Arquivo de etiquetas: paz

Abraça-me

Abraça-me.
Envolve-me nos teus braços,
Nesse abrigo de paz.
Aconchega-me no teu peito
Junto ao calor do teu coração.
Protege-me nas tuas mãos,
Amparo das minhas quedas.
Carrega-me nos teus ombros
Nos dias em que a força se extingue.
Aquece-me no teu ser,
Nesse teu fogo que arde sem se ver.

© Fox 2017 #69Letras

 


Coloca-te no centro do Teu Universo

Há aqueles momentos que te invadem
tal é a sua magnitude e grandeza
colocando-te num estado curioso
e sedento de mais,
onde queres tatear a novidade e
aprofundar tudo o que sentiste
levando contigo essa nova energia,
absorvendo-a e pairar
naquele estado de nirvana
que só o genuíno te consegue dar…
És pequeno,
e neste Universo,
nem no centro estás,
porque te perdes nos dias corridos
onde não tens tempo de respirar…
sufocas.
Não vês saída,
olhas à tua volta e todos parecem ocupados,
mas tantos como tu buscam algo mais,
qualquer coisa que os liberte e
ajude a aliviar o peso nos ombros,
a taquicardia da ansiedade,
ou as noites agitadas
a sonhar com tudo e com nada.
É então,
que levas com o choque:
está tudo nas tuas mãos.
Sempre tiveste o poder de te centrar,
apenas não páras para sentir o teu respirar.
A chave está no presente,
neste espaço de tempo desvalorizado
onde cada pensamento e caminhada na rua
é em direção ao futuro
e perdemos a conexão com o agora,
com o piso,
os cheiros,
os sonhos que nos levam ao destino.
Estas tomadas de consciência são importantes,
levar-nos-ão ao futuro,
com mais saúde e menos desgaste,
e falando por mim…
talvez o primeiro passo a dar,
seja aprender a inspirar as boas energias
e a expirar a carga negativa
que as nuvens que passam,
deixam em mim
© Cátia Teixeira, A Vizinha 2017

E se a chave está em fazeres por ti investindo em ti.

Visita a loja www.aubaci.com/69letras e dá um toque final à  tua sensualidade com a qualidade e elegância das nossas lingeries!
Obtém 10% de desconto com o teu cartão cliente 69 Letras. 

Ontem foi dia Mundial da Paz

Dia Mundial da paz e longe daqueles braços que são o meu lar onde vivo com a sensação plena de que tudo está bem. O único local onde tenho a mente limpa e sã, e o coração por fim, harmonioso como se andasse à deriva num sossegado lago.

Dia da paz e eu num desassossego constante. Na minha pele já não sinto o teu cheiro e a inquietude invade-me de saudades tuas. A vida é tanta coisa, são milhentos os sinônimos de felicidade e de infelicidade, mas aqui, claramente que o meu sinônimo se destaca, e és tu a minha alegria, a minha paz e quietude.
Todos os pensamentos me levam ao tempo inerte que passamos deitados lado a lado, na cama, no chão ou em qualquer lado. Onde na imensidão tranquila da alma nos perdemos e deambulamos com um pé nos sonhos e outro acordados, e o que mais se destaca é os teus olhos castanhos que sorriem de candura onde te leio preenchido pela mesma paz que sinto. Estas noites longe de ti são longas onde dormito e faço companhia ao relógio de hora a hora e acordo num sobressalto sem o teu abraço que silencia as perturbações da minha mente.
Vem de uma vez , vamos  viver e celebrar todos os dias a paz em total harmonia com o interior… um com o outro, um no outro.
A VIZINHA #69LETRAS

Sinto falta de nós.

13102703_1693695960876134_4417322469474021100_n

Estaria a mentir se dissesse que não sinto mais a tua falta, mesmo depois de ter desistido de ti, sim eu desisti mesmo de ti, eu não te quero de volta, nem quero voltar para ti, ou até mesmo fazer parte do teu mundo, mas sinto a tua falta, sim, sinto mesmo, morro de saudades tuas, sinto falta do equilibro que me trazias, da paz, da tranquilidade.


A minha vida podia estar um caos, mas tinha-te a ti e esquecia tudo, era feliz, sentia-me completo.


Hoje a minha vida está um caos, estou chateado com o mundo, comigo, com o que me rodeia, sinto-me frustrado e sinto-me incompleto.
Sinto falta da forma como me acalmavas. Sinto falta até do teu simples respirar.


Sinto falta de ti.. Sinto falta de mim, contigo. Sinto falta de nós.


Sinto falta do que um dia fomos.

