Arquivo de etiquetas: realidade

Inferno

Vivo perto dum inferno 
E tão longe do paraíso
Preciso de ti,
mas tu escorregas-me 
Entre os dedos.
Desejo-te a toda a hora
A tua boca,
Os teus beijos,
O teu corpo.
Tu és a minha perdição
O meu pecado mortal
Vivo neste inferno de te desejar
Mas cada vez que nos cruzamos
Sinto me fora de mim 
Meu corpo descontrola-se
Minha mente perde-se 
Deixa de ser coerente
Flutua por mundos
Inexploráveis.
Regresso à realidade e..
Volto ao meu inferno…
A tua ausência…
A vontade de te ter de novo
©Lola 2017 #69Letras

Com os seus olhos me fascinou

Com o seu sorriso me encantou

No mistério se envolvia

Quando me sorria era pura magia

Dávamos as mãos

E ouvíamos o coração

No silêncio de um olhar

Voávamos pra um lugar só nosso

Lá, em sonhos perdidos

Entre risos distraídos.

Lá, em sítios distantes

Onde eramos amantes.

Lá, onde tu e eu

Eramos nós.

Mas a realidade era diferente

Não nos deixou seguir em frente

Perdi-me no tempo

Contigo no pensamento.

Não sei onde estou

Nem para onde vou

Mas quero-te comigo

Para a vida ter sentido.

Lá, em sonhos perdidos

Entre risos distraídos.

Lá, em sítios distantes

Onde eramos amantes.

Lá, onde tu e eu

Eramos nós.

Lá, onde tu e eu

Onde eu e tu

Eramos…nós.

© Fox 2017 #69Letras

Confissão

Para Leitores M18

Olá sou a Lena, tenho 32 anos e tenho algo a confessar. Matei um homem. Sim, leste bem, matei-o. Mas foi em defesa pessoal. Apesar de não ser minha culpa, nunca falei com ninguém sobre isto.

Faz hoje um ano. Estou no Facebook a ver o meu feed, quando recebo uma mensagem de um Homem bem atraente. Ele pede desculpa por me estar a contactar desta forma e apresenta-se. Normalmente não ligo muito a estas mensagens de estranhos, mas algo nele me intriga. Respondo-lhe. Não demora muito até me fazer um pedido de amizade e eu aceitar. Ele é charmoso e muito educado. Falamos horas e horas sobre tudo e nada. Trocamos os nossos números e começamos a falar por telefone. A voz dele é excitante. Passo os dias a pensar nele. Finalmente – pensava eu naquele momento, sem imaginar o que vinha a seguir – ele convidou-me para jantar em casa dele e vermos um filme de terror. Sim de terror. É algo que temos em comum. Ambos gostamos de filmes de terror – apesar de que os filmes de terror dele, não eram bem o meu género de terror. Eram bem piores! Fui ter a casa dele como combinado. Chego as 19.00 horas. Abre-me a porta e deixa-me entrar. O apartamento dele esta muito bem arranjado. Bem demais. Parece saído de um comercial.

Na altura não pensei que fosse estranho, mas agora pensando nisso devia ter ficado alertada.

Da cozinha vem um cheiro bem agradável. Depois de me ajudar a tirar o casaco e arrumar junto com a minha mala conduz-me até a sala de jantar. Esta tudo tão romântico. Estou nas nuvens. Toalha de mesa vermelha, louça de porcelana – carissima –, a sala esta somente iluminada por velas e pelo chão estão espalhadas pétalas de rosas. Puxa-me uma das cadeiras para trás e indica-me com a mão que me sente. Depois pega num dos copos e uma garrafa de vinho já aberta e enche o copo. “É Vinho tinto caseiro. “ – diz ele enquanto me estende o copo. Pega no outro, e enche-o também. Levanta o copo e diz: “A nossa.” Provo o vinho. Tem um sabor um pouco esquisito e é grosso. Mas como não o quero decepcionar logo no primeiro encontro, sorriu e digo que é bom.

Mal eu sabia que aquilo afinal de vinho não tinha nada.

Ele desculpa-se e vai em direção a cozinha. Pouco depois chega com uma travessa na mão. É o jantar. Cheira muito bem. Parece assado, mas depois de provar sei que não é assado de porco. Não consigo dizer que tipo de carne é, mas esta delicioso.

Pensando nisso agora, e sabendo que tipo de carne era, ainda tenho de vomitar.

Digo-lhe o quão bom esta e com um sorriso ele agradece. Passamos o jantar inteiro a conversar sobre a minha vida. Ele quer saber se contei sobre nos a minha família ou amigas e se alguém sabe onde estou neste momento. Nego e conto que só disse a uma amiga que ia sair, mas que não entrei em detalhes. Ele sorri.

