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Vitória

vitória quando o impossível se torna possível.

Os sonhos só o são enquanto nunca os tentarmos alcançar.

No momento em que começa a jornada para alcançar o cume da montanha a que chamamos sonho, é quando o impossível se começa a desmoronar a cada passo dado.

A beleza desta escalada são os obstáculos e o prazer imenso que se apodera do corpo quando são vencidos.

Nenhum obstáculo é tão grande quanto a vontade de vencer.

Mas para atingir a vitória é preciso sofrer.

Há fome. Fome de vencer.

Há sede. Sede de vitória.

E quando chega o momento, quando se atinge o topo, a sensação é única.

É sentir que tombaram todas as adversidades, que o cansaço se transformou em poder, que o impossível perdeu o seu prefixo, que se fez história.

E vitória é fazer história.

A minha história, a vossa história, a nossa história…são a vitória.

© Fox 2017 #69Letras

Casas comigo?

Casa comigo.
Casa comigo só por hoje.
Vamos unir os nossos corações,
Caminhar lado a lado,
Olhar o mesmo caminho.
Vamos deixar a vida que temos
Mas mantê-la igual:
Os mesmos sorrisos,
Os mesmos abraços,
Os mesmos beijos,
O mesmo amor.
Vamos descobrir o desconhecido
E explorar o conhecido
Perdendo-nos na ténue linha
Do certo e do errado,
Do real e do imaginário.
Vamos festejar esta alegria,
Procurar o prazer,
Desfrutar do momento
E desta vontade de viver.
Vamos ser rei e rainha,
Príncipe e princesa,
Duas pessoas, um amor,
Uma história de encantar.
Vamos fugir sem pressa,
Tu nos teus patins,
Eu nas minhas palavras,
Unidos numa viagem sem ponto de chegada.
Casa comigo.
Casa comigo só por hoje.
E vamos fazer do hoje
O nosso sempre.

© Fox 2017 #69Letras

Reescrever a história…

Apetece-me agarrar em papel, numa caneta e escrever à mão, embarcar no meu mundo de ilusão, criar uma história perfeita, que me deixe realizada e satisfeita, livrando-me desta vida meretriz, e finalmente na minha escrita poder ser feliz.

E a cada letra que cuidadosamente desenho, aflora em mim a vontade que tenho, de repudiar a finitude da vida, que por inércia se torna perdida, e escrever a minha história, simples e que fique na memória, repleta de encanto e doçura, onde não se descure a cumplicidade e ternura, de simplesmente viver, e por isso poder agradecer.

São frases e palavras que vou tecendo, numa teia de desejos que vou tendo, sem por isso ansiar, mas se acontecer desfrutar, sem nenhuma expectativa, que me deixe dela cativa, impedindo-me do final da história alcançar, por isso há que deixar naturalmente desenrolar.

Miss Kitty #69Letras

Confissão

Para Leitores M18

Olá sou a Lena, tenho 32 anos e tenho algo a confessar. Matei um homem. Sim, leste bem, matei-o. Mas foi em defesa pessoal. Apesar de não ser minha culpa, nunca falei com ninguém sobre isto.

Faz hoje um ano. Estou no Facebook a ver o meu feed, quando recebo uma mensagem de um Homem bem atraente. Ele pede desculpa por me estar a contactar desta forma e apresenta-se. Normalmente não ligo muito a estas mensagens de estranhos, mas algo nele me intriga. Respondo-lhe. Não demora muito até me fazer um pedido de amizade e eu aceitar. Ele é charmoso e muito educado. Falamos horas e horas sobre tudo e nada. Trocamos os nossos números e começamos a falar por telefone. A voz dele é excitante. Passo os dias a pensar nele. Finalmente – pensava eu naquele momento, sem imaginar o que vinha a seguir – ele convidou-me para jantar em casa dele e vermos um filme de terror. Sim de terror. É algo que temos em comum. Ambos gostamos de filmes de terror – apesar de que os filmes de terror dele, não eram bem o meu género de terror. Eram bem piores! Fui ter a casa dele como combinado. Chego as 19.00 horas. Abre-me a porta e deixa-me entrar. O apartamento dele esta muito bem arranjado. Bem demais. Parece saído de um comercial.

Na altura não pensei que fosse estranho, mas agora pensando nisso devia ter ficado alertada.

Da cozinha vem um cheiro bem agradável. Depois de me ajudar a tirar o casaco e arrumar junto com a minha mala conduz-me até a sala de jantar. Esta tudo tão romântico. Estou nas nuvens. Toalha de mesa vermelha, louça de porcelana – carissima –, a sala esta somente iluminada por velas e pelo chão estão espalhadas pétalas de rosas. Puxa-me uma das cadeiras para trás e indica-me com a mão que me sente. Depois pega num dos copos e uma garrafa de vinho já aberta e enche o copo. “É Vinho tinto caseiro. “ – diz ele enquanto me estende o copo. Pega no outro, e enche-o também. Levanta o copo e diz: “A nossa.” Provo o vinho. Tem um sabor um pouco esquisito e é grosso. Mas como não o quero decepcionar logo no primeiro encontro, sorriu e digo que é bom.

