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A nossa cama não é mais a mesma.

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Nos seus tempos de glória, atraía-me sempre que a fisgava pelo canto do olho.
Seduzida por ela, atirava-me para o colchão e desafiava-te a amares-me novamente.
A nossa cama escolhida com tanto desejo revelou-se cúmplice do encaixe perfeito dos nossos corpos, os lençóis cheiravam à nossa paixão e foi neste colchão que por tantas horas as nossas almas deram as mãos e comunicaram no silêncio dos corpos cansados.
Desde que partiste, a nossa cama nunca mais foi a mesma. Também ela me abandonou.
A cada dia que passa torna-se maior, já não me embala nem me seduz.
Sou engolida pelos lençóis no vazio da cama, o frio impera e o meu corpo encolhe cada vez mais pela falta do teu abraço.
Outrora esta cama foi palco do nosso amor, hoje, já nem ela sabe o que isso é.

Desejo tão urgente que não precisa de apresentações.

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Hoje as mãos rejeitam a caneta, o papel não acolhe as palavras e tu penetras-me na mente e impedes-me de cuspir o turbilhão de emoções com que me invades sem permissão a altas horas da noite.
Tento-me concentrar nas palavras que trocámos hoje, mas foi mesmo sobre o quê?
Apenas me recordo do movimento dos teus lábios e de me perder no teu rosto enquanto dentro de mim combatia a vontade de te encurralar contra a parede e descobrir na tua boca o quanto me queres.
Não preciso de dizer o que quero, a minha voz treme, abandona-me, diz-te tudo o que precisas saber.
Já perdi a conta das vezes que passei a mão no cabelo, fechei os olhos e desejei ter-te a respirar no meu pescoço… desperto para a realidade e só o ar me rodeia.
Quero-te.
Desejo-te.
Desejo tão urgente que não precisa de apresentações.
Deixemos a biografia para outra ocasião, o meu alvo, está no que o teu olhar anunciou, bem debaixo dessas roupas, deixemos as formalidades e vamos alimentar estes dois predadores com apetites irracionais, não convencionais.

Gosto de escrever e de me inventar no papel.

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O que sou, quem sou, poucos o sabem e confesso nem eu mesma o saber.
O que sei, é que dentro de mim existe um mundo ilimitado de personalidades e de quereres.
Não sei o que quero ou quem sou.
Enquanto não o sei, sou tudo o que escrevo e tenho tudo o que invento.
Quando me apetece, posso ser uma mulher apaixonada. Esta mulher é amável, atenciosa, presente, prepara pic-nics, veste cores claras e acredita no amor para toda a vida. Ela espera pacientemente pela chegada do seu principe, e até posso imaginar esse momento. Ele surge diante de si entre a multidão a sorrir como se ela fosse o tesouro mais raro do mundo, e num abraço ela tem a certeza que é o seu mais que tudo.
Outras vezes,
Posso ser uma conquistadora mortal, onde a minha mente instiga e prende, e no meu corpo corre o sangue de Vênus que leva à loucura os homens que tropeçam nos meus saltos. Esta mulher sente cada noite de paixão que vive. Noites de verão eternas na memória de quem esbarra com ela.
Quando escrevo, tanto um amor para toda a vida ou noites num quarto de hotel enchem-me o peito.
A liberdade que a minha caneta me dá é momentânea, mas enquanto não me descubro, esta realidade traz brilho ao meu olhar.
O que eu hoje não sei de mim, descobrirei, amanhã.
Até lá,
Vivo o que escrevo. Risco e apago o que escrevo. Escrevo e vivo. Vivo e apago ou risco por cima.
A liberdade deste corpo e desta mente pertence-Me e os rabiscos da minha vida são o alimento de tudo o que escrevo.

Meu Deus, juro que nem sou religioso, mas puseste bem os olhos no brilho desta mulher??

Sinto-me vivo.

Eu que tinha jurado a mim mesmo não deixar mais ninguém entrar pela minha vida dentro.
Enquanto esperava por ti não fazia ideia no que me estava a meter, no furacão que aí vinha.

Meu Deus, eu que nem sou religioso, puseste bem os olhos nela?

Ao tempo que a minha alma não olhava para ninguém com tanto encanto, pensei até que me tivesse abandonado.

Meu Deus, juro que nem sou religioso, mas puseste bem os olhos no brilho desta mulher??

Perdi-me no seu sorriso… Voltei a mim na suavidade da sua pele morena.
Ainda estou meio tolo…

Perdi-me no tempo ontem, por favor deixem-me estar!

KingOfMysteries #69Letras