoas, não deve nada a ninguém! Pode sair à rua orgulhosamente e de cabeça erguida!
Portanto, abram alas e deixem-na passar!

©Miss Steel 69Letras 2017

O meu chega-te?

A-d-o-r-o
Provocar-te com as armas que tenho…
Não tenho vergonha ou tabu,
Sei que deliras com um bom rabo, teres onde agarrares e alucinares.
Sabes que perco o controlo, quando te domino.
Quando a visão me ilumina e fazes um ângulo recto da tua penetração em mim.

Encaixe matemático e suamos química…
Este rabo, o qual tu usas e abusas…
Aquele rabo que vês passar e sonhas com umas boas palmadas…
Qualquer rabo que te encha a vista,
Perdição de homem… é mesmo isto…
Um rabo de saia.
De calções
De cuecas.
Se for despido, perfeito.


O meu chega-te?

 

©Krishna 2017 #69Letras

 


Hoje queres-me em ti, dentro de ti…

Que belo dia para sair de casa, vestir os calções e a camisa de Linho, usares aquele vestido leve e florido que compraste nas férias em Ibiza.
O Sol quente e iluminado que nos enche de Vitamina D, a leve e cheirosa brisa de Maio com toques de Alecrim e Malmequeres, a frescura de uma Imperial numa esplanada junto ao mar… Certeza não há melhor que isto para dias como o de hoje…
Mas não… Não é isso que queremos fazer… Nada de roupa, somente a nossa pele… Nada de sol nem brisa cheirosa, apenas a luz do candeeiro e a odor do nosso corpo… Nada de sabor refrescante, somente o salgado e quente da nossa pele…
Hoje ficamos no sofá, na marquise, na cozinha, na casa de banho, na cama… Percorremos todas as divisões e cantos da casa, ora húmidos de vontade, ora molhados do banho; ora famintos de prazer, ora desejosos um do outro…
Hoje queres-me em ti, dentro de ti, em cima de ti, debaixo de ti… E eu em mim te quero, onde nus e desprovidos de quaisquer pudor ou vergonha gritamos em uníssono o nome um do outro…

O Vizinho #69Letras

Conto – Parte 1

Começou com uma mensagem provocadora, conversas banais. Estando ele tão longe dela eram as mensagens que lhe restavam. Ela bem tentava ignorar o “bip” do telemóvel quando entrava uma mensagem. Mas ela não resistia em ver se tinha sido ele ou não. Assim que via, ter sido dele ela lutava consigo mesma para não abrir e ler o que ele escreveu. Essa “luta” não demorava muito. Ganhava sempre a tentação. Era um vai e vêm de mensagens quentes. Arrepios e as cuecinhas molhadas era uma reação constante lendo as palavras escritas por ele – Aquele homem tão seguro de si mesmo, tão mais velho que ela. Tão bom que já a tinha na palma da mão. – Passavam os dias a conversar sobre tudo um pouco.

Um dia ela ouve o som do seu telemóvel à tocar, sem ver quem era ela atendeu. Uma voz masculina, bonita – que lhe causou um arrepio imediato entre as pernas – cumprimenta-à. Era ele. Ela nunca tinha ouvido aquela voz tão sensual. Sem saber o que dizer ou fazer ela simplesmente sorriu. Passados alguns segundos ele pergunta se ela esta lá. Apercebendo que ainda não tinha dito nada ela cumprimenta-o. “O que estas a fazer neste preciso momento” pergunta ele. A resposta dela é quase imediata: “A vestir-me.” Ela ouve um curto gemido. “Muito bem. Despacha-te e sai para fora. Hoje não vais dormir em casa.” O mundo a volta para. Será que ouvi bem? – pensa ela. Como se ele lhe tivesse ouvido os pensamentos ele responde: “Sim ouviste bem. Estou a tua porta. Despacha-te.” Ele desliga. Incrédula ela fica olhando para o seu telemóvel. Passados alguns minutos ela começa a vestir o resto da roupa e olha-se no espelho. Calças rasgadas e um T-Shirt de andar em casa. Eu não posso sair assim – pensa ela. Estando calor na rua ela despe a roupa novamente e veste um vestido lindo que nunca usou por vergonha. É um vestido que lhe destaca as curvas sensuais. É provocador e encantador. Ficando a ver o seu reflexo no espelho ela começa a pensar se ele realmente estará à espera ou não. Passa um batom vermelho nos seus lábios carnudos e cheios. Puxando o elástico que lhe prendia o cabelo começa a cair o seu cabelo ondulado sobre seu rosto e costas. Ajeita um bocado o cabelo para trás. E sai do quarto com a sua bolsa. Calça umas belas sandálias e sai porta fora. Lá esta ele. Aquele homem tão seguro de si mesmo, tão mais velho que ela. O homem mais bonito que ela alguma vez viu. Sentindo suas pernas a tremer e suas cuecas a molhar ela segue em frente e para quando estão cara à cara. Tocando no rosto dela e puxando-a contra si ele beija os lábios dela que a tanto desejava. Com uma mão na sinta dela ele puxa-a ainda mais contra ele. Ele quer que ela sinta à tesão dele. À tesão que ela lhe causou no momento em que a viu. “Foda-se és tão bela.” Diz ele enquanto a beija. “Quero-te possuir aqui mesmo.”

