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Minha tentação


És uma tentação que  um demónio poderia provocar !

Chegaste, chegaste de mansinho, mas com um olhar matreiro, um olhar penetrante, um olhar místico de desejo ou de fazer-se desejado!
Chegaste, foste chegando, tentando persuadir os meus sentidos, esse olhar despia me…
Sentia…que um simples olhar me despia, nunca algo tinha acontecido em mim!
Olhar que perturba…
que ofende,
que me desnudou, no meio de multidões,
olhar de menino bandido,
olhar de pecado, possuindo-me…
olhar de demónio que um dia foi anjo…
Foste chegando, mão entre mão e sem tocar, tocaste-me, cada ponto erógeno do meu Ser.
Chegaste, foste chegando com as tuas palavras,
chegando, com a tua escrita e com tua alma escrevias,
com garra me ferias e
o pecado me transmitias,
com a escrita, me
enfeitiçaste, me embriagaste…
esse feitiço de demónio hilariante deixando água na minha boca, senti-me possuída com a tua escrita e a curiosidade foi mais alto,
o desejo, o querer mais,
querer e desejar,
sentir-te em mim…
como na escrita.
Ao lê-la me despia e sentia-me possuída pelo autor.
Desejei vezes sem conta ser a personagem das tuas histórias ou dos teus sonhos…
ou da possível realidade que tantas vezes, me intrigou.
Desejei ser a tua memória e a tua insónia.
Chegaste e entraste de vez, estava extasiada de prazer e desejo, queria reviver esses textos com o autor e torná-los reais, queria ser a personagem, Real.
Chegaste tão perto,
tão dentro da alma como magia.
Só podes ser… um demónio da tentação!…e fantasia.
Pois só eles têm esse poder de provocar tamanha vontade de te sonhar,
tamanho desejo incessante de te amar.
Demónio da escrita! …transformaste-me em desejos de estares em mim e fazer-me perder os sentidos, perder a razão de tudo o que nada tem razão para existir, se não nos tivéssemos chegado, chegado de mansinho, um no outro, corpos fundidos, um corpo só…
Chegados, um num só,
foi o encaixe perfeito, saboreado a dois,
pelo poder da escrita,
o poder do olhar,
o poder do desejo,
o poder da tentação,
o poder do imaginário, vindo de um grande autor que transmite sede, sede de posse e que deseja ser saciado.
E…eu fui, fui devagar,
fui devassando,
fui sem pensar,
fui voando,
fui-me levando, saciei a tua sede e a minha sede de ti também, fui o teu desejo,
fui a causa da tua tesão,
fui a causa do caos,
fui tesão e desejei sê-lo, porque me fizeste sonhar com a tua existência.
Fizeste me acordar de uma morte vivida que um dia existiu em mim…
E fui…fui de mansinho e foi…
Foi o cruzamento perfeito.
Tão real que pareceu verdadeiro.
E tudo passou por uma verdadeira metamorfose das palavras, escritas!

Dedico este texto…
A…quem o sabe…
“Desejo…te”!…
Ao autor que em mim me resgatou de onde nunca mais quero voltar…
Um dia esse autor,
voará para as mãos de outro Ser, que procurará a salvação, através da escrita…

© Miss Lost 2017 #69Letras

 


