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Vicky M (d)escrevendo-se

Escrever… Para quê? Porquê?

Desde que me lembro, sempre senti as palavras, sempre gostei de as ver… Elas surgem-me na cabeça e desenham-se, dançam, compreendem, explicam…

Quando não as encontro é porque uma voz maior com uma linguagem diferente se eleva no meu âmago… É o meu coração a querer gritar para fora do meu peito…

Cedo vi no papel e na caneta confessores, amigos. Eles não perguntavam porquê, não criticavam, não julgavam… Quando escrevia era eu, só eu, sem reservas, sem tretas… Estive rodeada das pessoas erradas grande parte da minha vida, sabes? Faziam-me sentir que não podia ser eu, que não encaixava, que não era certo ser assim e eu nunca percebi o que havia de errado em ser “assim” porque eu simplesmente era… Chorei em silêncio, afoguei as mágoas nos kilometros de papel que enchi com as minhas dores, dúvidas, crenças e descrenças… E escondi-as, enterrei-as.

Andei a enterrar a minha essência, os meus sentimentos durante tempo indeterminado… Até deixar de saber sentir… E em última instância deixar de escrever… Estava presa, bloqueada, entupida de merdas da vida, cinzenta, estagnada, sem sequer me reconhecer…

Agarrei-me à música, deixei que inconscientemente ela me falasse, me contasse histórias, me lembrasse de detalhes… Adormeci agarrada a notas como uma criança se agarra ao seu peluche favorito, bebi letras sem lhes provar o sabor, sem lhes conhecer o sentido…

Ah, maestro da vida… Quis o destino que os meus olhos da alma se abrissem e deixassem entrar luz… Tal como qualquer cego quando vê a luz pela primeira vez, fiquei ofuscada e inebriada pelos fascínios das cores, da energia. Perdi-me, sobredosei-me de sensações e viciei-me nelas como se já não funcionasse sem as pressas e pressões da adrenalina, devorei o mundo e vomitei palavras desconexas, almas em nados-mortos, procurando sentidos em ventos rápidos, pedras preciosas em correntes de água cravadas de rochas espinhosas e sem fluir, avançando aos trambolhões… Ouvi vozes sábias sem as escutar e deixei-me arrastar…

Caí, na vida e em mim… Lambi as feridas e como uma gata enrolei-me em mim mesma e repousei… Levantei-me, quis avançar… A bagagem era pesada, dolorosa…

Sentei-me, senti-me e escrevi… Sobre tudo, sobre todos, sobre mim sobre a vida, sobre a bagagem e sobre como não sabia como a carregar… Olhei para cima, já consciente de não encontrar ajuda divina, vi uma mão estendida… Agarrei e vi outras mãos, ouvi e escutei vozes, histórias e compreendi, e vou compreendendo e vou avançando, mais leve, rodeada de uma massa de energia em forma de sorrisos, de pessoas carregadas de malas coloridas de contos e contas e hoje partilho, da melhor forma que sei… Vou escrevendo…

Aprendi que quando partilhada com as pessoas certas a vida não é tão dura, tão custosa… Aprendi também que se me ponho de coração nas palavras que hoje desenho alguém as vai ler e sentir-se e sentir-me…

Por isso e por mais vozes que não consigo descrever tão bem quanto queria, porque me são cantadas na voz do coração… Vou escrevendo…

© Vicky M #69letras

Podem encontrar a VickyM também em: facebook.com/VickyMPlace/

Já não sei quem sou

Vesti tantas peles ao longo desta minha estadia térrea,
que já não sei que pele usar.
Sinto-me despida, vazia,
mas ao mesmo tempo prestes a rebentar.
Acumulei tantas emoções,
descarreguei tantas decepções
que agora….
Já não sei quem sou.
Gostava de voltar a ser tudo,
mas sinto-me como um nada.
Vejo o meu corpo envelhecer
o meu olhar entristecer.
Mas a minha alma e espírito
teimam em permanecer jovens.
É uma batalha da qual não sei
qual será o fim.
Tento resistir, voltar a rejuvenescer,
mas o cansaço vence-me.
Sei que está mais uma pele a nascer.
Mas não sei o que será, nem o que o futuro
me irá reservar nela.
Aguardo pacientemente o desfecho de mim.
© Lola 2017 #69Letras

Vivo e revivo o que me faz bem!

