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Sê nua ao olhos de quem não é cego

Humanidade pobre, tanto tempo à procura da felicidade em futilidades,
Quando tens um corpo quente e uma alma carinhosa em casa.
Casa?
É onde deixaste um sonho, um desabafo, um choro.
Onde todos os dias depositas um pouco de ti.
A entrega dura e crua numa realidade simplista, vivida da melhor forma.
Não precisas de aceitação de alheios,
Procura o amor…
Dispensa sacos cheios
Sê nua ao olhos de quem não é cego,
Ilumina o caminho de quem na realidade vê,
Esse animal selvagem que vive em ti.
Entrega-te como és, sem medos de represálias de uma sociedade que vive de falsas aparências.
© Krishna 2017 #69Letras

… nadou mas em nenhum porto atracou!

Percorreu o mundo numa fome incessante, saltou de cama em cama, conheceu Freya e derreteu-se com o canto de uma sereia, confundiu casas de alterne com oásis e viu-se perdido num deserto sem fim. Conheceu e cometeu o pecado, se era proibido ele estava a favor, a alma era curiosa e o diabo tentador. Dizia-se livre e abusava dessa pretensão, voou e nadou mas em nenhum porto atracou. Vagueava cruelmente pela noite dentro cego pelo pecado nunca percebeu o que procurava, Becos, portas, bebidas espalhadas no chão, passos cheios de escuridão, arrastava-se de sombra em sombra e só parava quando aquele sorriso maldoso encontrava algo que o atraísse e aí atacava, dilacerava a carne e partia… se estava encoberto ele vilãmente rasgava tudo onde tocava. Selvagem e perdido nunca percebeu a falta que ela lhe fazia, continuou a vaguear… mas afinal não era assim tão livre.

© ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2017

Quem é este estranho que nada sei mas quero de volta?

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Esperei uma eternidade por aquele estranho como quem espera pelo fim de semana e quando finalmente chegou os relógios acordaram para o levarem junto com o tempo.
Já que te foste podias ter levado as nossas memórias também contigo ao invés de me deixares neste purgatório sem a tua pele, mas contigo a assombrares a minha mente e a invadires as vontades do meu corpo.
Quem é este homem que nunca quis saber que medos carrego?
Quem é este homem que desprezou a mulher delicada que sou, e me agarrou pelos cabelos e trouxe a chama ao meu olhar?
Nunca tive tanta força dentro de mim, como quando estava contigo. A minha mente era livre de violar e provocar o caos, o meu corpo descobri ser pequeno para tanto prazer e frágil para tanta perversão. Ah mas esta fragilidade deixou-me ainda mais louca e insaciável por desejo devasso.
Quem é este estranho que do sobrenome nada sei, nem de onde veio ou onde nasceu?
Deste estranho apenas conheço o olhar vazio com que acelerava a minha pulsação sempre que me olhava, decorei também aqueles lábios esfomeados de pecado, o meu olfacto absorveu o cheiro a animal selvagem e vadio que me atordoava os sentidos, e o meu corpo memorizou o tamanho daquelas mãos vis.
Ah, a forma como aquele estranho apertava o meu pescoço contra a parede num beijo sem espaço para fôlego é de perder a força nas pernas…
Quem é este estranho que nada sei mas quero de volta?