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Ilumino-te. Apagas-me. Acendo-me e roubas a luz.

O único pecado que existe é não estares ao meu alcance, como poderei eu saciar-me se não te tenho aqui onde és preciso?
Preciso-te para que me preenchas com os teus pedaços de homem trágico. Luz todos a temos, mas quantos de nós entram no quarto escuro da alma em que habitamos? E desses quantos, quantos são os que o partilham ou se deixam visitar? Adoro-te por isto! Pela porta que me abres, onde rompo por ti a dentro e instalo-me na noite sem estrelas onde resides, bruto, liberto, nessa mártir que me seduz onde alberga a minha luz. Continuar a lerIlumino-te. Apagas-me. Acendo-me e roubas a luz.

O que acontece no Porto, fica no Porto…

V: Saio do aeroporto a alinhar a saia… Esta escala pensada no Porto vai dar para relaxar, depois da viagem sem um pingo de diversão a Londres. Só volto a Lisboa na segunda feira e vou aproveitar para relaxar este fim de semana… Tenho algumas pessoas para visitar, mas é um novo conhecimento que anseio… Mas primeiro, um bom hotel…

R: Desde os tempos de adolescente que o comboio ganhou um fascínio a que me entrego com gosto. As viagens quinzenais para ir ver o meu pai… As amizades de três horas que fiz… Maravilhosas adolescentes que me libertaram as vergonhas… Estava na hora de conhecer o Porto.
A “coisa” não começava bem…
Teria de ficar mais um dia que o previsto  para a compra que vinha fazer. Continuar a lerO que acontece no Porto, fica no Porto…

A que me faz sentir muito mais além do prazer.

Ela dança triunfante sob o toque das minhas mãos nas suas curvas, o corpo dela reage como se na ponta dos meus dedos existisse a elegância de um pianista, como se o meu toque fosse  refinado, mas tudo o que tenho são estas mãos robustas, grandes e largas, de dedos compridos e grossos onde a sinto a vibrar à minha paisagem.

Já o toque dela é mágico, seguro, terno e profundo. Tão profundo que parece que afaga até o que se esconde debaixo da minha pele, aquele outro eu obscuro, aprisionado e controlado. Ela adormece-me, no seu toque tenho a sensação que a rotação da terra estagna e que apenas os seus dedos pequenos se mexem, trauteando os meus cabelos. Adoro quando ela faz aquilo com o polegar e o dedo indicador massajando aos círculos a minha orelha. Mas depois este mesmo toque que me acalma é o mesmo que me desperta a luxuria, onde solto espasmos quando me toca suavemente no corpo com o membro erecto que me faz estremecer e desesperar por aquele toque firme e cheio de vontade que só ela tem…

ah… ela!

A ondulação dos seus cabelos que se confundem com o sol fazem-me enternecer tal moldura para o rosto. Tantasd385ba720287b270a29bcc4df42654c1 vezes me parece delicada e frágil e ao mesmo tempo deliciosamente fogosa algo que tão bem tira proveito. Esconde-se no seu volumoso cabelo e tal como uma porta entreaberta deixa escapar aquele olhos endiabrados e sorriso safado.  Ela invade-me por inteiro numa mescla de sentimentos e sensações.

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Agarrar-me àquele corpo nú e suado depois de nos trincarmos a carne e nos lábios trazer o doce sabor do seu prazer há um sorriso permanente nos meus lábios e uma satisfação total. Não a que vem depois do orgasmo, mas a que provém de a ter nos meus braços, a mulher que vou amar até ao fim dos meus dias, aquela que tem um sorriso envergonhado e ao mesmo tempo sem vergonha.

A minha paixão.

A que me faz sentir muito mais além do prazer.

© 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2017

 

 


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Espasmos no abismo líquido

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Ele está a dois passos de mim… Três segundos e me perdi no verde-outono daqueles olhos. No teu pecado ou no meu?

Sigo em frente, ouço passos firmes e rápidos. Ando na direção do meu porto seguro…ele vem à sombra da fumaça do seu cigarro. No corredor passo por quadros que retratam rostos disformes, mãos que buscam nudez de Gueixa. Cortinas esvoaçantes dançam ao ritmo da tarde. Olhos se cruzam no espelho. Ao passar para o 3° andar ouço sua respiração. As luzes do fim de tarde atravessam a escuridão do corredor. Paro em frente ao retângulo bege. Alguns anos, de puro capricho burocrático com a vida, caem ao chão. Atravesso o vão do templo da retidão. Não passo a chave. Olho para a  banheira. A espuma convida. Deixo cada peça de roupa deslizar pelo meu corpo, como que, seres com vida, entendessem,  essa, momentânea eu, deixando-me seguir para o livre arbítrio. Junto delas se esvai cada centímetro do protocolo protetor.

Ele fecha a porta. Sinto seu calor, seu cheiro. Sua respiração anuncia.  Arrepios fluem destemidos. Meus cabelos são soltos e caem na cintura presa entre dedos arbitrários. Ele me mantém assim, à sua vontade. A língua invade. Liberta fico em suas mãos. Nesse interagir sem diálogo, personagens sem nome, deslizo solta, levada à doce força para um prazeroso enredo.

Ecoam sons, reflexos de átomos atraídos. As respirações cadenciadas como orquestra sob entendida batuta. Meu corpo é levado sem pressa, tomado como quem senta em uma praça, solitariamente e absorve o frescor do outono, deliciando-se, vagarosamente, num sorvete de pistache. Segue assim, sorvendo cada poro. O ventre toma forma, lateja… Quer! O ar embriaga. Cria-se a arena. Não sei se sou o touro, o pano vermelho, o toureiro ou mesmo a poeira lançada depois de cada “Olê” elegante. Logo sou um leque, frenético e frágil, de alguém na arquibancada. Ele dentro, vida dentro. O gemido vem entre lábios. Vozes em sussurros. Sou levada para fora do tribunal da consciência. Para ele sou Clarice-Marta-Angelina-Janis-Fabiani-Bartira-Ágata-Scarlet, sendo domada. Dois corpos em espasmos. Derramo-me, leve e dormente, em seu aconchego.

Volto à vida com o suspiro que me é contumaz. Lembro do abismo líquido do tédio e de como é saborosa a perversão.

Sigo em frente, com meus devaneios, com meu café forte e amargo ao som de… Ne me quitte pas.

Fabiani Ruiz