Decidi embarcar na busca da felicidade.
Da minha felicidade.
Decidi ser feliz sem conta e medida,
Sem as opiniões alheias à minha vontade.
Sem falsas moralidades de seres pseudo-superiores,
Vou usar o meu sorriso, aquele que mais gosto,
Pouco me interessa se tu gostas ou deixas de gostar.

Vou agradar quem eu quiser, vou envolver-me com quem me apetecer.
Sou dona de mim, dos meus sentimentos e emoções.
O mundo seria um sitio melhor se todos pensassem assim.
Eu sou livre de espírito, livre de preconceito!


Vivo e revivo o que me faz bem.

© Krishna 69Letras 2017 

Dejá vú….

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Todos temos dejá vú, mas raramente nos lembramos de onde e quando.
Há quem diga que não sonham, mas não é verdade.
Todos sonhamos, podemos é não nos recordar do que.
Por incrível que pareça o ser humano tem uma capacidade de transcender a outros níveis,
que muitos desconhecem e alguns não compreendem.
Nós quando sonhamos o nosso ser, a nossa alma transcende, vagueia por sítios
que nós provavelmente nunca fomos ou que num futuro longínquo poderemos chegar a ir.
A nossa mente tem uma capacidade de armazenar não só o passado como o futuro e viver o presente.

Quando te deparas com situações, locais ou pessoas e pensas : “Já passei por isto!, – Conheço-te de algum lado!, – Isto é-me familiar!”
Nem sempre foi algo que vivemos realmente nesta vida, mas sim algo que passamos, algo que a nossa alma andou a vaguear numa outra vida, num outro futuro.

Por isso temos muitos dejá vú. E a nossa mente quando está desperta baralha-se com o que nós visualizamos e pensamos.

LOLA #69Letras

Esta tortura a que te submeto é a mesma a que me sujeito.

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Segue-nos no facebook! Esta tortura a que te submeto é a mesma a que me sujeito. Tu estás aí e eu aqui a querer-te dentro de mim. Privo-me de ti apenas para te ter a suplicar pelo meu corpo nas raras vezes em que atendo as tuas chamadas.
Eu não te vejo, e tu não me vês, mas mimo-te ocasionalmente com uma fotografia minha para te tornar a reacender e deliciosamente contaminar a tua mente.
Torturo-nos. Jogo ou não, é assim a rebentares de desejo que te quero. Logo logo vais-me ter nos teus lençóis, mas não será quando implorares, mas quando eu quiser .
Torturo-te e é por isso que tanto me desejas, é por isso que cegas de tesão, é põe isso que estou em cada orgasmo que tens e é em ti que penso, sonho revivo e invento para me vir.
Sim tudo isto é desnecessário, podemos-nos sentir sempre quando e onde quisermos mas é assim que quero o teu corpo. A desejar-te por noites sem fim e consumar apenas quando bastar um olhar para que eu escorra de desejo e o teu lutar para rasgar as tuas calças.

 

A Vizinha

Sou uma pessoa e não posso sentir?

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A alma parte, o coração deixa de bater e o corpo esfria, e o teu coração fica vazio.
E tu, és obrigada a partir também, seguir em frente ‘dizem’. Mas seguir para onde?
De repente, tu tens de fingir que não é nada contigo e a encarar a morte de quem sempre ocupou o teu peito como algo banal. Natural! Porque a vida continua ‘dizem’ eles. Continua para onde?
De repente, chorar, pensar nele, não faz sentido, não o deves fazer, porque sofres, ‘dizem’…
O quê? Não posso chorar a partida do meu amor?
Não posso falar dele? Não posso reviver o passado, umas, duas, infinitas vezes porque me faz mal e tenho de seguir em frente?

Espera!
Sou uma pessoa e não posso sentir?

Não posso chorar, espernear, desesperar, sonhar, questionar e gritar a dor que tenho dentro do peito? Dor que se vê no olhar e na ausência do sorriso?
Um dia… ele já não vai estar em mim… ou tão em mim.
Hoje ele está e eu vou chorar, sentir e sofrer a sua partida.
Eu quero sentir. Quero!
Quero sofrer. Chorar. Reviver…. simples acções que me fazem senti-lo por perto…
Seguirei em frente quando me quiser soltar…. mas não é hoje, ou amanhã!
Não abro mão de o deixar de sentir…

© Cátia Teixeira 69 Letras 2015