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Mar nunca antes navegado

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Parece que foi noutra vida quando o mar nunca fora violado nem as florestas desbravadas, quando em mim habitava um coração intacto e uma mão aberta ansiosa para amar preparada para receber e se entregar. Parece uma outra vida, tão distante desta que agora conheço, foi antes da poluição, dos sismos,das erupções vulcanicas e do degelo dos oceanos, foi antes de conhecer o lobo na pele de cordeiro, o melhor de todos os atores, o incrível imbecil destruidor de sonhos. (“Quem nunca se cruzou com um?”). Tudo isto foi antes de me terem arrancado o que de mais puro tivera, dentro do peito, um coração de sangue jovem, ingenuo e virgem, eterno sonhador, crente romântico, de forma prometida, suave, leve, regular doce e apaixonado com genuíno sentimento. Fora-me arrancado, vi-o sangrar nas mãos do saqueador de histórias de amor, vi-o ser jogado no chão  e o coração que antes era  vida em pedra se transformou quando no piso tocou. No chão rolou… rolou… pelo caos atravessou e a sua forma mudou e hoje de mão fechada, na minha pele ainda sangra.

 

A Vizinha

É assim que me trazes de volta a ti

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Fotografia: Via Pinterest

Veloz é o voo da minha mente rumo ao melhor destino de sempre: o meu mundo ilimitado feito de tudo o que eu quiser, a cheirar ao meu aroma favorito e habitado pelas pessoas que mais amo!

As viagens são frequentes e até já viajo no piloto automático, o regresso é que é sempre mais complicado e muitas das vezes abruptamente forçado…mas TU trazes-me à terra numa aterragem incrivelmente suave com esse teu jeito tão certo sem ter precisado dizer seja o que for.
Sabes-me.
Ao teu lado, as insuportáveis perguntas não tem voz:
– Estás aí? – Em que é que estás a pensar? -Estás bem?- o que é que tens?
Nem os teus olhos me fixam como se fosse uma evadida de um sanatório…
Tu olhas e vês-me.
Ouves e escutas-me.
Observas e descobres-me.
Sabes quando ao teu lado deixo o corpo e voo para terras distantes e fantasias que coram e que deste modo automático, me perco, por tudo e por nada.
Sem caricia ou movimento, tocas-me num toque que pousa. A palma da tua mão ferve, não na minha pele, mas abaixo, e tal chama que inflama com o gás, assim sou eu. O gás.
É assim que me trazes de volta a ti. Sem som, sem barulho ou perguntas que me fazem sentir envergonhada por ser assim deste jeito…
Sorrio, aconchego-me mais a ti, encho-te de beijos e beijinhos e fico-me perguntando se estou no meu mundo, ou ali, naquele instante, nos braços dele…