Arquivo de etiquetas: velocidade

Sim! Agora!

M18/Texto erótico

Mais um dia que acordo sobressaltada no meu próprio suor. Uma noite como tantas outras, pesadelos que persistem em me acompanhar. 

Mais vale vestir-me e fazer-me à estrada para mais um dia de cão. Escapa-se-me um merd@ de vida no pensamento. 

Meto-me no trânsito furiosamente até que fico encalhada em plena auto estrada numa fila interminável de carros. 

Grito de frustração, bato constantemente no volante! A carga de adrenalina apodera-se da minha mente e toda eu sou uma bola de fogo prestes a explodir. 

Consigo me libertar do trânsito metendo-me por um atalho. No meio do mato, acelero para descarregar as más energias. Mas o destino preparou-me uma armadilha.

Numa curva deparo-me com outro carro. Num caminho de cabras onde somente um carro teria espaço.

Travamos ambos a fundo. Nossos carros chiavam que nem animais selvagens. 

A adrenalina teria talvez atingido o ponto máximo em mim, pois não senti uma pinga de medo que fosse. 

Recupero o fôlego, saio do carro a disparar balas pelos olhos e o outro condutor era o meu alvo. 

Ele sai do seu veículo, com surpresa constato que era alguém que eu conhecia e bem. Apraz-lhe deparar-se comigo mas tem um ar preocupado, perguntando-me se preciso de ajuda. Seu ar amável, tranquilo capturava a minha atenção. Mas não era o suficiente, não para mim. 

Continuava sem falar, ele por sua vez não se calava. Comecei a lê-lo. Os seus gestos denunciavam sedução, já minha conhecida. Gradualmente seus olhos procuravam com mais intensidade os meus. Seus lábios pareciam cantar para mim. 

Meu corpo ainda explodia num misto de frustração e revolta. E aquele ser à minha frente, involuntariamente se oferecia para minha vítima. 

-Sempre me quiseste, certo? 

-Sim mas isso agora não interessa estás bem? 

-Assim que te comer no banco de trás, sim fico bem.

– Quê? Queres-me comer? 

-Sim. Bora. Despe-te! 

-Mas Steel agora?

-Sim! Agora! 

Afinal até que o destino não foi o padrasto que se estaria à espera. 

Pô-lo no meu caminho, num dia em que trovões me possuíam, como uma alma cheia de esperança e saudoso do meu sorriso  depois deste tempo todo. 

Sexo no carro, duro e suado. Enquanto meu corpo ia cedendo, toda a tensão se libertava. Beijos cheios de raiva deram vez a doces bailares das nossas línguas. 

O sexo podia relaxar-me mas era o seu toque que me tranquilizava. 

Na explosão do orgasmo, nos ficamos. 

Paz. Meu corpo finalmente encontrava paz…  

©Miss Steel 69letras 2017 

Vou te deixar…

Vou te deixar, não sei se por breves instantes,
porque o tempo quando se deixa é tão mas tão relativo,
que a vida que pensamos deter em mãos igualmente semelhantes,
bombeia numa velocidade tal que a saudade não é mais que um adeus furtivo.
Constroem se casas pelos alicerces, sobrantes dos despojos passados,
edificam se campos inférteis em que nascem plantas austeras,
soçobram pontes virtuais em ervas daninhas de quintais esfumados,
e o corvo imita vozes de paisagens e sonhos que não passam de quimeras.
Gostava de te poder dizer que não te sinto,
que a vida não e mais do que um canto de ópera audível,
que o riso das crianças no parque é o meu riso sucinto,
que a nascente de agua, é sede de teu corpo sensível.
Mas não digo, não sei até, se o amanhã será hoje,
ou até o agora, que passa num piscar de olhos em volta de mim,
que os segundos em que te encolhes no frio da noite que me foge,
ou a manhã que nasce, e que me recolhe no meu fato de cetim.
Vou vestir uma gravata de saudade, e na lapela levar o teu cheiro pendurado,
em meus bolsos recados penteados em folhas de cartão com teus poemas e versos,
na minha carteira a imagem de teu rosto num peito de coração marcado,
pelo vida que não deixas viver nesta saudade de efeitos diversos.
Vou te deixar, não sei se por breves instantes,
deixo te a janela aberta, para te puderes debruçar,
deixo te toda a lua cheia e todos os quartos minguantes,
e as marés que trazem cores vivas das anémonas do mar.
Segura te com as mãos em minha vida de imagem secreta,
sentindo que aquilo que trago por mais vantagem em teu peito descoberto,
é ser teu jeito, tua marca na cama em leito de nossa vontade escondida e aberta,
de um dia voltar e nesta saudade de não ficar, ser teu poema quente de livro aberto.
Vou voltar, espero que em tempo marcado e viagem tomada,
espero que em lugar sentado e descanso de tua casa de silencio,
ouvir da tua boca que a saudade que tenho não e maior do que a da tua boca calada,
e sentir que volto, no teu sorriso para o um lugar que ainda pertenço.