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Primeiro-ministro manda os portugueses imigrar

Desculpem-me lá mas eu vou ter que comentar uma notícia que acabei de ler. Qual é a ideia do senhor primeiro-ministro de mandar os portugueses emigrar? Estupidez? Só pode ser. É que nenhum primeiro-ministro devia de ter a infeliz ideia de mandar o próprio povo emigrar. Em primeiro lugar devia de querer era todos os portugueses em Portugal, já que é o “nosso” país. E em segundo lugar se não sabe dar conta do recado que faça lugar para quem sabe.

Eu sou sincera – não entendo nada de política. Mas uma coisa sei – sei que não se emigra só por um “político” dizer isso ao povo.

Não se emigra de um dia para o outro. Não se chega ao “destino” e lá está uma casa e um trabalho onde se ganha bem a esperar-nos. Não, o que espera os emigrantes é trabalho duro, infelicidade e muitas lágrimas. É preciso saber para onde se vai antes de ir para lá. É preciso ter a certeza que teremos um trabalho e dinheiro a cair todos os meses na nossa conta bancária. É preciso sofrer para viver.

Eu nunca tive a “sorte” de viver em Portugal, já que os meus pais emigraram a muitos anos. E sei o que lhes custa estar a viver na suíça e não em Portugal. Eles aqui não são felizes. Eles estão cá para poder proporcionar uma vida melhor aos filhos. Pode haver agora pessoas que pensem – ah aqueles estão na suíça, são ricos. – para essas pessoas tenho uma notícia bombástica: Não somos ricos! Nós – os meus pais já passaram grandes dificuldades aqui. Fartamo-nos de trabalhar para podermos ter dinheiro para ir visitar a família. Caiem lágrimas todas as vezes que temos de nós ir embora. É um aperto enorme no coração quando por telefone vamos sabendo o estado dos membros mais velhos da família. Não podemos sair de casa e ir lá ter, porque estamos a muitos quilômetros de distância das pessoas que gostamos. Das pessoas com quem os meus pais cresceram e viveram. Ta certo que aqui podemos comprar mais facilmente um bom par de tênis ou uma peça de roupa mais cara. Mas sabem uma coisa? Eu prefiro ser feliz do que andar com roupas de marca. Eu preferia poder ir todos os dias a praia do que comprar algo mais sofisticado.

Espero que entendam. Vida de emigrante não é fácil nem bonita.

?? © Peregrinus 2017 #69Letras

Existir Mulher

Ser ou não ser, eis a questão… – escreveu Shakespeare

Duvido, logo penso, logo existo… – disse Descartes

Faço mais que duvidar, penso, questiono, invento, crio, sou, escolho ser, existo plena, sou Mulher.

Escolho não seguir as normas, escolho ser diferente e não me importar com as convenções, escolho opinar e chocar se for necessário. Escolho beber cerveja pela garrafa à hora do chá das cinco. Escolho ser olhada quando o faço e sorrir, segura das minhas escolhas. Continuar a lerExistir Mulher

Presente de Natal

 

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(Ao telefone)
Ela: Estás em casa?
Ele: Sim
Ela: Convida-me para subir
Ele: Vem

Ele abre-me a porta com aquele olhar de quem acabou de despertar de um belo sonho, deteto um leve sorriso naquele rosto sempre tão sério.
Como é que ele consegue andar de tronco nu com este frio da Escócia? Tatuagem nova, marca na pele onde ainda não deitei as mãos… Ele observa-me.
Na cabeça o vermelho do gorro de natal realça os meus longos cabelos loiros, nos pés uns fatais saltos da cor desta época festiva, no corpo uma longa gabardine de cor creme.
Empurro-o para o sofá entre as pernas dele coloco o meu pé, com a perna fletida a gabardine deixa adivinhar a liga nas minhas coxas.

– O que é que queres para o Natal? Perguntei-lhe
– Quero-te a ti!

Recuo para o meio da sala, desaperto os botões da gabardine, viro-lhe as costas e dispo-a levemente. Assim que me torno a virar para o encarar já ele está no meu encalço. Crava-me aquelas mãos no rabo e levanta-me, enrolo as pernas na sua cintura e rapidamente me joga contra a parede. Os meus dedos enlaçam nos seus cabelos, respiração com respiração, olhos com olhos beijamo-nos, um formigueiro percorre o meu corpo, a boca dele é quente e a barba roça nos meus lábios, já me tinha esquecido como é explosivo tê-lo em mim em como me torno fênix e renasço com na boca dele.
Num ápice estávamos na cama e todo o meu corpo enrodilhado no dele. Pela primeira vez deixou-me ser o comando do desejo, subjugou-se ao meu corpo sem impor a sua necessidade de controlo e então fui finalmente a mulher a quem ele se deixou render e sentada majestosamente em cima dele, com uma mão a apertar-lhe o pescoço fiz do seu sexo a musica do meu corpo, fi-lo sentir-me profundamente olhos nos olhos até todo o meu corpo se perder em orgásmicos espasmos.
De gorro de mãe natal ajoelhada no chão ele triunfou como triunfa orgulhosamente uma cereja no topo do bolo e foi minha boca o cálice do seu desejo.
Feliz Natal!

?A Vizinha