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Quem sou eu?

Às vezes gostava de não ser eu.

Gostava de ser outra pessoa.

Gostava de ser uma desconhecida.

E, na verdade, às vezes sinto-me como uma desconhecida.

Não para os outros mas sim para mim.

Sinto que me conheço sem me conhecer.

Por vezes uma mudança é uma tentativa de ser outro alguém.

Uma simples maquilhagem, uma cor de cabelo diferente, um modo de vestir alterado.

Resulta, num espaço de tempo mínimo.

Queria que me olhassem e se perguntassem: de onde vem, que histórias traz, o que pensa, o que faz, porquê. Quem é ela?

Mas quem lhes poderia responder se nem eu própria sei quem sou?

Julgo que me conheço mas será que conheço mesmo?

Daí vem a necessidade de ser outra pessoa, de criar outra identidade.

Descobrir quem sou escondendo o meu verdadeiro eu.

Mas uma mudança não oculta o passado, não muda quem realmente somos e o que passámos.

Depois apercebo-me de que todos os dias sou uma desconhecida.

Todos os dias tenho uma nova identidade.

Rio e sorrio como se fosse a pessoa mais feliz à face da Terra mas o meu coração pode estar a sofrer.

Alego estar cansada quando o que quero mesmo é correr para longe de tudo e todos.

Um simples “está tudo bem” tem oculto um complicado “abraça-me e salva-me”.

Uma frase banal carrega o mais profundo silêncio.

O silêncio esconde as mais sinceras palavras.

Isto poderia fazer de mim uma pessoa falsa. Uma mentirosa.

Mas não faz.

Apenas faz de mim humana.

E por ser humana todos julgam conhecer-me.

Mas não me conhecem.

Como podem conhecer-me sem nem eu me conheço?

Afinal…quem sou eu?

 

© Fox 2017 #69Letras

Eu e o dinheiro não nos damos bem

Desisto! Há relações que por muito que nos esforcemos, não funcionam. Assim sou eu e o dinheiro!

Não dá! Nem pode! Não quando um de nós é egoísta e um invejoso da merd@, não é senhor “ausente da minha carteira” ?

Abandonas-me sempre quando vejo um par de brincos novos ou aquela mala, daquela cor que combina tão bem com aquele meu vestidinho, és um desertor pah!

Mal cumpres as tuas funções ao fim do mês! Nunca me levas a jantar quanto mais de ferias num paraíso qualquer longe daqui.

Isto não pode continuar assim! Dás cabo de mim assim pah! Permanece quentinho no lar da minha carteira.

O ideal era engordares até! Já ouviste falar no milagre da multiplicação?! Experimenta! Mas experimenta com muita força! Porque já não aguento as dores de costas e as queixas do trabalho!

Numa vida que não chega a netos vive-se a cultura do consumismo assoberbado sem limites. Parece que nos esquecemos do mais importante, do que marca de facto diferença nas nossas vidas…

As pessoas!

O que nos une, o que nos separa, o que nos move, o que nos distingue dos outros seres vivos.

Sentimentos! Emoções!

 

Porque é isso que nos vamos lembrar antes de morrer. Das pessoas que amamos, que nos amaram, que nos deram momentos de felicidade, de paixão, de prazer, alegria sem limites! 

 

©Miss Steel 69Letras 2017

Primeiro-ministro manda os portugueses imigrar

Desculpem-me lá mas eu vou ter que comentar uma notícia que acabei de ler. Qual é a ideia do senhor primeiro-ministro de mandar os portugueses emigrar? Estupidez? Só pode ser. É que nenhum primeiro-ministro devia de ter a infeliz ideia de mandar o próprio povo emigrar. Em primeiro lugar devia de querer era todos os portugueses em Portugal, já que é o “nosso” país. E em segundo lugar se não sabe dar conta do recado que faça lugar para quem sabe.

Eu sou sincera – não entendo nada de política. Mas uma coisa sei – sei que não se emigra só por um “político” dizer isso ao povo.

Não se emigra de um dia para o outro. Não se chega ao “destino” e lá está uma casa e um trabalho onde se ganha bem a esperar-nos. Não, o que espera os emigrantes é trabalho duro, infelicidade e muitas lágrimas. É preciso saber para onde se vai antes de ir para lá. É preciso ter a certeza que teremos um trabalho e dinheiro a cair todos os meses na nossa conta bancária. É preciso sofrer para viver.

Eu nunca tive a “sorte” de viver em Portugal, já que os meus pais emigraram a muitos anos. E sei o que lhes custa estar a viver na suíça e não em Portugal. Eles aqui não são felizes. Eles estão cá para poder proporcionar uma vida melhor aos filhos. Pode haver agora pessoas que pensem – ah aqueles estão na suíça, são ricos. – para essas pessoas tenho uma notícia bombástica: Não somos ricos! Nós – os meus pais já passaram grandes dificuldades aqui. Fartamo-nos de trabalhar para podermos ter dinheiro para ir visitar a família. Caiem lágrimas todas as vezes que temos de nós ir embora. É um aperto enorme no coração quando por telefone vamos sabendo o estado dos membros mais velhos da família. Não podemos sair de casa e ir lá ter, porque estamos a muitos quilômetros de distância das pessoas que gostamos. Das pessoas com quem os meus pais cresceram e viveram. Ta certo que aqui podemos comprar mais facilmente um bom par de tênis ou uma peça de roupa mais cara. Mas sabem uma coisa? Eu prefiro ser feliz do que andar com roupas de marca. Eu preferia poder ir todos os dias a praia do que comprar algo mais sofisticado.

