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Quando amas no escuro é complicado

Quando amas no escuro é complicado,
quando o coração quadrado que fica petrificado e duro,
como um quarto fechado de paredes negras como a tua alma,
nem o vento lá fora acalma, nem o teu pensamento assombrado,
te deixa sossegar, dormes a espaços, em sonho guardado,
de vil posição em teu corpo exilado, hesitas na dúvida do teu duvidar.
E dizer, se podes dizer, se alguém um dia te possam compreender,
que será ela a razão do teu viver, ou simplesmente o seu querer,
seja igual ao teu, que o crescer conjunto, pode ser a diferença do teu não morrer,
e do dela amanhecer, para mais um dia de sol frio, na longa lista do teu já coração defunto.
E abraçar, poder cheirar o cabelo molhado depois do banho,
enrolar dedos no cabelo que apanho, e apenas cheirar,
ou sentir as costas quentes coladas a teu peito, e as línguas ardentes,
num desejo satisfeito, como estrelas cadentes, que viajam pela luz da lua,
em teu corpo de mulher nua, meu corpo no teu deitados no leito.
Quando amas no escuro, toda a vida se atrasa e os olhos fecham,
a boca se cala e as palavras que a boca deita, são pinturas vazias no muro,
em que a tela que pintas não fala, nem sequer sentes que existe cura para tal maleita,
não existe lá fora, porque o teu coração não se deita, estático, não quer ir embora,
procurar paragem noutro lugar, fazer do coração um ninho onde o amor possa voltar a morar.
Quando amas no escuro, não existem cidades de reclames em néon a piscar,
nem pontes com cadeados acorrentados quando o teu coração era puro,
nem existem bares, ou museus abertos ao domingo, em que te sintas bem a passear.
ficas no teu mundo a escoares, o pouco que ainda tens de ti e que ainda consegues dar,
a quem muitas vezes te dá aquilo que não lhe queres deixar, que é teu e está guardado,
no teu corpo, já gasto e formatado, pela espera do que possa advir de outro quarto pintado.
Quando amas no escuro é complicado, as horas são infinitas e os dias não acabam,
mas as noites, ai as noites são eternas de tempo parado, são camas cheias de imagens malditas,
que te atormentam a mente e não te deixam descansar, tectos que desabam e te oprimem numa ansiedade tal,
que desejas que o dia que começa possa chegar, para poderes voltar a sorrir, voltar a sonhar,
e achares que no fundo e afinal, pode vir a ser hoje o dia tal, em que te encontras e possas voltar pelo teu pé a caminhar.
Quando amas no escuro é complicado, o teu sonho num pesadelo formado.

Ela é aquela que esteja onde estiver está na realidade noutro local

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Podes encontrá-la numa esplanada a olhar o mar, num café com as amigas, às compras num Shopping, numa discoteca a dançar no meio da pista, na bilheteira de cinema entusiasmada para assistir à estreia daquele filme, a rir como uma louca com os seus amigos loucos.
Ela pode frequentar infinitos espaços diferentes, mas a sua cabeça está sempre no mesmo lugar – no mundo dela.
Repara como ela dança no meio da pista, para quem se destina aquele olhar cheio de tudo? Para quem sorri ela, enquanto o seu corpo ondula naquele oceano de sons?
Rodeada de pessoas, ela distância-se do que pode ver, cheirar, tocar naquele instante, mas não, ela perde-se no seu mundo, e é lá que tenta encontrar algo, não te sei dizer o que é e aposto que nem ela o sabe.
Repara como ela se distância da companhia das amigas naquela esplanada. Sim, ela está ali, sorri, brinca, diz piadas, partilha histórias, mas agora olha com atenção. Ignora as gargalhadas ou o quão é comunicativa, até onde vai e alcança aquele olhar?
Vê como o olhar dela, despreza as imagens que estão à sua frente e as contorna para então se perder e regressar ao seu mundo.
Sim, ela sou eu.

 

AVizinha