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Miss Lost #69Letras

Eu sou autêntica… 

transparente nas palavras. 

Sem máscara. 

E transmito na escrita por vezes o meu amor pelos outros, 

a minha ira, 

os meus pensamentos, 

os meus sofrimentos, a minha imaginação. 

É como se me libertasse, e tudo ficasse resolvido na escrita…

Tudo aquece com as palavras.

Tudo se transforme na escrita…

Desde cedo que sempre transcrevi para o papel o que me ía na alma, mas nunca partilhei, até então há bem pouco tempo, um autor pelo qual me fascinei, e que vivi momentos na escrita de que me inebriei, fez com que eu escrevesse para os outros e pudesse transmitir a paixão das palavras…

pudesse partilhar a minha salvação, com a escrita.

Assim sou...

Minha tentação


És uma tentação que  um demónio poderia provocar !

Chegaste, chegaste de mansinho, mas com um olhar matreiro, um olhar penetrante, um olhar místico de desejo ou de fazer-se desejado!
Chegaste, foste chegando, tentando persuadir os meus sentidos, esse olhar despia me…
Sentia…que um simples olhar me despia, nunca algo tinha acontecido em mim!
Olhar que perturba…
que ofende,
que me desnudou, no meio de multidões,
olhar de menino bandido,
olhar de pecado, possuindo-me…
olhar de demónio que um dia foi anjo…
Foste chegando, mão entre mão e sem tocar, tocaste-me, cada ponto erógeno do meu Ser.
Chegaste, foste chegando com as tuas palavras,
chegando, com a tua escrita e com tua alma escrevias,
com garra me ferias e
o pecado me transmitias,
com a escrita, me
enfeitiçaste, me embriagaste…
esse feitiço de demónio hilariante deixando água na minha boca, senti-me possuída com a tua escrita e a curiosidade foi mais alto,
o desejo, o querer mais,
querer e desejar,
sentir-te em mim…
como na escrita.
Ao lê-la me despia e sentia-me possuída pelo autor.
Desejei vezes sem conta ser a personagem das tuas histórias ou dos teus sonhos…
ou da possível realidade que tantas vezes, me intrigou.
Desejei ser a tua memória e a tua insónia.
Chegaste e entraste de vez, estava extasiada de prazer e desejo, queria reviver esses textos com o autor e torná-los reais, queria ser a personagem, Real.
Chegaste tão perto,
tão dentro da alma como magia.
Só podes ser… um demónio da tentação!…e fantasia.
Pois só eles têm esse poder de provocar tamanha vontade de te sonhar,
tamanho desejo incessante de te amar.
Demónio da escrita! …transformaste-me em desejos de estares em mim e fazer-me perder os sentidos, perder a razão de tudo o que nada tem razão para existir, se não nos tivéssemos chegado, chegado de mansinho, um no outro, corpos fundidos, um corpo só…
Chegados, um num só,
foi o encaixe perfeito, saboreado a dois,
pelo poder da escrita,
o poder do olhar,
o poder do desejo,
o poder da tentação,
o poder do imaginário, vindo de um grande autor que transmite sede, sede de posse e que deseja ser saciado.
E…eu fui, fui devagar,
fui devassando,
fui sem pensar,
fui voando,
fui-me levando, saciei a tua sede e a minha sede de ti também, fui o teu desejo,
fui a causa da tua tesão,
fui a causa do caos,
fui tesão e desejei sê-lo, porque me fizeste sonhar com a tua existência.
Fizeste me acordar de uma morte vivida que um dia existiu em mim…
E fui…fui de mansinho e foi…
Foi o cruzamento perfeito.
Tão real que pareceu verdadeiro.
E tudo passou por uma verdadeira metamorfose das palavras, escritas!

Dedico este texto…
A…quem o sabe…
“Desejo…te”!…
Ao autor que em mim me resgatou de onde nunca mais quero voltar…
Um dia esse autor,
voará para as mãos de outro Ser, que procurará a salvação, através da escrita…

© Miss Lost 2017 #69Letras

 


…mais vida me dás.

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Faz um ano que desci o primeiro degrau da escada que me lançaste. Quem disse que subiria em direção ao céu e conheceria a paz dos anjos e a leveza das nuvens?
Esta escada leva o meu corpo na direção dos rochedos vulcânicos do inferno que te habita, e quanto mais a temperatura dos degraus aquece mais a ti pertenço. Estou a meio das escadas e o sangue já borbulha, a pele queima e se desfaz em suor e larva flamejante no meio das pernas. Quanto mais desço mais vida me dás, como se o teu caminho,
o da perdição fosse a minha salvação
a boca que me devora a liberdade,
as mãos que me tocam a fome que já não tinha
e o teu sexo o alimento que me rasga e me faz ser mulher.

A Vizinha