Espero que entendam. Vida de emigrante não é fácil nem bonita.

?? © Peregrinus 2017 #69Letras

Dona e senhora de mim

Enquanto vejo a minha vida em slow motion, respiro e dou um tempo ao EU em mim.

Meu tempo, meu EU.

No meio de tantos outros EUs, estou eu de frente á passadeira da vida, à espera que o sinal verde me autorize a avançar.

Uns passam devagar sem influenciar o equilíbrio do meu EU mais frágil e sensível.

Outros aceleram agressivamente com as rodas por cima dos meus pés cansados de palmilhar quilómetros no deserto da vida, sempre com vista para o mar como quem atiça os sentidos.

Parada e imóvel, deixo-me ficar. Vendo os EUs  num delírio dos afazeres com prioridades desfasadas e contrárias às condições humanas. Tudo parece ganhar um relevo muito importante quando se trata de desejos e umbigos egocêntricos.

Eu prefiro parar. Olhar em redor e respirar cada essência de todos os EUs da minha vida e capturar no meu coração os que se fundem em mim. Aqueles que teimam em não largar o meu EU.

Os doces EUs da minha vida.

Há seres humanos que vêm a este mundo adocicar outros mundos cujos os quais se enquadram no meu. São EUs que num ápice passam a TEUs e no meu EU se ficam.  Seres demasiado raros e poucos numa vida tão preenchida.  Mas são meus e uma vez tatuados no meu EU,  jamais saem do meu tempo.

Impregnados na minha vida e subtilmente elevam o EU que por vezes nem eu própria o estimo.

Uns chamam de EGO e outros de mau feitio mas eu prefiro chamar

o EU do meu TEMPO.

 

©Miss Steel 69letras 2017 

 

 

Ele é apenas apaixonado por um amor que já sabe que existe.

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Nem sempre quando escrevo é sobre um rosto específico, na verdade foram vários os rostos que à sua maneira me marcaram e deixaram de si em mim. Então pego nos vários pedaços das várias paixões que guardadas, misturo-os como se pertencessem a uma só pessoa e é para este todo que escrevo. Um rosto que não existe composto por pessoas reais que não sendo perfeitas deram-me deliciosos momentos de felicidade e quando os junto, são eternos e perfeitos. Escrevo-os como se seguisse uma receita, 10gr de emoção, 100gr de abraços, uma pitada de sedução e levo ao forno a tesão e é assim que vou escrevendo pequenos textos.
Nem sempre quando escrevo estou apaixonada, acontece é que ja estive e da mesma forma que guardo tudo o que ja vi, faço o mesmo em relaçao a tudo o que já senti. E quando tenho vontade de puxar a caneta como quem puxa um cigarro deixo fluir a mescla de sentimentos através da tinta e escrevo curtas de paixão, desejo ou saudade!

?A Vizinha

Acho que lhe vou tirar a caneta das mãos

 

Lá está ela rodeada de pessoas, sentada numa mesa com uma vela acesa e copos vazios pelas bocas sedentas daquele bar, e ao lado dela, as colunas a rebentar nos seus ouvidos.
Lá está ela, unhas e cabelo arranjado, sentada na mesa, nos pés uns clássicos saltos altos pretos, e no seu corpo um belíssimo vestido preto de mangas transparentes e costas descobertas, e as pernas expostas impossíveis de não reparar.
Lá está ela no seu dialogo com o papel e a caneta a escrevinhar parvoíces, coisas com ou sem sentido, o que para ela não importa. O que ela gosta é de conversar consigo, com a sua mente de múltiplas personalidades, quereres e sentires, e confusão de pensamentos aleatórios que passam em rodapé em simultâneo.
Lá está aquela Loira, parece tão sossegada, tão bem comportadinha.. aaaah, mas não pode ser!
O que será que a faz levantar-se da cadeira e perder-se entre a multidão em danças ou conversas ocasionais? O que será que ela tanta escreve? Quererei eu ler?
Será que ela me notou? Me viu?
Bolas, parece tão compenetrada no que está a fazer…
Quem é ela? Como será a sua voz? Será meiga como aquele olhar que me seduz?
A vela arde e perante a sua luz os seus olhos e cabelos brilham, e ela, não tira os olhos do papel…
, puxá-la da cadeira e oferecer-lhe uma bebida….

© 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015


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Ela é aquela que esteja onde estiver está na realidade noutro local

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Podes encontrá-la numa esplanada a olhar o mar, num café com as amigas, às compras num Shopping, numa discoteca a dançar no meio da pista, na bilheteira de cinema entusiasmada para assistir à estreia daquele filme, a rir como uma louca com os seus amigos loucos.
Ela pode frequentar infinitos espaços diferentes, mas a sua cabeça está sempre no mesmo lugar – no mundo dela.
Repara como ela dança no meio da pista, para quem se destina aquele olhar cheio de tudo? Para quem sorri ela, enquanto o seu corpo ondula naquele oceano de sons?
Rodeada de pessoas, ela distância-se do que pode ver, cheirar, tocar naquele instante, mas não, ela perde-se no seu mundo, e é lá que tenta encontrar algo, não te sei dizer o que é e aposto que nem ela o sabe.
Repara como ela se distância da companhia das amigas naquela esplanada. Sim, ela está ali, sorri, brinca, diz piadas, partilha histórias, mas agora olha com atenção. Ignora as gargalhadas ou o quão é comunicativa, até onde vai e alcança aquele olhar?
Vê como o olhar dela, despreza as imagens que estão à sua frente e as contorna para então se perder e regressar ao seu mundo.
Sim, ela sou eu.

 

AVizinha