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Como é possível a tua noite, ser o meu dia!

Quando me deixaste achando que o que tínhamos era passageiro não te lembraste que me estarias a despedaçar, a fazer recolher-me para a concha que nem queria ter saído… mas saí, por ti quis ser brava e amar de forma destemida, sem passados ou merdas a atormentar… mas foste.

Abandonaste-me e fiquei como se a pele me tivesse sido arrancada e por mais que me vestisse ( e acredita que me vesti muitas vezes) nada nem ninguém me cobriu como tu.
Sei lá eu o que é ter o sol dentro de mim, só o frio restou…
O meu emotivo olhar foi substituído por gelo, nunca mais vi ou alcancei, trespassei tudo o que se pusesse à minha frente talvez tentando ver se te avistava!
Meu corpo nunca identificou as diferentes peles que o cobriram, do algodão sintético à caxemira, meu toque não distinguiu nada em que tocou. Simplesmente foram corpos em atrito, tentativas furtivas tentando encontrar a pele que me roubaste mas acabei por descobrir que mesmo percorrendo todas as lojas do mundo apenas tu, tens o modelo que me veste. Tu sim tens a vida que sinto falta.

Porra! Não podias simplesmente ter ido e deixar-me de fora?

Doeu tanto… ainda dói. Fez frio… ainda faz! Mas…!
Não quero mais aquele inverno rigoroso, atravessar aquela frente de tempestade, foi devastador ainda ando a colher os pedaços espalhados a pouco a pouco…!


Como é possível
a tua noite,
ser o meu dia! A vida?

 © ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016