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Livre ou à deriva

Livre ou à deriva
Entre ir embora e ficar há só uma porta fechada que se abre com o querer
Entre quem fica à deriva e quem vai ser livre há um oceano de dúvidas que se define com o que se pode ganhar ou que se pode perder o eco do cair das lágrimas grita um silêncio ensurdecedor
O que se quer ouvir engasga a alma e o que se quer dizer levita por dentro com um peso esmagador
 
Entre o amor e o ódio há só um passo
Vejo me sair como um ladrão que se descuida e é apanhado
 
Engano-me que serei livre até me lembrar de ti, pois a partir daí… estarei a deriva…
 
E se eu não for e se eu eu aceitar ser o predador e se deixar incendiar a nossa alma e se deixar perder no labirinto da sua cama
 
E se ceder a gana e saborear o orgulho e se déssemos trégua, lampejar esse escuro e cessar a guerra?
Que me dizes?
©Bruxo 2017 #69Letras

Vendo-te, prendo-te e liberto-te…

Vendo-te, prendo-te e liberto-te…
Deixo que a ansiedade da privação dos sentidos se apodere da tua mente e do teu corpo…
Não me vês, mas sentes-me, posso ser eu como sou, fazer o que me dá prazer, porque no fundo também o estou a dar a ti…
Sei que gostas…
Esta troca de papéis no jogo da sedução cativa-te, adoras a tortura de te levar ao limite e te manter assim… Rendido…
Sinto o arrepio de prazer que te percorre a pele a cada toque, a cada beijo dado em silêncio mas que tudo transmite, toda a cumplicidade e confiança que em mim depositas quando te submetes aos meus desejos…
Sei que nestas alturas sou inatingível e não passas de um brinquedo que uso a meu bel-prazer, mas também sinto…
Tiro-te a venda e desprendo-te, quero olhar-te nos olhos quando te libertas em mim…
Porque somos assim, temos esta maneira kinky de nos querermos mas o amor fala sempre mais alto…
Esse sim…
Liberta-nos…

© Miss Kitty 2017 #69Letras

Cativar

Cativar: atrair, seduzir, encantar,  criar laços, afeiçoar-se,  enamorar-se.
Cativar: reduzir a cativeiro.

Na nossa vida cruzamo-nos com várias pessoas.
Diferentes corpos, rostos, sorrisos, olhares, pensamentos, sonhos, desejos.
No entanto, há sempre um olhar, um sorriso, uma expressão, um som, um toque, que nos liga a alguém.
Há sempre alguém que nos atrai.
A atracção inicial traz consigo a curiosidade em descobrir o outro e uma necessidade de satisfazê-la.
Inconscientemente, começamos a sentir-nos seduzidos, a desejar qualquer tipo de contacto com essa pessoa.
E a curiosidade mantém-se.
Surge o encanto, a idealização de possíveis futuros, o fascínio que baila no olhar, o feitiço que nos prende a alguém, a curiosidade que não desvanece.
Criar laços é a solução que encontramos para não deixar escapar quem outrora nos encantou.
Temos paciência, tempo e entrega.
Satisfazemos a curiosidade a pouco e pouco enquanto nos revelamos.
Fazem-se trocas. Trocas de experiências, gostos, sonhos, desejos, pensamentos, vidas.
E assim, afeiçoamo-nos.
Surgem sentimentos que nos prendem.
Cuidado, preocupação, protecção, carinho, afecto.
E um dia esses sentimentos evoluem e, aí, enamoramo-nos.
Sentimos algo mais, um carinho e protecção maiores, um encanto mais poderoso, uma atracção inevitável, um gostar mais forte, um fogo no interior.
E é o amor.
Tudo isto se conjuga num verbo: cativar.
Tu cativaste-me.
Atraíste-me, seduziste-me, encantaste-me. Criei laços, afeiçoei-me. Enamorei-me?
Agora necessito de ti para continuar a sentir-me assim, cativada.
Agora és único para mim e quero-te por perto.
E do alto da minha jovem inocência pergunto:
E tu, necessitas de mim?
E eu, sou única para ti?
Cativei-te?