Não pensei nada sobre o interrogatório na altura, mas agora percebo que queria saber se alguém poderia dar pela minha falta.

Acabamos de jantar e ele conduz-me até a sala. Liga a televisão e antes de começar o filme, conta-me que é um dos seus preferidos. Diz-me também que tem vários daquele tipo e que se me portar bem mos mostrava. PLAY. O filme começa.

A única coisa que se vê é um quarto mal iluminado com uma cama no meio. De repente aparece uma pessoa – parece um homem – com uma mascara que parece ser feita de pele humana, no quarto e na mão esquerda arrasta uma mulher pelos cabelos até a cama. A mulher não para de gritar. O homem pega nela e ata a as mãos dela a cama. Ela esta de barriga para baixo e nua.

Só naquele momento é que tinha reparado nesse pormenor.

O homem baixa as calças e começa a penetrar o rabo da mulher. Agora sentindo de novo dor a mulher grita. Ouço um tipo de ganir satisfeito do homem. Parece que o facto da mulher estar a gritar o excita ainda mais. Depois de acabar ele puxa as calças para cima e tira algo do bolso. Não consigo perceber o que é ate ver sangue a sair da goela daquela pobre mulher. É uma navalha. O homem sai do quarto e o filme acaba.

Confusa fico a olhar para a televisão e só depois de alguns segundos dou conta que ele esta a olhar para mim com um sorriso de uma orelha a outra. “Então gostaste?”, pergunta ainda a sorrir. Sem entender bem o que acabo de ver simplesmente sorri o.  Pergunto se aquilo é um filme snuff e a única resposta dele é: “Quem sabe…”

Ele vira-se novamente para mim e beija-me. É um beijo intenso. Nunca antes senti algo assim. Rapidamente me fazer esquecer a porcaria do filme e eu finalmente consigo me deixar levar por completo por aquele momento. Reparando o quão excitado ele esta paro e passo a minha mão por cima. Ele esboça um sorriso: “E diz, já vamos tratar disso.” Ele da-me um copo de vinho e manda-me beber. “Vais precisar de liquido, para o que vem a seguir.”, diz-me. Eu dou um golo e pouso o copo. De repente começo a sentir-me zonza. Os meus olhos fecham. A única coisa que me lembro a seguir é de acordar com uma dor de cabeça enorme e sentir alguém a tirar-me a roupa. Ainda estou sonambular e por isso não me consigo mexer. Abro os olhos e vejo-o a por a mascara. Ele vira-se de costas para mim e com a adrenalina e o medo que me alojam agora olho em meu redor e pego na navalha pousada em cima das suas calças. Deito-me novamente e tento esconder o melhor que consigo a navalha na minha mão, visto estar nua. Ele vira-se novamente para mim, veste as calças e dobra-se sobre mim. “Muito bem minha querida. Já acordas te.”, diz ele. Aproveitando a oportunidade espeto a navalha no peito dele. Consigo ver os olhos dele abrirem-se incredulos e pouco depois o corpo dele cai sobre mim. Empuro-o para o chão, levanto-me e pego nas minhas coisas todas e saio a correr do apartamento. Só depois de entrar no meu carro lembro-me de que estou nua e visto-me.

Tenho lido os jornais todos os dias a ver se vejo alguma noticia sobre ele, mas nada. Ou ele não morreu ou ainda não descobriram o corpo dele.

Agora sei que não morreu. Estou a escrever esta confissão, porque sei que não sobreviver esta noite. O dia todo tenho visto a cara dele em vários sítios. Consigo pressentir. Restam-me poucas horas. Se isto vier a publico é porque morri. É porque afinal não consegui matar o J

 

Peregrinus #69Letras

Deixem-se cair

Para os que pensam que a vida perfeita existe, até quando vão viver nessa mentira? Ou têm mesmo a esperança que o mundo melhore?

Sejamos realistas

A vida não é feita de rosas, recheada de algodão doce ou colorida com um arco iris brilhante.

Há seres humanos a morrer por ignorância alheia, outros afogados na impotência perante uma doença ou por força das circunstancias.
E o que nós fazemos? Ou melhor, o que podemos fazer?

Um dia de cada vez! 

Viver um dia de cada vez e lidar com que esse dia nos traz.
Amanhã será outro dia e trará outras situações e personagens para a nossa vida, cuja a qual pode esperar por uma noite de descanso a fim de ganhar forças para enfrentar os novos dilemas que daí advêm.

Salvar um dia de cada vez. Uma vida de cada vez porque os super homens, só nos filmes mesmo.
Somos humanos. Frágeis. É favor lidar com cuidado.

Caiam das nuvens! Aí só vive quem se rege por ilusões.

©Miss Steel 69letras 2017 

…sei que estava a cometer um erro, mas era bom demais.

