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Copo meio cheio ou meio vazio.

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Acordei em sobressalto ansiosa e agitada quase que a sufocar. A minha primeira reação assim que acalmei a respiração, foi chorar, não desalmadamente, mas conformada.
Senti as lágrimas a nascer e a empurrarem-se umas às outras como que a libertarem-se… prisioneiras da minha dor.
Desceram lentamente pelo rosto, fazendo comichão na pele prestes a mergulhar na almofada.
Respirei fundo e encontrei-me dividida entre o copo meio cheio ou meio vazio. Copo meio cheio porque voltaste a casa e confortaste o meu coração. Fazia tempo que não sonhava contigo, e esta é a única forma de te trazer até mim, de te ver e reavivar nas memórias a tua imagem que com o passar do tempo tem vindo a perder cor, o que me deixa assustada. Tenho receio de um dia fechar os olhos e ao tentar procurar-te não te conseguir ver, e se para te ver e avivar nas memórias tenha de ser em forma de pesadelos, que seja, todos os dias, não quero saber, quero te ver! Tudo para te ver, uma vez mais.
Inevitavelmente senti o copo meio vazio, os sonhos ou os pesadelos são reais naquele espaço de tempo em que se processam, mas quando desperto, a realidade é crua e desfalcada. Não és palpável, és passado, memórias, lágrimas e sorrisos, a vida segue e eu sigo junto com ela, forçada, vazia, com meio coração a transbordar de saudade… a desejar voltar a dormir, e quem sabe ver-te mais um pouco… e quem sabe se esse sonho ou pesadelo dure o suficiente para me tirar esta sensação de viver em metades…

 

 

A Vizinha

Tenho saudades tuas!

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Sim saudades, saudades do passado, saudades de quando eramos só os dois na nossa bolha de sabão. E eramos tão felizes.
Faz-me falta! Sinto a tua falta a cada de dia que passa.
Mentiram me! O tempo não cura tudo! O tempo apenas atenua a dor e a saudade. Mas elas permanecem lá. Ocupam o teu lugar como se tivessem nascido comigo. Mentiram-me! E eu não gosto de mentiras.
Há tanta gente que parte sem partir e outros que partem mas ficam. Ficam dentro de nós e levam parte de nós.
Mentiram-me! E eu sinto tantas saudades tuas!

Kate

Não vale a pena estares aí e eu aqui.

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Não te iludas.
O que sentiste comigo nunca mais se vai repetir noutro corpo.
A explosão nuclear que vivemos só acontece uma vez, mas se algum dia voltares a viver algo na mesma medida, liga-me, manda-me um e-mail ou sms e cala a minha presunção.
Nós dois, no mesmo espaço, fodemos a alma antes do corpo!
Basta cruzarmos o olhar que o teu sexo aperta dentro das calças e entre as minhas pernas o clima vira tropical.
Esta paixão! Ai a nossa paixão!
Confessa que morres de saudades de soltar a fúria do teu demónio no meu corpo, sem limites, quando, onde e como querias?
Lembras-te como o nosso fogo dispensa palavras?
A nossa paixão pedia,
roupas esquecidas no chão,
pele rasgada e pintada,
mãos endiabradas,
beijos de suor e fluidos,
cheiro a sexo no ar,
gemidos abafados entre almofadas.
Não vale a pena estares aí e eu aqui.
Aí não me tens.
Aí não me vês, não me tocas e não me fodes.
Vem.

Mesmo longe, consomes-me…

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Consomes-me.
Tu estás tão longe, que se tentasse ir à tua procura morreria de insucesso.
Mesmo longe, consomes-me.
A minha mente só se interessa por ti, pelas memórias que vivemos e pelas memórias que ainda vamos escrever. A minha cabeça descarta qualquer informação que não tenha a ver contigo, e mesmo esta distância, me faz estar contigo, 24 horas por dia.
Consomes-me.
Quando o desejo vem é a ti que o meu corpo chama.
Sem dar por isso, acorrentaste com uma qualquer matéria invisível as minhas mãos e partiste.
Quero aliviar este desejo mas sou incapaz, sou rejeitada pelo meu próprio corpo, corpo este que só por ti se interessa.
Consomes-me a mente, o corpo e a alma.
Pobre da minha alma, que vagueia por terras nunca exploradas, atravessa oceanos e agora anda perdida por águas frias à tua procura.
Nem a alma me quer. Até ela consumiste ao ponto de me abandonar em busca de ti.
Tens razão. Como é que eu não me tinha apercebido?
Tu estas em mim. Sim, eu pertenço-te.

Represento.

Ilustração: Adara Sanchez Anguia

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Como eu consigo?
Não consigo.
Visto cores alegres para esconder a alma, e uso falsos sorrisos sinceros para ajudar nesta farsa.
Ao fim de várias repetições vai-se tornando mais fácil fingir que não tenho saudades tuas, e que não choro a tua partida.
Como eu consigo?
Não consigo.

Represento.

Ps: continua a visitar-me.

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Esta noite estivemos juntos!
Esta noite apareceste como se nada fosse e calaste-me a voz num beijo apaixonado como só tu sabes dar.
Esta noite, a tua morte não passou de um engano e estavas de volta com o teu sorriso tão grande quanto tu.
Esta noite, amámo-nos, derreti-me no teu calor, morámos juntos como tantas vezes planeámos.
As lembranças desta noite deixaram saudades em mim…. Agora a caminho de casa, apercebi-me que afinal a noite passada estive contigo, apenas em sonhos.
Gostei de te ver.
Estavas lindo.
Ps: continua a visitar-me.

Como se volta à vida quando parte de nós nos abandona?

 

Eu não acreditava na vida depois da morte… No inferno…
Mas depois de ti…

Aprendi que ninguém sai de um amor com vida.

É óbvio que estou vivo, respiro, o meu corpo move-se dia após dia…
Mas a minha alma, o meu brilho, o meu lado de menino apaixonado, o meu encanto…
Levaste contigo no dia em que me deixaste.
Habito agora um corpo apático que outrora transpirava emoções…
Sobrevivo neste inferno que é não te ter e eu não chamo isto de estar vivo.

Como se volta à vida quando parte de nós nos abandona?

A falta que tu me fazes, ninguém faz.
A paz que tu me trazes, ninguém traz.
As saudades com que tu me deixas, ninguém deixa.

KingOfMysteries #69Letras