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A noite é testemunha da dor

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A noite é testemunha da dor que carrego no peito,
da vontade de ser feliz e não conseguir,
das tentativas frustradas de agradar os outros,
de querer vencer e sair sempre perdedor.

A noite observa em silêncio a solidão
que é presença activa nos meus dias.
Conta as lágrimas que fluem dos meus olhos,
frutos do terror de pressentir mais um amanhã,
igual a tantos outros.

Sinto-me um inútil, perdido, injustiçado,
sem esperança de um destino melhor.
No meu peito restam as cinzas
de uma chama que em tempos ardeu,
quando eu era feliz.

ZEUS

O velho dia se foi… novo diachegou

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Mais um dia que passou,
Mais um dia que o sol se pôs,
E a esta rotina junto outro evento.
Hoje foi mais um dia em que só pensei em ti.

Sem perguntas, sobes também…

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Segues-me em silêncio intrigado pela minha escolha.
Alcanço as escadas de serviço deixando o elevador para trás… os meus saltos ecoam pelo prédio em passos apressados enquanto as subo.
Sem perguntas, sobes também…
Enquanto sobes as escadas revelo-te as minhas intenções através de pistas largadas pelo chão.
Primeiro encontraste o cachecol no corrimão que já me asfixiava, seguiu-se o casaco pesado para dias de inverno como os de ontem, o vestido que elogiaste no restaurante, uma meia, e depois a outra, encontras o soutien e por fim as cuecas…
Os teus olhos alcançam-me no cimo do lance de escadas, e estancas a contemplar as minhas curvas expostas para ti. Juro que senti o teu toque através do olhar.
Os teus olhos devoram-me, dos saltos ao cabelo, parando, nas minhas coxas e no ventre, provoco-te e rodo para ti para que vejas tudo o que vais ter essa noite… sobes as escadas sem pressa.
Anseio-te.
Aproximas-te de mim, e seguras-me nos cabelos e prometes-me fazer tua essa noite.

Desejo tão urgente que não precisa de apresentações.

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Hoje as mãos rejeitam a caneta, o papel não acolhe as palavras e tu penetras-me na mente e impedes-me de cuspir o turbilhão de emoções com que me invades sem permissão a altas horas da noite.
Tento-me concentrar nas palavras que trocámos hoje, mas foi mesmo sobre o quê?
Apenas me recordo do movimento dos teus lábios e de me perder no teu rosto enquanto dentro de mim combatia a vontade de te encurralar contra a parede e descobrir na tua boca o quanto me queres.
Não preciso de dizer o que quero, a minha voz treme, abandona-me, diz-te tudo o que precisas saber.
Já perdi a conta das vezes que passei a mão no cabelo, fechei os olhos e desejei ter-te a respirar no meu pescoço… desperto para a realidade e só o ar me rodeia.
Quero-te.
Desejo-te.
Desejo tão urgente que não precisa de apresentações.
Deixemos a biografia para outra ocasião, o meu alvo, está no que o teu olhar anunciou, bem debaixo dessas roupas, deixemos as formalidades e vamos alimentar estes dois predadores com apetites irracionais, não convencionais.

Estou a chegar. Prepara-te. Porque esta noite quero-te amar!

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Gostar de ler? Segue-nos.

Estás em casa? Ótimo, estou a caminho.
Põe a música a tocar, acende as velas, encomenda o jantar, abre a garrafa de vinho e deixa-o abrir-se para o nosso paladar.
Recebe-me de calças de ganga e camisa com os botões desapertados e cabelo desalinhado.
Não percas tempo, despacha-te porque estou a chegar.
Quando chegar, dispenso o ‘olá tudo bem’ ou qualquer outro diálogo.
Quando chegar vou despir-me enquanto a música toca e tu observas-me do sofá. Servirei duas taças de vinho. Uma para ti e outra para mim enquanto brinco com as curvas do meu corpo e desfilo para ti.
Depois, tu vens dançar bem coladinho ao meu corpo já só em lingerie, em cima dos saltos altos do tom que me adoras ver. Vermelho.
Vou fechar os olhos com a cabeça no teu peito, e ali, naquele espaço só o meu corpo estará nas tuas mãos, porque a alma, ela estará algures difundida na melodia que toca no ar…
O toque da campainha vai anunciar o jantar e será mesmo no chão que vamos comer.
Comer o jantar, e devorar a pele um do outro com o olhar. As palavras estão proibidas, podemos por hoje ter o direito de não falar? Só quero quero escutar o som da felicidade no ar…
Estou a chegar.
Prepara-te.
Porque esta noite quero-te amar!

