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Quem sou eu?

Às vezes gostava de não ser eu.

Gostava de ser outra pessoa.

Gostava de ser uma desconhecida.

E, na verdade, às vezes sinto-me como uma desconhecida.

Não para os outros mas sim para mim.

Sinto que me conheço sem me conhecer.

Por vezes uma mudança é uma tentativa de ser outro alguém.

Uma simples maquilhagem, uma cor de cabelo diferente, um modo de vestir alterado.

Resulta, num espaço de tempo mínimo.

Queria que me olhassem e se perguntassem: de onde vem, que histórias traz, o que pensa, o que faz, porquê. Quem é ela?

Mas quem lhes poderia responder se nem eu própria sei quem sou?

Julgo que me conheço mas será que conheço mesmo?

Daí vem a necessidade de ser outra pessoa, de criar outra identidade.

Descobrir quem sou escondendo o meu verdadeiro eu.

Mas uma mudança não oculta o passado, não muda quem realmente somos e o que passámos.

Depois apercebo-me de que todos os dias sou uma desconhecida.

Todos os dias tenho uma nova identidade.

Rio e sorrio como se fosse a pessoa mais feliz à face da Terra mas o meu coração pode estar a sofrer.

Alego estar cansada quando o que quero mesmo é correr para longe de tudo e todos.

Um simples “está tudo bem” tem oculto um complicado “abraça-me e salva-me”.

Uma frase banal carrega o mais profundo silêncio.

O silêncio esconde as mais sinceras palavras.

Isto poderia fazer de mim uma pessoa falsa. Uma mentirosa.

Mas não faz.

Apenas faz de mim humana.

E por ser humana todos julgam conhecer-me.

Mas não me conhecem.

Como podem conhecer-me sem nem eu me conheço?

Afinal…quem sou eu?

 

© Fox 2017 #69Letras

Amo-te Por Todas as Razões e Mais Uma

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Fotografia: Via Pinterest

 

Por todas as razões e mais uma. Esta é a resposta que costumo dar-te quando me perguntas por que razão te amo. Porque nunca existe apenas uma razão para amar alguém. Porque não pode haver nem há só uma razão para te amar.
Amo-te porque me fascinas e porque me libertas e porque fazes sentir-me bem. E porque me surpreendes e porque me sufocas e porque enches a minha alma de mar e o meu espírito de sol e o meu corpo de fadiga. E porque me confundes e porque me enfureces e porque me iluminas e porque me deslumbras.
Amo-te porque quero amar-te e porque tenho necessidade de te amar e porque amar-te é uma aventura. Amo-te porque sim mas também porque não e, quem sabe, porque talvez. E por todas as razões que sei e pelas que não sei e por aquelas que nunca virei a conhecer. E porque te conheço e porque me conheço. E porque te adivinho. Estas são todas as razões.
Mas há mais uma: porque não pode existir outra como tu.

Joaquim Pessoa, in ‘Ano Comum’

Se me tocares na alma vais mudar de opinião!

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Agressiva? Eu? Fria? Eu?
O autor desta pergunta teve a infelicidade de não ter tocado a minha alma.
Agressiva? Eu? Fria? Eu?
Eu que tenho doçura no olhar, esperança no sorriso e as emoções a passear-me na pele? Ultraje!
O que acontece, é que para cada pessoa, existe uma reação.
Toca-me a alma e partilharei este amor que carrego também contigo, passa-me ao lado e conhecerás a frieza das minhas palavras, tão simples.
Tanto virtualmente como fisicamente as almas procuram-se e encontram-se. E o que não compreendes é isto.
Não se trata de conhecer o presente, os sonhos ou o passado de alguém para que criar afinidade… comigo, trata-se pelo encontro da alma.
Ela ou te encontra e reconhece. Ou não. E quando não acontece, não vou contra isso, e tanto não vou, que me achas uma mulher rude, presunçosa, cheia de manias porque não te ligo nenhuma.
O amor que tenho dentro de mim, é para quem me toca.

Sou uma pessoa e não posso sentir?

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A alma parte, o coração deixa de bater e o corpo esfria, e o teu coração fica vazio.
E tu, és obrigada a partir também, seguir em frente ‘dizem’. Mas seguir para onde?
De repente, tu tens de fingir que não é nada contigo e a encarar a morte de quem sempre ocupou o teu peito como algo banal. Natural! Porque a vida continua ‘dizem’ eles. Continua para onde?
De repente, chorar, pensar nele, não faz sentido, não o deves fazer, porque sofres, ‘dizem’…
O quê? Não posso chorar a partida do meu amor?
Não posso falar dele? Não posso reviver o passado, umas, duas, infinitas vezes porque me faz mal e tenho de seguir em frente?

Espera!
Sou uma pessoa e não posso sentir?

Não posso chorar, espernear, desesperar, sonhar, questionar e gritar a dor que tenho dentro do peito? Dor que se vê no olhar e na ausência do sorriso?
Um dia… ele já não vai estar em mim… ou tão em mim.
Hoje ele está e eu vou chorar, sentir e sofrer a sua partida.
Eu quero sentir. Quero!
Quero sofrer. Chorar. Reviver…. simples acções que me fazem senti-lo por perto…
Seguirei em frente quando me quiser soltar…. mas não é hoje, ou amanhã!
Não abro mão de o deixar de sentir…

© Cátia Teixeira 69 Letras 2015