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E se coubesses num abraço ?

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E se coubesses num abraço ? Se coubesses encostada ao peito, junto ao coração arrancando um pedaço do que dele resta e ali ficasses na quebra da solidão ? E se te encolhesses entre meus braços ? E suspirasses numa paz que ao pensamento te livrasse de embaraços que a vida te traz ? E se sorrisses por estares bem ? Por te deixares ficar entretida nas minhas mãos num afago de vai vem que passeio pelo teu cabelo numa ternura sentida em que te trago ? E se fechasses os olhos e viajasses ? Para terras distantes e camas perto, sonhos que colasses em teu pensamento mais negro do qual te liberto ? E se te deixasses ficar ? Ali naquele gesto tão simples de te deixar, relaxar, suspirar fazer do dia a noite e do almoço o jantar ? E se não quisesses sair do meu lugar ? Que seria teu também o teu ocupar, sem tempo por saber o que é tempo de findar ? Se coubesses no meu abraço eu vivia para ti, para adormecer tambem em teu regaço e viver tambem para mim e assim pernoitar noite e dia por ali, até que o lusco fusco da vida tivesse fim.

O Inquilino

É assim que me trazes de volta a ti

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Fotografia: Via Pinterest

Veloz é o voo da minha mente rumo ao melhor destino de sempre: o meu mundo ilimitado feito de tudo o que eu quiser, a cheirar ao meu aroma favorito e habitado pelas pessoas que mais amo!

As viagens são frequentes e até já viajo no piloto automático, o regresso é que é sempre mais complicado e muitas das vezes abruptamente forçado…mas TU trazes-me à terra numa aterragem incrivelmente suave com esse teu jeito tão certo sem ter precisado dizer seja o que for.
Sabes-me.
Ao teu lado, as insuportáveis perguntas não tem voz:
– Estás aí? – Em que é que estás a pensar? -Estás bem?- o que é que tens?
Nem os teus olhos me fixam como se fosse uma evadida de um sanatório…
Tu olhas e vês-me.
Ouves e escutas-me.
Observas e descobres-me.
Sabes quando ao teu lado deixo o corpo e voo para terras distantes e fantasias que coram e que deste modo automático, me perco, por tudo e por nada.
Sem caricia ou movimento, tocas-me num toque que pousa. A palma da tua mão ferve, não na minha pele, mas abaixo, e tal chama que inflama com o gás, assim sou eu. O gás.
É assim que me trazes de volta a ti. Sem som, sem barulho ou perguntas que me fazem sentir envergonhada por ser assim deste jeito…
Sorrio, aconchego-me mais a ti, encho-te de beijos e beijinhos e fico-me perguntando se estou no meu mundo, ou ali, naquele instante, nos braços dele…