SilentSoul #69Letras

A Alma Gémea – Por Miguel Esteves Cardoso

 

A Alma Gémea

c9a1cf45b19d0da618e70f57a670c627
Nenhum sonho custa tanto a abandonar como o sonho de ter uma alma gémea, nem que seja noutro canto do mundo, uma alma tão perto da nossa como a vida. O que é a alma? É o que resta depois de tudo o que fizemos e dissemos. Podemos traí-la e contrariá-la, mesmo sem saber, porque nunca podemos conhecê-la. Só através duma alma gémea. Fácil dizer. Agora como é que consigo falar?
As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas que reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde nunca tínhamos conseguido voltar.O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indecifráveis da nossa existência. Não muda, não se mostra, não se dá a conhecer. O coração ama. Mas é na alma que o amor mora. Todos os amores. Toda a vida.
A alma deixa o coração à solta, como tonto que ele é, e despreocupa-se e desprende-se do corpo, porque tem mais que fazer. E o que faz a alma? Mandar escondidamente na parte da nossa vida que não tem expressão material ou física. Está mal dito, mas está certo, porque estas coisas não se podem sequer dizer.O quem e o quê não lhe interessam. A alma não deseja, não tem saudades, não sofre nem se ri; a alma decide o que o coração e a razão podem decidir. A alma não é uma essência ou um espírito; é a fonte, o repositório, a configuração interior. Expressões horríveis, onde as palavras escorregam para se encontrarem. Só resta repetir. A alma é de tal maneira que é aquilo, exatamente, de que não se pode falar.
A não ser que se encontre uma alma gémea. Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção.

(…) O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É poder descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela. Os melhores ainda são aqueles que a deixam a Deus.
Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. Ou seja: é a prova de que a alma existe. Não faz nem diz o mesmo que fazemos e dizemos — mas tem uma forma de fazer e dizer tão parecida com a nossa, que deixa de interessar o que é dito e feito. Uma alma gémea faz curto-circuito com os fusíveis corpo/coração/razão. Não é o «quê» — é o «porquê». O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o «não ser preciso falar» – é outra forma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser.

Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. O coração pára de bater. A existência é interrompida. No abraço do irmão, do amigo, da amante, há sensação, do corpo, do tempo, do coração. Há sempre a noção dum gesto posterior. No abraço de duas almas gémeas, mesmo quando se amam, o abraço parece o fim. Uma pessoa sente-se, ao mesmo tempo, protegida e protectora. E a paz é inteira – nenhum outro gesto, nenhuma outra palavra, é precisa para a completar. Pode passar a vida toda. Não importa.

Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença.

Miguel Esteves Cardoso

Fotografia: Via Pinterest

Podes ir

Podes ir, já te ajeitei o caminho, das pedras que transformei em flores, não precisas o olho franzir porque no teu passo devagarinho o que te cruzas não são amores senão as pedras do caminho que afasto do teu sorrir. Podes ir, já te ajeitei o banho para quando chegares, cansada dos lugares eu numa esponja te acompanho regar te de um sossego tamanho, num gesto em que ao colo te pego para te por a descansar. Podes ir, já preparei o roupão, regulei no teu canal a televisão, aconchego o teu corpo de pirilampo na minha mão fico a teu lado a ver te bela adormecida no campo a dormir e sinto me em paz nessa tranquilidade que a tua presença me traz adormecida a sorrir.

O Inquilino #69Letras

Nunca serei quem tu queres que seja…

Nunca serei quem tu queres que seja,
serei o teu artista de artes circenses,
serei o teu amante de lua cheia sem que o céu se veja,
serei neblina obscura em noites parisienses.
Nunca serei teu poeta nem cantor de desamor,
serei teu peito em dias de sol escondido,
serei tua folha na paisagem sem vida e cor,
serei o sexo fugaz em pensamento foragido.
Nunca serei arlequim em carnaval venesiano,
serei teu sangue, teu rubor na face quando te sentes abraçada,
serei teu amigo, tua lágrima em mundo de desengano,
serei teu fundo mais escondido em tua alma apagada.
Nunca serei o teu campo de verdes prados semeados,
serei a labareda que na lareira acesa te aquece,
serei beijos de gentileza em teus gestos envergonhados,
ou o gato que se passeia em teu regaço e te adormece.
Nunca serei o clarear do teu dia, ou até o sol despontando em tua janela,
serei a abertura que espreitas para ver se o mundo não parou,
serei o esconderijo dos segredos que teus lábios silenciou em boca singela,
serei o incenso da tua amargura em copos de vinho que o tempo entornou.
Nunca serei quem tu queres que te veja,
serei menos além do que o que está humanamente visível,
serei o teu quarto secreto, folhas rasgadas e tetos em que teu corpo fraqueja,
serei tua entrada na tua parte de mulher, em teu vale de pernas sensivel.
Nunca serei o teu cheiro a passado,
serei teu sabor amargo de boca vadia em meu corpo estremecido,
serei teu amor, teu sonho ou pesadelo de sono trocado,
serei tua paz, teus olhos, teu corpo húmido em colchão estendido.
Nunca serei quem tu queres que seja por ti,
serei sempre eu, estranho desconhecido, mudo, palavra de tua boca calada,
Serei sempre o mundo que esperas que te arrebate e te leve daqui,
serei no fundo, o cume da montanha, onde vivemos os dois numa cabana abandonada.
Nunca serei palavras que queres ouvir,
serei teu ouvido sensibilizado pelo som da natureza,
serei teus poemas que escondes em caixas por abrir,
serei meu corpo no teu, em noites de sabor a sentida certeza.
Nunca serei quem tu queres que seja…