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Uma rapidinha entre canais e uma porta fechada!

Não consigo pensar em nada mais triste do que um fim de um amor.

Uma porta fechada, um quarto morto apenas com o som de uma rotina: deitar para cedo erguer para trabalhar, voltar jantar e tornar a deitar. Continuar a lerUma rapidinha entre canais e uma porta fechada!

Ilumino-te. Apagas-me. Acendo-me e roubas a luz.

O único pecado que existe é não estares ao meu alcance, como poderei eu saciar-me se não te tenho aqui onde és preciso?
Preciso-te para que me preenchas com os teus pedaços de homem trágico. Luz todos a temos, mas quantos de nós entram no quarto escuro da alma em que habitamos? E desses quantos, quantos são os que o partilham ou se deixam visitar? Adoro-te por isto! Pela porta que me abres, onde rompo por ti a dentro e instalo-me na noite sem estrelas onde resides, bruto, liberto, nessa mártir que me seduz onde alberga a minha luz. Continuar a lerIlumino-te. Apagas-me. Acendo-me e roubas a luz.

Não interessa quantos são

Não interessa quantos são.
São todos filhos do coração, quem diria que eu teria um coração de tal tamanho.
Os dias correm, corremos com eles de tal forma que perdemos demasiado à nossa volta.
Tomamos por certo tanto que nos escapa entre os dedos.
O vosso crescimento, meus queridos sobrinhos.
Os vossos medos, receios, vontades e preguiças.
Desculpem se em algum momento me quiseram junto de vós e não consegui aí estar para vos confortar.
Todos os momentos são únicos quando estou com vocês, ensinam-me tanto em tão pouco tempo.
Gabo-vos a forma de encararem a vida, todos os problemas, com esse vosso sorriso sincero e genuíno.
Sei que às vezes a vida prega-nos rasteiras, a tia sabe. Mas a tia está cá para vos apanhar sempre… e nestas rasteiras não choram, são por vezes mais fortes que os adultos.
Só quero que chegue o dia em que tomem consciência do quanto adultos já são, sendo tão miúdos. Hoje tomo-vos as dores como as minhas tias de certa forma, tomaram. Mas sei o que vos custa.
Quando tudo cai à vossa volta, quando os papás tentam não vos mostrar toda a mesquice deste mundo, vocês meus seres inteligentes, sentem mais do que visualizam.
Vocês são enormes, nunca se esqueçam disso.
Toda a tia tem este dever, não posso dizer que é prepara-los, pois eles prepararam-se sozinhos.
Acompanhem-nos nesta caminhada, ajudem-nos a tornarem-se adultos conscientes e agradecidos. Esta é a nossa função como tias/tios.
Embora o meu útero ainda não tenha gerado vida, sei o aperto de um amor pequeno, baixinho e birrento.
Não saiu de mim, mas são meus.
Todos eles.

©Krishna 69letras 2017 

 


 

Densidades

 

O ar compenetrado e meio sisudo do dia a dia, traduz-se num manter a distância das pessoas, pelas quais não nutre o mínimo interesse. A mulher cinzenta do dia, que durante a noite devora livros e sites eróticos. Que tira a roupa que lhe circunda e amarra o corpo, mal chega a casa, e se transforma. Transforma-se num ser quente, voluptuoso, ardente de  voz sensual, profunda. A sua procura por densidades de sentires diferentes da monotonia do escritório, daquelas mentes, germinadas em provetas, de pensamentos  desprovidos de desejo, de fogo…

Já passou a fase do sonho, do imaginar… Um último olhar no espelho, para o retoque na maquilhagem, e ver como o vestido preto lhe assenta na perfeição. As suas curvas generosas, os seus seios fartos, os saltos altos, sem nada por debaixo… É assim que gosta… De não se sentir restringida pelas peças de roupa interior.

O táxi já a espera. Leva-a ao bar de sempre. Sem perguntas, sem insinuações. Têm entre si, um acordo de silêncio, com horas marcadas nos sítios assinalados.

Como gosta destas saídas, da antevisão do que poderá acontecer… do poder que detém e de como abre mão dele… Sim… e da exposição… Excita-a a exposição, a oferenda do corpo a um outro corpo… As mãos que lhe tocam, as que lhe querem tocar… A sua entrega é completa, intensa… É ali, no meio de tantos e tão poucos, que afugenta os seus demónios; que leva o seu corpo a um estado de absolvição total…

 

#TheOyster 69Letras® 27.02.2017

 


Encho o copo de vinho enquanto encho a banheira!

