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Cenário para hoje…

 

Hoje o cenário será este.
Imagino-nos de pé, a expor a nossa nudez à cidade através da enorme janela da sala.
Vejo a nossa pele, tatuada pelo reflexo das gotas da chuva a escorrer no vidro acompanhando as linhas do corpo.
Hoje e para já, só quero contemplar o mundo lá fora e o templo que vestes. Para já não quero o teu desejo dentro de mim ( para já ).
Hoje quero o silêncio da voz e o diálogo do olhar.
Hoje, quero o erotismo de dois corpos despidos sob a luz cinzenta deste dia.
Hoje, quero o teu abraço a surgir por trás do meu corpo nú e ser penetrada pelo teu toque.
Hoje, só beijamos a pele e amanhã os lábios.

Hoje quero que as nossas almas se encontrem e se fod@m no meio da sala enquanto os nossos corpos estão sentados no sofá a beber um bom vinho.
Hoje, será assim!

© A Vizinha  69 Letras 2015

Gélido coração que pela espera anseia.

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Gélido coração que pela espera anseia. Na inquietude da incerteza meu pensamento vagueia, como se o que se toma entre vales perdidos, não mais volta de coração pleno. Quando o mundo se funde no infinito e o mar acaba, pelo teu abraço e teus beijos, deitado no batel da vida, formo poemas em forma de esperança.
Que um dia unidos, e no meu leito te tome, meu gélido coração, se derreta e no vermelho do calor, te tome como certa.
O Inquilino

?A vizinha #69Letras

Amo-te como se ama a primavera

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O mundo flui quando me escreves. Desenvolta a paixão que do meu coração brota, como se de uma amalgama de destroços, os reconstruisses fazendo a mais bela essência que me nutre o viver.
Tu és as Rosas que pululam livremente entre Narcisos e Jasmim num jardim oriental que para lá do sol posto, nascem da terra fértil que te faz viver para mim.
Contigo o tempo pára para escutar o meu coração batendo apressadamente na vontade de te querer.
Não consigo imaginar sem te ter, porque simplesmente os cactos floridos num deserto que mais deserto que seja obedece á mãe natureza numa benção ao sol que nele se insere, e mesmo na ausência o sol está sempre presente.
Quando te conheci, não imaginava quanta beleza contens em teu corpo esguio de dançarina esvoaçante que me atordoa o pensamento e a imaginação.
O mundo é grande infelizmente, porque te queria perto, não perto em pensamento porque isso tu estás sempre, mas perto em corpo, para fazer de ti a árvore da vida que brotando em magotes me encheria de amor.
Quando calcorreias a rua nesse teu passo apressado, as pedras pedem desculpa por ter a gentileza e a magnificência de poderem beijar teus pés.
Quando caminhas deixas teu cheiro no ar, curvando arbustos e flores que coram de vergonha perante a tua ágil e forte certeza de seres mais bela que elas.
Tu és o mundo que gira intensamente e dá corda aos relógios da torre mais alta, entre sinos anunciando a tua chegada.
Teus olhos são a virtude de viver e através deles fotografas cada momento de memórias soltas que passeias livremente pelos olhos de outros , como se filmasses tudo em teu redor e focasses a vida de seres quem és.
Olhos diáfanos como se todos ficassem cegos e se sentissem menos seres ao olhar-te de frente, porque a luz que deles irradias reflecte o estado da alma que purifica o negro da vida.
As tuas mãos soltas caminham entre o vento, brincando na forma de transformar a rebeldia do mesmo e formando palavras entre os dedos esguios, numa escrita de pena arcaica num livro agitado pelas folhas soltas da lombada.
Teu corpo é uma flor, aberta colorida, num arco iris multifacetado sendo que das sete cores crias um pantone de cores multiplas, fazendo redopios de primavera em tudo o que é espaço.
Amo-te como se ama a primavera perpétuamente, e nesse imaginário todo, quando me deito, deito contigo e fico a sonhar de olhos abertos á espera que me dês a mão e sossegues o desassossego que me assola a mente.

O Inquilino

?A vizinha #69Letras

Não te largo de mim, por ninguém. Ou nós, ou nada.

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Fotografia: Via Pinterest

Este ano experimentei a dor de perder parte de mim, parte escondida e suprimida. Foi quando perdi o meu grande amor que soube que a minha felicidade me tinha sido levada!
Dizem que o tenho de esquecer… Engano teu que o afirmas.
Vou continuar a amá-lo pelos cantos das noites, nos meus passeios solitários onde te dou a mão nas sombras que se cruzam comigo, nas viagens de carro onde canto para ti, onde sorrio pela memoria de quando espreitava pelo canto do olho e te via a torcer o nariz pela minha falta de talento vocal…
Já tinha aprendido a lidar com a tua ausência, agora vou aprender a aceitar que já não enches este mundo com o teu sorriso.
Partiste fisicamente, mas ficaste no meu peito.
O buraco que tenho no peito, não vai passar por te esquecer, mas sim por te aceitar em mim, permitir-me continuar a viver contigo, ausente mas sempre ao meu lado.
Quando voltar a gostar de alguém, vou amar essa pessoa contigo do meu lado.
Não existo apenas eu.
Existirei eu e tu… e mais alguém, talvez um coração aventureiro com a bravura de um cavaleiro.
Não tenho coragem de te deixar, nem libertar o meu peito, dizem que me maltrataste e que por isso não mereces o lugar que ocupas, até pode ser verdade, mas eu gosto de gostar de ti, desta forma sem explicação, desta forma em que a razão é sã, mas o coração é louco por ti.
Quem vier, terá de me partilhar contigo sempre presente atrás do meu olhar, escondido em cada sorriso.
Não te largo de mim, por ninguém. Ou nós, ou nada.
Esta é a promessa que te faço no silêncio da voz, mas no compromisso desta palavras sobre nós, que partilho com o mundo!

?A vizinha #69Letras

as horas transformaram-se em minutos

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Troçamos do tempo!
Juntos transformamos horas em minutos com conversa que fluía quase por si só.
A conversa desenrolou-se como um novelo se desenrola quando cai ao chão e é caçado pelo traquinas do gato que puxa e puxa, decompondo aquele mundo de lã, e assim foi a nossa conversa.
Lá fora, o tempo exibe a sua rebelião. Nunca tinha visto o vento com tanto fôlego e empenho a despir e expor a nudez das árvores. As folhas voavam beijadas pela chuva e espalhavam-se por todo o lado húmidas pelo toque das gotas.
O mundo seguia o seu curso, mas a nós, apenas nos interessava aquele instante.
Partilhei
Despi-me
Ouviste
E seguras-te as minhas roupas como se peças raras se tratassem.
Lá fora o inverno imperava, lá dentro contrariamos a natureza e no nosso espaço cheirava a primavera.
Partilhamos sorrisos felizes como o chilrear de jovens passarinhos, o calor confortante dos primeiros raios de sol da primavera, as cores doces e claras no tom com que as nossas almas se entendiam.
Ali era primavera. Lá fora o mundo revoltava-se contra a indiferença com que o tratamos, e assim, as horas transformaram-se em minutos.

?A vizinha #69Letras