1917576_1644438789135185_3450647220144314681_n

 

A terminar de dar as aulas aos seniores, a preparar tudo para o merecido descanso.
Um bom banho, um bom vinho, uma refeição quente e o descanso dos deuses, era o que mais queria.
De costas para a porta, não senti que tinham entrado.
Sinto umas mãos fortes abraçarem me a cintura.
Virarem-me, agarrou-me na nuca, puxando um pouco os meus cabelos e beijou-me sofregamente e com paixão.
Não tive reacção, mas aquele beijo quente e forçado, fez-me ceder. Deixei a minha boca entreabrir-se.
Quase a perder o fôlego, senti-o afrouxar o beijo, abri os olhos e reparei que era um dos meus alunos.
Tentei escapar das garras dele, mas ele puxou.me mais para ele.
Disse-me que não resistia mais, tinha-me de sentir, de me possuir. Retorqui e disse-lhe que era impossível, questões de ética.
Tentei de novo desembaraçar-me de seus braços, mas ele entalou-me entre seu corpo atlético, torneado e o quadro.
Subiu-me o vestido, senti as suas mãos a percorrerem cada parte da minha intimidade. A minha respiração acelerava e não conseguia libertar-me.
Queria fugir, mas o diabo que ele estava a despertar em mim, queria ficar. Tentei resistir, mordendo o meu lábio para regressar à realidade, mas esse gesto foi como se o incentivasse ainda mais.
Pressionou-me mais contra o quadro, enquanto me beijava senti toda a virilidade dele em mim. Arfei…Afrouxou o beijo e começou a acariciar-me por todo o meu corpo, sempre dentro de mim.
Até me ouvir soltar gemidos de prazer, até ver o meu olhar vidrado de gozo e o meu sorriso de puta satisfeita.
Os meus poros cederam em todos os aspectos.
Disse-lhe que não poderia acontecer de novo. Acenou a cabeça com o sorriso de cabrão.
No dia seguinte, durante toda a aula sentia o olhar dele a percorrer todo o meu corpo e sentia-me a queimar. Sentia-me nua. Terminei a aula.
Ele parecia que não tinha ouvido o que lhe disse na noite anterior, pois voltou a carga e desta vez não lhe resisti.
Queria-o sentir de novo, sei que estava a cometer um erro, mas era bom demais.

Aquela sala de aula………

LOLA #69Letras

O mundo despertava e nós também.

wpid-d679590b1833ccb2cd83a4dbd9a563e2

 

Cortamos laços com o dia lá fora contrariámos a rotina, transformámos o sol em noite e tornámos-nos mais uma vez amantes.
O relógio foi atirado para uma gaveta qualquer, os telemóveis desligados, fechamos a porta e deixámos a responsabilidade lá fora. Tantas pessoas a quem responder mas não quisemos saber.
Foi aquela vontade de fugir sem sabermos para onde e virar costas ao mundo e sermos só nós. Nós. E assim foi feita a nossa vontade.

Nós dois num mundo à parte, dentro de 4 paredes, o nosso refúgio isolado rodeados pela vida lá fora mas a vivermos outra realidade. A nossa. E fizemos daquela cama o nosso jardim onde nós fomos vida e cor em forma de flor. Descansamos do mundo e cansamos-nos um no outro, brincámos com o prazer suamos e gememos, e por fim adormecemos. Encomendamos comida quando os corpos pediram e não quando as horas impõem a refeição, seguimos a nossa vontade. Conversámos pouco, amamo-nos mais um pouco, suamos e gememos, e por fim adormecemos.

Abrimos as janelas as ruas estavam calmas, ligamos os telemóveis eram 7h da manhã.
O mundo despertava e nós também.

A Vizinha

Desejo tão urgente que não precisa de apresentações.

klk

Hoje as mãos rejeitam a caneta, o papel não acolhe as palavras e tu penetras-me na mente e impedes-me de cuspir o turbilhão de emoções com que me invades sem permissão a altas horas da noite.
Tento-me concentrar nas palavras que trocámos hoje, mas foi mesmo sobre o quê?
Apenas me recordo do movimento dos teus lábios e de me perder no teu rosto enquanto dentro de mim combatia a vontade de te encurralar contra a parede e descobrir na tua boca o quanto me queres.
Não preciso de dizer o que quero, a minha voz treme, abandona-me, diz-te tudo o que precisas saber.
Já perdi a conta das vezes que passei a mão no cabelo, fechei os olhos e desejei ter-te a respirar no meu pescoço… desperto para a realidade e só o ar me rodeia.
Quero-te.
Desejo-te.
Desejo tão urgente que não precisa de apresentações.
Deixemos a biografia para outra ocasião, o meu alvo, está no que o teu olhar anunciou, bem debaixo dessas roupas, deixemos as formalidades e vamos alimentar estes dois predadores com apetites irracionais, não convencionais.