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Sou Put@, e que? (Parte 1)

Estou num daqueles dias mesmo caóticos. Tudo me corre mal desde que acordei.

Acabei de chegar a casa e tenho de me despachar, pois tenho uma saída marcada com umas amigas. Tiro a roupa e entro para o duche. Abro a agua e: “Ahhh!” Merda não tenho agua quente. Mas que mal fiz eu para merecer este dia tão mau? La tenho eu de me lavar em agua fria. Saio do duche e vou me vestir. Cueca de renda, sutiã com details rendados. Liga? Hum não. Assim como me corre o dia hoje, não vou precisar de liga. Pego no creme hidratante e começo a passar pela perna esquerda. Começo de baixo para cima. Depois de esfregar lentamente pelo corpo fora, meto um pouco de creme na mão direita para poder esfregar no peito e pescoço. Estou quase a acabar quando olho para a janela e vejo um vizinho do outro lado da rua de binóculos na mão esquerda e o seu sexo na direita.

Preciso do vestido. Onde raio esta o vestido? Na sala! Vou lá sem me preocupar se os vizinhos estão a janela e visto. Impecável! Pode ser que a noite me corra melhor. Olho para o relógio: “Merda!” Já estou mais que atrasada.

Peregrinus #69Letras

Fotógrafo: Helder Mendes Photography

…retornarei à cama onde o meu amor ainda não amanheceu.

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Pode até nem acontecer, ainda assim não deixo que os meus sonhos murchem nem que meu olhar se torne baço.
Que não se engane quem me vê absorta pela paisagem não é os prédios que me rodeiam que observo, nada disso, estou mais à frente, mais adiante, numa viajem que só eu embarco.
Sorrio de coração cheio mas não é porque vejo as pessoas que caminham lá fora mas sim avisto como se quase conseguisse palpar aquele dia em que quando acordar estarei eu em outro lugar. Onde poderei inspirar profundamente o ar frio dos melancólicos invernos e as árvores serão a pauta com que o vento e a chuva vão tocar e dentro do meu lar vive um silêncio absoluto violado pelo delicioso crepitar da lareira, onde caminho pelo soalho de madeira com os pés embrulhados numas meias de lã e nos ombros carrego a velha manta que está na família por três gerações, nas mãos a porcelana onde me servi de chá aquece o meu toque e saboreio cada trago como se o tempo fosse infinito e o relógio a minha vontade.
Um dia destes acordarei com outra paisagem e depois de a contemplar retornarei à cama onde o meu amor ainda não amanheceu.
?A Vizinha #69Letras

 

O mundo despertava e nós também.

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Cortamos laços com o dia lá fora contrariámos a rotina, transformámos o sol em noite e tornámos-nos mais uma vez amantes.
O relógio foi atirado para uma gaveta qualquer, os telemóveis desligados, fechamos a porta e deixámos a responsabilidade lá fora. Tantas pessoas a quem responder mas não quisemos saber.
Foi aquela vontade de fugir sem sabermos para onde e virar costas ao mundo e sermos só nós. Nós. E assim foi feita a nossa vontade.

Nós dois num mundo à parte, dentro de 4 paredes, o nosso refúgio isolado rodeados pela vida lá fora mas a vivermos outra realidade. A nossa. E fizemos daquela cama o nosso jardim onde nós fomos vida e cor em forma de flor. Descansamos do mundo e cansamos-nos um no outro, brincámos com o prazer suamos e gememos, e por fim adormecemos. Encomendamos comida quando os corpos pediram e não quando as horas impõem a refeição, seguimos a nossa vontade. Conversámos pouco, amamo-nos mais um pouco, suamos e gememos, e por fim adormecemos.

Abrimos as janelas as ruas estavam calmas, ligamos os telemóveis eram 7h da manhã.
O mundo despertava e nós também.

A Vizinha