Um dia normal…

Um dia normal… Lembro-me como se fosse ontem, um dia que amanheceu igual a tantos outros dias de Verão, em que o cheiro a maresia vindo do rio acompanhava o estridente chilrear dos pássaros que teimosamente me acordam às 5:30 da manhã, quando o sol começa a antecipar o calor que se irá sentir. Levanto-me…

Pedaços…

Pedaços… A minha vida não passa de pedaços, pedaços de mim, como um livro em que foram arrancando folhas e cada folha desfizeram em mil bocados. Cada dia, cada folha, é uma página da vida que tento virar mas insistentemente teimam em rasgar, seja com palavras ou com atitudes, que cortam, magoam e ferem. Mas…

Gosto…

Gosto… Gosto do poder que tens sobre mim, do que me fazes sentir sem saberes, e rendo-me, sim, rendo-me a esse poder inexplicavelmente, não porque quero, mas porque me cativa e é completamente incontrolável.

Correntes…

Correntes… Tenho a vida presa por correntes, vivo suspensa nelas, as correntes cheias de pesados elos com que a vida me foi amarrando e enleando sem que eu me apercebesse. Cada elo foi criado por cada erro, cada má escolha, cada momento, e cada lembrança boa que guardo do tempo que já vivi. Queria conseguir…

Inexplicável…

Inexplicável… Este amor que te tenho é inexplicável. É directamente proporcional ao tamanho da frase que eventualmente o descreve, ou de uma poesia inacabada que teima constantemente em achar a rima perfeita enquanto é vivido. É incondicional, verdadeiro, simples, impossível descrever numa qualquer frase que limite o seu tamanho, carregada de verbos, adjectivos e sinestesias…

Conversa Improvável…

  Porque viver tem que ser desafiante, é preciso que nossos anjos e demónios sejam despertos, e com eles a sua raiva, o seu orgulho, a sua indiferença ou a sua adoração, ou tudo o que faz a vida ser completa. É quando os anjos e demónios se cruzam sem querer e travam batalhas impensáveis…

Falta-me…

Falta-me… Falta-me o teu olhar transparente que me enfeitiça… Falta-me o teu cheiro que teimosamente tento imaginar… Falta-me o teu gosto que imagino suave e doce… Falta-me a tua pele, pele que nunca toquei mas sinto… Falta-me o teu toque, esse que nunca tive e teimo em sentir… Falta-me a tua boca e o beijo…