Hoje é dia do segundo encontro.

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Encontro dividido por capítulos, cautelosamente adivinhado.
Ainda tenho o primeiro encontro a respirar na minha pele, naquela noite, só me dei conta da loucura que estava prestes a acontecer quando desliguei o carro. O corpo atraiçoou-me, as pernas tremiam, o coração estava louco, o meu estômago revolvia-se, a minha pele suava mas mesmo assim prossegui com o combinado.
A porta aberta tal como havíamos combinado, o quarto a meia luz, o meu corpo vestido de lingerie bordeaux a condizer com a venda estendida sobre a cama.
De frente para a porta de saída, com a gabardine já despida, surges atrás de mim vindo não sei de onde escondes o meu olhar o teu rosto como planeado.
Os teus passos espalharam-se pelo quarto e trouxeram melodia ao nosso cenário.
Sinto calor perto de mim, estás à minha frente, puxas-me para ti e danço com este desconhecido que ainda não tem rosto.
Proposta indecente, perigosa que me fez ser inconsequente e aceitar viver esta loucura.
Naquela dança, descobri que a tua barba estava por desfazer, o teu cheiro era lascivo, e o teu toque intenso.
Oiço-te a encher um copo de espumante, que só o adivinhei quando me ajudaste a saborear a bebida… circulas à minha volta e detens-te a cheirar os meus cabelos loiros enquanto dou golos de espumante na tentativa de minimizar o nervo, e a ansiedade do que se seguiria…
Na cama, após a tua ordem, as tuas mãos percorreram a minha pele como se eu fosse uma obra de arte. Sem pressa e com intensidade, viajaste pelos meus contornos e agitaste a maré sanguínea que se esconde debaixo da minha pele branca… a tua boca acordou cada poro da minha pele e as tuas mãos confundiam cada sensação que me despertavas.
Naquela altura lembro-me do calor que me saia entre as pernas, provavelmente as minhas fases já estariam rosadas de desejo… lembro-me de me teres dito ao ouvido o quanto me desejas, e depois seguiu-se aquele beijo que me trespassou o corpo como uma corrente eléctrica… no chão os teus passos afastam-se e fechas a porta.
Tiro a venda, e tal como combinado o primeiro encontro da-se por encerrado, e eu fiquei sozinha naquele quarto com o peito a expandir-se pele respiração acelerada.
Hoje, é o 2º capitulo, e mal posso esperar.

Despe-me. Despe-te

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Vem depressa.
Carrega-me nos teus braços e deita-me na nossa cama.
Despe-me. Despe-te.
Tal como as nuvens quando tapam o sol, cobre a minha pele clara com o teu corpo vindo da noite.
Cobre-me com a tua cor e absorve o calor da minha pele, deixa-me cuspir este fogo que apenas a ti pertence.
Liberta as tuas mãos predadoras na minha pele e marca-a com o desejo que te provoco.
Descontrola-te e envolve este corpo com a tua loucura e torna-o o teu cálice de cristal.
Eleva-me aos teus lábios, prova-me e vê como te cresce água na boca.
Segura o meu rosto com as tuas grandes mãos e leva o meu olhar ao teu. Com os teus olhos nos meus, viola-me a alma e toma-a para ti.
Aprisiona-a.
Eternamente.
Ergue-me com as tuas maos gentis e leva os meus joelhos ao chão apenas com o comando do teu olhar.
Vem depressa.