…. continua..

Peregrinus #69Letras

ela tinha escondido um coração gigante e ele do seu tinha feito um novelo…

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Nunca se encontraram, ela porque vivia de mente fechada, ele porque vivia noutro lugar onde nunca moraram e por isso nunca se encontraram. Ela achava que já tinha sofrido bastante, ele porque achava que ser sensível era um pesadelo, ela tinha escondido um coração gigante e ele do seu tinha feito um novelo. Mas naquela manhã de sol de inverno, tropeçaram no degrau que a vida criou, ela cruzou se num fugidio olhar dele terno e ele nas mãos dela num afago tropeçou. E ali ficaram horas avançando e recuando, ela enrolava a toalha da mesa, ele suspendia a respiração de vez em quando tentando duas almas entender a sua natureza. Já as estrelas abraçavam a lua, quando se aperceberam os dois, que as conversas fluiam no meio da rua, como se a vida já fosse feita num depois. E aquelas mentes de coração fechado, numa sensibilidade de gémea alma, acabaram esquecendo nas horas o passado e sem demoras se beijaram com calma. Apesar de nunca se terem encontrado, apesar de nunca sequer terem algo parecido e em comum, ela abriu a mente e nem sequer se lembrou do passado e ele fez dos seus corações apenas um. No novelo da vida quem é que sabe quem o tece, muitas vezes curta muitas vezes comprida, esta coisa do amor muitas vezes acontece. Apesar de nunca se terem encontrado, apesar de nem sequer terem muita coisa parecida, ambos se amaram num espaço fechado criando vergonha ás certezas da vida.

O Inquilino

Amo-te como se ama a primavera

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O mundo flui quando me escreves. Desenvolta a paixão que do meu coração brota, como se de uma amalgama de destroços, os reconstruisses fazendo a mais bela essência que me nutre o viver.
Tu és as Rosas que pululam livremente entre Narcisos e Jasmim num jardim oriental que para lá do sol posto, nascem da terra fértil que te faz viver para mim.
Contigo o tempo pára para escutar o meu coração batendo apressadamente na vontade de te querer.
Não consigo imaginar sem te ter, porque simplesmente os cactos floridos num deserto que mais deserto que seja obedece á mãe natureza numa benção ao sol que nele se insere, e mesmo na ausência o sol está sempre presente.
Quando te conheci, não imaginava quanta beleza contens em teu corpo esguio de dançarina esvoaçante que me atordoa o pensamento e a imaginação.
O mundo é grande infelizmente, porque te queria perto, não perto em pensamento porque isso tu estás sempre, mas perto em corpo, para fazer de ti a árvore da vida que brotando em magotes me encheria de amor.
Quando calcorreias a rua nesse teu passo apressado, as pedras pedem desculpa por ter a gentileza e a magnificência de poderem beijar teus pés.
Quando caminhas deixas teu cheiro no ar, curvando arbustos e flores que coram de vergonha perante a tua ágil e forte certeza de seres mais bela que elas.
Tu és o mundo que gira intensamente e dá corda aos relógios da torre mais alta, entre sinos anunciando a tua chegada.
Teus olhos são a virtude de viver e através deles fotografas cada momento de memórias soltas que passeias livremente pelos olhos de outros , como se filmasses tudo em teu redor e focasses a vida de seres quem és.
Olhos diáfanos como se todos ficassem cegos e se sentissem menos seres ao olhar-te de frente, porque a luz que deles irradias reflecte o estado da alma que purifica o negro da vida.
As tuas mãos soltas caminham entre o vento, brincando na forma de transformar a rebeldia do mesmo e formando palavras entre os dedos esguios, numa escrita de pena arcaica num livro agitado pelas folhas soltas da lombada.
Teu corpo é uma flor, aberta colorida, num arco iris multifacetado sendo que das sete cores crias um pantone de cores multiplas, fazendo redopios de primavera em tudo o que é espaço.
Amo-te como se ama a primavera perpétuamente, e nesse imaginário todo, quando me deito, deito contigo e fico a sonhar de olhos abertos á espera que me dês a mão e sossegues o desassossego que me assola a mente.

O Inquilino

?A vizinha #69Letras