Dias exaustivos…
Esgotada a minha cabeça está!
Chego a casa e antes de encher o copo de vinho, encho a banheira.
Enquanto a água corre sinto-me cada vez mais ansiosa… só de ouvir o som da água..!
Saco a rolha deste belo vinho… aquela garrafa guardada desde sempre para estas ocasiões em que anseio a tua chegada tardia.
Aproveito este belo repouso de espuma, entre as velas e a música de ambiente. Tenho tempo, o suficiente para me preparar para a tua chegada.
Renovar a mente, relaxar o corpo.
Lentamente, com um copo de vinho na mão, penetro este quente espumoso.
Toda eu mergulho nesta grande banheira!
Submersa em pensamentos deixo-me dentro de água até o ar escassear, sustenho todo os meus medos, receios e quando saio desta água…sei que a minha alma estará limpa, como se água salgada fosse!
Saceio os meus lábios com um golo de tinto, repouso a cabeça e penso em ti.
Como a água circula, tu circulas em mim em cada veia de mim…transportas vida por mim.
O copo repousa na borda da banheira e sem pensar toco-me.
Um toque conhecido, achava eu. Mas pelos vistos não reconheço a minha pele, o meu corpo. Só tu o conheces.
Pensando em ti, percorro os meus seios, lentamente desço até…mesmo ai.
Dedo a dedo penetro-me, sem noção do tempo a água esfria.
Abro os olhos e o vinho permanece na mesma medida.
E tu a admirar-me.
Peço-te…acaba o que eu comecei.

Krishna 69Letras

 


Miss Lost #69Letras

Eu sou autêntica… 

transparente nas palavras. 

Sem máscara. 

E transmito na escrita por vezes o meu amor pelos outros, 

a minha ira, 

os meus pensamentos, 

os meus sofrimentos, a minha imaginação. 

É como se me libertasse, e tudo ficasse resolvido na escrita…

Tudo aquece com as palavras.

Tudo se transforme na escrita…

Desde cedo que sempre transcrevi para o papel o que me ía na alma, mas nunca partilhei, até então há bem pouco tempo, um autor pelo qual me fascinei, e que vivi momentos na escrita de que me inebriei, fez com que eu escrevesse para os outros e pudesse transmitir a paixão das palavras…

pudesse partilhar a minha salvação, com a escrita.

Assim sou...

A que me faz sentir muito mais além do prazer.

Ela dança triunfante sob o toque das minhas mãos nas suas curvas, o corpo dela reage como se na ponta dos meus dedos existisse a elegância de um pianista, como se o meu toque fosse  refinado, mas tudo o que tenho são estas mãos robustas, grandes e largas, de dedos compridos e grossos onde a sinto a vibrar à minha paisagem.

Já o toque dela é mágico, seguro, terno e profundo. Tão profundo que parece que afaga até o que se esconde debaixo da minha pele, aquele outro eu obscuro, aprisionado e controlado. Ela adormece-me, no seu toque tenho a sensação que a rotação da terra estagna e que apenas os seus dedos pequenos se mexem, trauteando os meus cabelos. Adoro quando ela faz aquilo com o polegar e o dedo indicador massajando aos círculos a minha orelha. Mas depois este mesmo toque que me acalma é o mesmo que me desperta a luxuria, onde solto espasmos quando me toca suavemente no corpo com o membro erecto que me faz estremecer e desesperar por aquele toque firme e cheio de vontade que só ela tem…

ah… ela!

A ondulação dos seus cabelos que se confundem com o sol fazem-me enternecer tal moldura para o rosto. Tantasd385ba720287b270a29bcc4df42654c1 vezes me parece delicada e frágil e ao mesmo tempo deliciosamente fogosa algo que tão bem tira proveito. Esconde-se no seu volumoso cabelo e tal como uma porta entreaberta deixa escapar aquele olhos endiabrados e sorriso safado.  Ela invade-me por inteiro numa mescla de sentimentos e sensações.

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Agarrar-me àquele corpo nú e suado depois de nos trincarmos a carne e nos lábios trazer o doce sabor do seu prazer há um sorriso permanente nos meus lábios e uma satisfação total. Não a que vem depois do orgasmo, mas a que provém de a ter nos meus braços, a mulher que vou amar até ao fim dos meus dias, aquela que tem um sorriso envergonhado e ao mesmo tempo sem vergonha.

A minha paixão.

A que me faz sentir muito mais além do prazer.

© 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2017

 

 


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