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Isto é um bocadinho de amor

Chovia lá fora copiosamente e eu entreguei me á escrita, nesta forma bendita, que tenho de colocar no papel tudo o que me vai na mente, e apeteceu me falar sobre o amor, sobre essa forma que a vida tão erudita, nos ensina que é fervor, abstracção do mundo, pairar no ar, sentir a dor, esmagar o peito em de agonia, quando pisamos areias movediças e caímos bem fundo, abrir as asas e voar, deixar o corpo cá em baixo e olhar de cima dos telhados a luz do dia, como uma águia que pelo olhar nos guia ou a coruja que pela luz da noite nos consola, quando o coração precisa mas não quer esmola, porque não autoriza que a mente se venda e suja. O amor essa forma mil vezes escrita e amada, outras tantas em palavras mil vezes odiada, paisagem de final de tarde quando o sol olha para nós entristecido por se ir embora, e o nosso coração chora, mas logo se levanta para esperar a madrugada de sorriso ao canto da boca, quando nos lençóis ainda quentes se sente o cheiro da presença que é sempre pouca, e pudera ficar ali gravada, e passamos a mão como se sentíssemos a pele naquele pedaço de pano, como se o tempo não fosse mais do que um engano, e a vida que de desenha num quadro pintado, numa mão a nossa lei e na outra a sua sentença, com a qual vivemos presentes num quadro assim lavrado. O amor, sentimento que nos faz levitar, poesia da vida e o corpo sussurrar, que precisa de amar, poder acordar, de mão dada, ansiedade de não ter tempo para nada, não apetecer dormir, apenas estar perto, sentir o corpo, os olhos, o calor das mãos por certo, numa dualidade em dois seres formada, em que mesmo a chuva lá fora e o céu encoberto, não nos incomoda porque tudo é tão certo, que pensamos ter descoberto o elixir da vida eterna, a fonte da felicidade, a nossa lingua materna, parar no tempo, não ter idade, porque amor não tem idade, nem é um passatempo de paixão, em que dois corpos se deitam mas não existe conexão, apenas vontades férreas passageiras em que se deleitam, para prazer com prazo marcado, sem sequer estar escrito no verbo estar, paixão de fuga ou paixão de gostar, não é amor eterno, não é o corpo que se enruga com o passar e ficar lá, amar mesmo assim, e tirar prazer de envelhecer sem olhar o futuro, mas lembrando o presente, olhar e ver sempre latente, o rosto de quem amamos, porque amor é isso mesmo, é mesmo na dor, quando o corpo doente, se desgasta e se sente mais ausente, exala palavras de sentido incoerente, balbucia mágoa, por sentir que está a partir e deixar para trás quem fica tal qual libelinha liberta na agua, pairando sem saber se partir ou pousar e deixar se ficar perdida morrendo devagar. Isto é um bocadinho de amor, apenas, na vastidão do que é a palavra amor.

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