Arquivo de etiquetas: rico

Ninguém Tem Pena das Pessoas Felizes

8458c197176b75789249710da0394910

Ninguém tem pena das pessoas felizes. Os Portugueses adoram ter angústias, inseguranças, dúvidas existenciais dilacerantes, porque é isso que funciona na nossa sociedade. As pessoas com problemas são sempre mais interessantes. Nós, os tontos, não temos interesse nenhum porque somos felizes. Somos felizes, somos tontaços, não podemos ter graça nem salvação. Muitos felizardos (a própria palavra tem um soar repelente, rimador de «javardo») vêem-se obrigados a fingir a dor que deveras não sentem, só para poderem «brincar» com os outros meninos.
É assim. Chega um infeliz ao pé de nós e diz que não sabe se há-de ir beber uma cerveja ou matar-se. E pergunta, depois de ter feito o inventário das tristezas das últimas 24 horas: «E tu? Sempre bem disposto, não?». O que é que se pode responder? Apetece mentir e dizer que nos morreu uma avó, que nos atraiçoou uma namorada, que nos atropelaram a cadelinha ali na estrada de Sines.
E, no entanto, as pessoas felizes também sofrem muito. Sofrem, sobretudo, de «culpa». Se elas estão felizes, rodeadas de pessoas tristes, é lógico que pensem que há ali qualquer coisa que não bate certo. As infelizes acusam sempre os felizes de terem a culpa. É como a polícia que vai à procura de quem roubou as jóias e chega à taberna e prende o meliante com ar mais bem disposto. Em Portugal, se alguém se mostra feliz é logo suspeito de tudo e mais alguma coisa. «Julgas que é por acaso que aquele marmanjo anda tão bem disposto?», diz o espertalhão para outro macambúzio. É normal andar muito em baixo, mas há gato se alguém andar nem que seja só um bocadinho «em cima». Pensam logo que é «em cima» de alguém.

Ser feliz no meio de muita gente infeliz é como ser muito rico no meio de um bairro-de-lata. Só sabe bem a quem for perverso.
Infelizmente, a felicidade não é contagiosa. A alegria, sim, e a boa disposição, talvez, mas a felicidade, jamais. Porque a felicidade não pode ser partilhada, não pode ser explicada, não tem propriamente razão. Não se pode rir em Portugal sem que pensem que se está a rir de alguém ou de qualquer coisa. Um sorriso que se sorria a uma pessoa desconhecida, só para desabafar, é imediatamente mal interpretado. Em Portugal, as pessoas felizes sofrem de ser confundidas com as pessoas contentes.

Texto de: Miguel Esteves Cardoso

Fotografia: Via Pinterest

Na verdade sinto falta de tudo o que tem a ver contigo.

Sabes do que sinto falta?

Na verdade sinto falta de tudo o que tem a ver contigo.

Mas sinto mesmo falta, daquela falta que chega a doer, conheces a sensação?, da nossa felicidade, da nossa urgência 24h sob 24h, de nos faltarem as palavras para descrever o que sentíamos, de quando um “Amo-te” (sabes à quanto tempo não escrevia esta palavra?! Oh céus que dor…) se tornava exageradamente pequeno para o quanto nos amava-mos, do companheirismo, da amizade, lembras-te das nossas conversas como se fossemos apenas dois amigos, ainda que namorados?


Desculpa meu amor, pelo texto quase corrido, mas quando falo de ti entusiasmo-me.


Com quem partilhas agora o teu dia-a-dia? Os teus problemas?
Lembras-te do encanto com que te olhava?
Do ar de tolinho apaixonado indisfarçável que me denunciava quando era suposto manter segredo?


O amor que trazia comigo, transbordava-me.


Ver-te sorrir fazia-me sentir o homem mais poderoso ao cimo da terra, capaz de conquistar este mundo e qualquer outro, ainda que a minha única riqueza e arma fosses tu.
E chegava-me! Eu, tu e o nosso amor, e eu seria eternamente rico e feliz.


A cada dia que passa esta ausência de ti, mata-me um pouco mais.

Alguém disse que olhos que não vêm, coração que não sente… Que grande mentiroso me saiu quem disse tamanha barbaridade.


Há meses que os meus olhos não te vêm e nem por isso o meu coração deixou de ser louco por ti.

KingOfMysteries #69Letras