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Reencontro

Conto Erótico | M18

O tempo que esperei para te reencontrar foi tanto que quase apagou da minha memória o teu sabor, o teu toque, o teu cheiro… A ansiedade que me invadia naqueles minutos que antecederam sacudiram os meu sentidos e quase me fizeram temer que os resquícios que tinha de ti fossem um truque da minha mente perdida na vontade de te fazer meu outra vez…

Fiz a caminhada que nos aproximava de coração já acelerado por avistar o olhar, o sorriso e a barba que preencheu os meu sonhos ultimamente.

E depois… a voz… essa fez-me querer possuir-te ali mesmo mas o  pudor e bom senso que restavam do meu ser ciente impediram-me. Amena cavaqueira no caminho que nos levava ao ponto onde íamos fazer o nosso mundo girar, com as libidos aos gritos e chegamos…

Ahhh  esse beijo… esse era ainda melhor do que a minha memória contava, e o toque… ah és tu, és mesmo tu…

Anda cá… não importa de que forma me coloques, se sou eu quem te domina… Somos nós e tudo pára! Perdes o teu tempo a saborear cada centímetro meu e perco-me, entrego-me entre espasmos de prazer que acolhes com uma tesão descomunal e deliciosa que faço questão de receber onde a queiras depositar… já não sou eu, sou o ser que criámos nestas horas sempre contadas que sabem a céu e são sempre pouco… sou cega devota ao prazer, e dedico o tempo devido na retribuição e aí é a minha vez de gozar ao ver o quanto o teu corpo reage a mim…

Vejo o nosso reflexo quando somos uma só alma, um só corpo e prendo na memória… É tempo de lavar a alma guardando o sabor de cada um dos orgasmos, é tempo de seguir caminho… Até já bicho…

© Vicky M 2016 #69Letras

O encantamento enobreceu

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Fotografia: Via Pinterest

Lindo foi o dia em que dois desconhecidos cruzaram o olhar pela primeira vez. O olhar fixou e assim nasceu aquela que foi a primeira vez que sorriram um para o outro. O sorriso a florescer, a timidez a rosar na face, e as primeiras trocas de palavras.
Apalparam terreno, deram passinhos bebé, mas a cada avanço, mais se reconheciam um no outro. O encantamento enobreceu, as palavras ensurdeciam com o desafio constante dos olhos atentos ao movimento da boca um do outro.
O nervosismo chegou, o sorriso pediu, o olhar faiscou, e os dois desconhecidos saíram pela primeira vez.
Descobriram que só foram desconhecidos até se verem pela primeira vez. Depois disso, tiveram a certeza que não foi mero acaso. Reencontraram-se.

A Vizinha

No museu. Conto.

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Fotografia: Via Pinterest

A noite no museu.
Podia estar a falar do filme, mas não. Estou mesmo a falar de nós.
Naquela noite as estátuas e as obras em exposição não passaram de peças com um passado encerrado. Naquela noite no museu o nosso passado atraiçoou-nos e fez-nos voltar no tempo. Uma vez no passado, a única arte que ganhou vida naquela noite no museu foram os nossos corpos.
Como nos amámos! Amámo-nos como se o que um dia foi o nosso passado ainda fosse o nosso presente com um pé no futuro. Como se nos amassemos todos os dias até então…
Na biblioteca de museu fizemos inveja aos livros à muito encerrados nas estantes cheias de pó, a sala de audiovisuais teve pela primeira vez motivo para se encher de publico, palmas, emoção e tesão. Foi uma peça cheia sobre amor, reencontro, saudade e o erotismo daquele primeiro toque, doce, como se da primeira vez se tratasse.
Tanta ansiedade na respiração. Quanta curiosidade na ponta dos dedos?
Redescobrimo-nos como se aquela fosse a nossa primeira vez. E foi. A nossa primeira vez, voltamos a viver, o sangue a correr no instante em que os nossos olhares se tocaram.
À noite no museu, como dois agentes infiltrados, a evitar as câmaras e a amarem-se nos ângulos mortos para que os seguranças não nos apanhassem.
Loucura.
Somos loucos.
Loucos pela loucura e loucos um pelo outro.