Arquivo de etiquetas: mortal #69Letras

Não sei o que quero de ti.

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Não sei o que quero de ti.
Talvez queira o mesmo que tu, mas afinal o que queres tu de mim?
Provavelmente queremos tudo e com um pouco de sorte venhamos a ter nada.
Apenas sei que basta o teu olhar para os preliminares começarem…
O que sentes quando eu te olho?
O teu olhar despe-me, aumenta a temperatura do corpo e faz-me querer pecar contigo em mil e uma formas diferentes. A tua voz acompanhada pela dança dos teus lábios faz-me engolir em seco e querer-te com a máxima urgência a gemer aos meus ouvidos, e ainda não me tocaste.
É bom que, quando nos descubramos tu, deixes de me atrair, porque desconfio seres a tentação que me poderá levar ao purgatório e condenar-me só às memórias.
Por isso, quanto ao teu toque só posso esperar que as tuas mãos não falem a linguagem do meu corpo e que o teu beijo não me trespasse e apenas o sinta nos lábios… para que quando voltares a questionar, o que quero de ti, possa responder ‘Nada’.

Filho de Medusa. Coração de pedra.

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Residiu em mim um amor que me elevou aos céus era eu filha de Vénus e tu o meu pecado mortal.
No segundo em que te comecei a amar minha casa se dividiu, meus pés aterraram no céus e meu percurso desde então foi sempre até ti, meus passos avistavam-se da terra, tal quadro que pintei com a dança da felicidade. Nossa cama era feita de nuvens e o meu amor por ti uma obra… Inacabada!
Sopraste-me com desapontamento e aterrei bruscamente na terra, afinal nossos tetos eram diferentes. Eu estava entre os deuses da luz e tu…. gélido com o passar do tempo nunca soube de quem eras filho. Sei sim, contar quantas feridas me abriste e ver em mim o teu quadro de cicatrizes.
Se meu amor era poesia o teu era granito. Um grande e selvagem bloco de granito; pedra fria, sem forma, assim era o teu coração, rugoso.
A cada aproximação minha pele cortara-se nesse teu amor deformado, a cada nova lágrima mais longe do Olimpo me encontrava, nunca mais vi os deuses nem fui perfumada com a luz, nossa cama passou a ser feita de espinhos e todos os passos que dei até ti também me transformaram.
O meu coração.
Talvez fosses filho de Medusa.
Sangue frio. Coração de pedra.