Esses lábios um dia…

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Ai esses lábios!
Sabes que me provocas sempre que os vejo, fazem sempre a minha imaginação fluir!!!
Aposto que eles devem envolver e deslizar assim bem devagarinho… Imagino que a tua língua deve ser macia… quente… deslizante… provocante… curiosa… deve acompanhar na perfeição esses lábios que colam de mansinho quando encontram outros que lhes apeteçam… Devem fundir-se e repuxar ao de leve, se ao invés de lábios, seja por pele que eles deslizam.
Aposto que a tua língua deve ser atrevida na busca de outra… molhada, dançante, exploradora de recantos… quente no seu toque e deslizante com vontade não só de sentir os sabores mas também de levar consigo todo o paladar da pele que percorre.
Aposto que a tua vontade deve conduzir a um beijo de respiração suspensa, até ao oxigénio se pertencerem… até ambos respirarem fundo em uníssono sabendo que o beijo não acabou, com que as línguas juntas, unidas a descobrirem-se…
Aposto que gostas de deixar a pele cada vez mais molhada de ti, de a humedeceres sistematicamente com a tua língua sorvendo depois tudo com os teus lábios!
Aposto que deixas corpo e mente confusos… que gostas de saciar a sede ao corpo mas por outro lado gostas de o beber…
Tudo isto é o meu corpo a dizer-te que quer ser bebido por ti, que os meus lábios querem ser apetecidos pelos teus, a minha língua quer descobrir, colar-se á tua e arrastar-se por cada milímetro dela, enrolar-se nela…
Isto é a minha boca a dizer-te que quer respirar o teu ar e ouvir cada percurso das nossas línguas em dança íntima…
Isto é a minha pele a pedir-te que a sacies, que a humedeças com a tua língua… que me cartografes com o teu sopro fresco e que leves o meu sabor em cada passagem dos teus lábios, em cada deslizar carnal da tua língua em mim!
Isto é o meu corpo a pedir-te que o destapes… descubras… saboreies, que me bebas, que me sorvas, que parte do meu corpo se tatue na tua língua por toda a epiderme desgastada, por me devorares calmamente… lascivamente!
Mas não quero apenas toques suaves da tua língua, quero que ela queira levar o meu corpo… não quero apenas passagens dos teus lábios, quero que eles me envolvam e parem sobre o meu corpo… não quero apenas ouvir-te respirar, quero que me respires a mim…
E não esperes tratamento diferente dos meus lábios, da minha língua em ti…
Quero-te em mim e quero que me queiras em ti!!!

“Que achas desta foto?
Esses lábios um dia…”

JustIlusions

Menina mulher ou mulher menina?

 

Se me queres,
Não venhas de mansinho e de passos leves
Entra cheio de intenções e arrebata-me com essa vontade.
Vem sem medos
Sem pressa do depois!
Enche os meus dias
Destrói todas estas manias
Impõe-te a mim e
Bloqueia-me a saída!
Encurrala-me contra uma parede,
Agarra-me nos meus cabelos.
Olha-me nos olhos,
Não digas nada,
Faz-me sentir que és o meu certo e errado
Que em ti encontro a luz e a
Noite debaixo dos lençóis.
Sê dois
Sê plural!
Dá-me dois de ti num só corpo,
Sê o meu pecado
E o meu gentil amado.
Entrega-me o teu mundo,
Acolhe o meu
Mesmo que não o entendas
Ama-me assim
Com duas faces
A de menina bem comportada e de mulher rainha do pecado.

© ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016

Sonhei que estava deitado debaixo de um castanheiro e o sol batia em meu peito…

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Entraste era já madrugada, nem bateste e nem sequer pediste para entrar, vieste de mansinho e sossegada no meu sonho vieste te aconchegar. Acordei e sorri, daqueles sorrisos quentes, acendi a luz mas como á luz não te vi, tapei me novamente e esperando por ti adormeci. Sonhei que estava deitado debaixo de um castanheiro e o sol batia em meu peito, e no edredão enrolado a sonhar semi acordado, da almofada fiz teus lábios primeiro e do edredão o corpo e o teu jeito. Nessa madrugada em que me perdi, em que tu tomaste conta do meu sonho como sendo teu, medusa petrificaste o meu coração quando te vi e dos meus braços criaste morfeu. E ali fiquei desperto a tentar vislumbrar no meio do breu, corpo semi nu descoberto no meio da escuridão a pensar se seria apenas um sonho liberto ou pura imaginação. Não mais voltaste a entrar, apesar de dormir agora de porta aberta, não te queria ter presa no meu lugar, mas ter te disponível e liberta de quando quisesses a tua casa voltar. Agora fecho sempre a porta ao deitar, mesmo que venhas ou não, no meu sonho, sempre terás o teu lugar apesar de empedernido meu coração.

O Inquilino