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Carta de Amor

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Eu sabia que seria apenas depois de te teres ido embora que iria perceber a completa extensão da minha felicidade e, alas! o grau da minha perda também. Ainda não a consegui ultrapassar, e se não tivesse à minha frente aquela caixinha pequena com a tua doce fotografia, pensaria que tudo não teria passado de um sonho do qual não quereria acordar. Contudo os meus amigos dizem que é verdade, e eu próprio consigo-me lembrar de detalhes ainda mais charmosos, ainda mais misteriosamente encantadores do que qualquer fantasia sonhadora poderia criar. Tem que ser verdade. Martha é minha, a rapariga doce da qual todos falam com admiração, que apesar de toda a minha resistência cativou o meu coração logo no primeiro encontro, a rapariga que eu receava cortejar e que veio para mim com elevada confiança, que fortaleceu a minha confiança em mim próprio e me deu esperanças e energia para trabalhar, na altura que eu mais precisava.

Quando tu voltares, querida rapariga, já terei vencido a timidez e estranheza que até agora me inibiu perante a tua presença. Iremos sentar-nos de novo sozinhos naquele pequeno quarto agradável, vais-te sentar naquela poltrona castanha , eu estarei a teus pés no banquinho redondo, e falaremos do tempo em que não existirá diferença entre noite e dia, onde não existirão intrusos nem despedidas, nem preocupações que nos separem.

A tua amorosa fotografia. No início, quando eu tinha o original à minha frente não pensei nada sobre a mesma; mas agora, quanto mais olho para ela mais esta se assemelha ao objecto amado; espero que o rosto pálido se transforme na cor das nossas rosas, e que os braços delicados se desprendam da superfície e prendam a minha mão; mas a imagem preciosa não se move, parece apenas dizer: «Paciência! Paciência” Eu sou apenas um símbolo, uma sombra no papel; a tua amada irá voltar, e depois podes negligenciar-me de novo».

Eu gostaria imenso de colocar esta fotografia entre os deuses da minha casa que pairam acima da minha secretária, mas embora eu possa mostrar os rostos severos dos homens que reverencio, quero esconder a face delicada da minha amada só para mim. Vai continuar na tua pequena caixinha e eu não me atrevo a confessar a quantidade de vezes, nestas últimas vinte e quatro horas, que tranquei a minha porta para poder tirar a fotografia da caixa e refrescar a minha memória.

Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays

Fotografia: Via Pinterest

I’m not feeling Gentle Tonight.

I’m not feeling Gentle Tonight.

Sentado na poltrona sinto-me agitado, impaciente e de olhar fixo em ti… A luz de presença do quarto permite-me deslumbrar as ténues e sensuais curvas do teu corpo, o leve tom de café com leite da tua pele saliva-me a boca, o brilho negro dos teus cabelos me seduz… Meu pensamento prende-me em ti, a ti e somente a ti, meu libido só deseja teu corpo e o teu prazer, minhas vontades só querem ser saciadas por ti e em ti.
Em cima dos lençóis de cetim enrolas-te e serpenteias teus desejos e fantasias, percorres-me com os olhos todo o teu desejo, deixando-me ainda mais desejoso.
Hoje não me sinto gentil, e muito menos amoroso num sentido de carinhos e de mimos suaves. Trouxe alguns dos teus brinquedos preferidos, e sei que ainda tens a chibata e a venda que deixei cá ficar na passada terça-feira, mas quero usar o meu cinto para te prender pois sei que adoras sentir o couro nos teus pulsos e nos teus tornozelos…
Levanto-me e levo a Ball Gag. Vens até junto de mim gatinhando e ronronando como uma gata com o cio, pedindo desesperadamente que te tome como meu objeto de luxuria e prazer…
“Senhor, use e abuse de mim!”
Nem imaginas como isso me satisfaz, sabendo “I not feeling Gentle Tonight….”

O Vizinho #69Letras