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Nunca soubeste desta minha luta.

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Nunca soubeste desta minha luta.

Depois de te desculpares de mil e uma formas diferentes e insistires para nos dar uma segunda oportunidade, cedi e aceitei ‘perdoar-te’.
Perdoar-te…
Para ti foi como se nada tivesse acontecido, mas para mim, mais do que te aceitar de volta, foi uma luta diária, uma luta constante, uma luta que nunca soubeste o quanto dói e destrói.
Nunca soubeste desta minha luta, dos meses que demorei a ultrapassar para te voltar a sentir e desejar e apagar ou suavizar a lembrança da outra mulher com quem eu te partilhava sem saber.
Nunca vais saber desta minha luta entre lençóis!
Das luzes desligadas para não veres as lágrimas a cair, da insegurança em deixar-te ver o meu corpo.
Nunca vais saber que desde o momento em que entravas em mim o que mais queria era que te despachasses.. nunca vais saber que o teu toque fazia a minha pele doer, que os teus beijos me sabiam a falso e que enquanto me beijavas de um jeito que parecia apaixonado o meu peito gritava de mágoa.
Nunca vais saber que não te desejava, que te sentia dentro de mim como se fosse feita de gelo, apenas sentia os movimentos, mas o desejo sentimento tesão ou excitação apagou-se em mim…
Nunca vais saber desta minha luta em te perdoar e do quanto me esforcei para ultrapassar e nunca consegui.

© ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2017

Não há morte pior que a da alma…

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Desengane-se quem pensa que o amor não dói, não há pior dor que a do amor, aquele que se perde, aquele em que a relação acaba mas o amor continua, chega a ser pior que a morte…

Na morte a perda é certa, morreu, enterrou-se, está ali, não há volta…

No amor não, parte de nós vai, mas está viva, ainda que não ao nosso lado, e por mais que pareça impossível, um coração que ama acha sempre que há uma hipótese, por mais remota que seja…

E dói, cada dia, cada hora, cada minuto, cada lembrança, cada cheiro, lugar ou sabor.
Não há dor pior que a do amor, não há morte pior que a da alma.

SilentSoul #69Letras

Não era para ser assim.

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Fotografia: Via Pinterest

 

Não era para ser assim.
Era para chegar e quando nos olhássemos sermos apenas a lembrança de um passado.
Era para ser um “olá tudo bem” “foi bom ver-te”, e não um abraço que nos fez tremer a alma, suar a pele, e querer que aquele reencontro se tornasse suspenso por toda a eternidade.
Não era para ser assim, porque tens outro alguém.
Mas aquele reencontro tão inocente, tão certo como dois bons amigos, se tornou no pecado que tão docemente errado nos levou a transpirar na pele um do outro.
Poderia ter sido um “ola tudo bem”, meramente carnal, mas não. O sentimento à muito deixado para trás veio reivindicar o direito de voltar a ser vivido e agora todos os dias erramos e alimentamos este nosso pecado.
E este pecado embora amargo para ela, para nós é a sobremesa que não resistimos a pedir, repetir devorar e consumar.

A Vizinha

O perigo é teres receio do que desconheces

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O que é o perigo ?
Esse eterno desconhecido que nos impele as cautelas,
é o olhar penetrante quando estamos lado a lado,
é o mundo aberto que se tenta medir em tabelas,
é o corpo deitado de uma mulher em homem acautelado.

É a mulher no seu recôndito mais escondido,
é a vida que não se sabe mas que ás vezes nos sabe tão bem,
é o cheiro que não se tem e o sabor desconhecido,
é flor que não se abre mesmo quando o sol vem.

É o desejo de ter o que nunca se teve,
é o som da voz que nos embala no berço e nos faz esquecer,
é a noite feita dia e que em nosso peito contem,
a alegria de estarmos vivos mesmo sem saber o que dai advier.

O perigo é teres receio do que desconheces no passo descompassado,
de um coração ansioso mesmo sabendo que existem passos em vão,
é o que nos impele a sermos diferentes mesmo sabendo do passado,
e essa veia que temos de sangue na guelra e que nos dá a paixão.

Acautelando-nos, reservando-nos em nós nos acomodamos,
na esperança que a tristeza não nos faça voltar a chorar,
vivemos na certeza que aquilo que sonhamos,
não seja mais do que aquilo que algumas vezes nos faz pensar.

Em perigosamente vivemos muitas vezes mesmo ao pé do abismo,
como se tivéssemos o dom de o dominar,
tédio que se apodera de nós como um cataclismo,
e na certeza porem que algum perigo também é amar.

É  mulher sábia que o homem sabe dominar,
é a maneira hábil que tem de ser mulher,
é o homem que impelido pelo desejo se deixa enganar,
é a mulher que por está bem se deixa colher.

Viver perigosamente em vagas constantes,
deixa-nos exaustos sem saber muitas vezes o que fazer,
estarrecidos e desorientados ficamos expectantes,
que esse perigo nos possa algum dia acolher.

Mas a borboleta quando nasce da larva não sabe o perigo que é nascer,
mas da beleza que irradia em tempo seja ele de vida que num só dia,
e viva na sua mais completa alegria de poder por minutos viver,
nasce feliz por dar cor ao mundo e alegria.

Por isso te digo, perigo não significa negativo,
é apenas a incerteza que tem duas faces desconhecidas,
uma que tomamos com consciência que se erra porque se está vivo,
e outra que tomamos consciência por experiencias vividas.

Não há como fugir ao perigo mesmo que queiramos,
ele está presente em todo o lado,
mesmo quando nem do amor nos aproximamos,
e muitas vezes nos refugiamos no nosso triste fado.

Por isso vive com alegria e esperança,
leva as coisas de mente aberta e por isso te digo,
conhece, levando sempre na lembrança,
belos momentos vividos em cima desse mesmo perigo.

O Inquilino

?A vizinha #69Letras