Mal eu sabia que aquilo afinal de vinho não tinha nada.

Ele desculpa-se e vai em direção a cozinha. Pouco depois chega com uma travessa na mão. É o jantar. Cheira muito bem. Parece assado, mas depois de provar sei que não é assado de porco. Não consigo dizer que tipo de carne é, mas esta delicioso.

Pensando nisso agora, e sabendo que tipo de carne era, ainda tenho de vomitar.

Digo-lhe o quão bom esta e com um sorriso ele agradece. Passamos o jantar inteiro a conversar sobre a minha vida. Ele quer saber se contei sobre nos a minha família ou amigas e se alguém sabe onde estou neste momento. Nego e conto que só disse a uma amiga que ia sair, mas que não entrei em detalhes. Ele sorri.

Não pensei nada sobre o interrogatório na altura, mas agora percebo que queria saber se alguém poderia dar pela minha falta.

Acabamos de jantar e ele conduz-me até a sala. Liga a televisão e antes de começar o filme, conta-me que é um dos seus preferidos. Diz-me também que tem vários daquele tipo e que se me portar bem mos mostrava. PLAY. O filme começa.

A única coisa que se vê é um quarto mal iluminado com uma cama no meio. De repente aparece uma pessoa – parece um homem – com uma mascara que parece ser feita de pele humana, no quarto e na mão esquerda arrasta uma mulher pelos cabelos até a cama. A mulher não para de gritar. O homem pega nela e ata a as mãos dela a cama. Ela esta de barriga para baixo e nua.

Só naquele momento é que tinha reparado nesse pormenor.

O homem baixa as calças e começa a penetrar o rabo da mulher. Agora sentindo de novo dor a mulher grita. Ouço um tipo de ganir satisfeito do homem. Parece que o facto da mulher estar a gritar o excita ainda mais. Depois de acabar ele puxa as calças para cima e tira algo do bolso. Não consigo perceber o que é ate ver sangue a sair da goela daquela pobre mulher. É uma navalha. O homem sai do quarto e o filme acaba.

Confusa fico a olhar para a televisão e só depois de alguns segundos dou conta que ele esta a olhar para mim com um sorriso de uma orelha a outra. “Então gostaste?”, pergunta ainda a sorrir. Sem entender bem o que acabo de ver simplesmente sorri o.  Pergunto se aquilo é um filme snuff e a única resposta dele é: “Quem sabe…”

Ele vira-se novamente para mim e beija-me. É um beijo intenso. Nunca antes senti algo assim. Rapidamente me fazer esquecer a porcaria do filme e eu finalmente consigo me deixar levar por completo por aquele momento. Reparando o quão excitado ele esta paro e passo a minha mão por cima. Ele esboça um sorriso: “E diz, já vamos tratar disso.” Ele da-me um copo de vinho e manda-me beber. “Vais precisar de liquido, para o que vem a seguir.”, diz-me. Eu dou um golo e pouso o copo. De repente começo a sentir-me zonza. Os meus olhos fecham. A única coisa que me lembro a seguir é de acordar com uma dor de cabeça enorme e sentir alguém a tirar-me a roupa. Ainda estou sonambular e por isso não me consigo mexer. Abro os olhos e vejo-o a por a mascara. Ele vira-se de costas para mim e com a adrenalina e o medo que me alojam agora olho em meu redor e pego na navalha pousada em cima das suas calças. Deito-me novamente e tento esconder o melhor que consigo a navalha na minha mão, visto estar nua. Ele vira-se novamente para mim, veste as calças e dobra-se sobre mim. “Muito bem minha querida. Já acordas te.”, diz ele. Aproveitando a oportunidade espeto a navalha no peito dele. Consigo ver os olhos dele abrirem-se incredulos e pouco depois o corpo dele cai sobre mim. Empuro-o para o chão, levanto-me e pego nas minhas coisas todas e saio a correr do apartamento. Só depois de entrar no meu carro lembro-me de que estou nua e visto-me.

Tenho lido os jornais todos os dias a ver se vejo alguma noticia sobre ele, mas nada. Ou ele não morreu ou ainda não descobriram o corpo dele.

Agora sei que não morreu. Estou a escrever esta confissão, porque sei que não sobreviver esta noite. O dia todo tenho visto a cara dele em vários sítios. Consigo pressentir. Restam-me poucas horas. Se isto vier a publico é porque morri. É porque afinal não consegui matar o J

 

Peregrinus #69Letras

A minha história

O que eu fui nem se compara ao que sou hoje.
O meu “eu” de hoje é uma versao mais doce e suave do meu “eu” de antigamente.
Porém ninguém imagina.
Eu era aquela miúda que tanto irradiava alegria por onde passava como deixava uma vaga de destruição. Hoje limito-me a um ar satisfeito e equilibrado.
Ainda ontem eu era a rebelde, a desequilibrada, a inconstante ou aquele olhar que se evitava a todo o custo.
Agora sou fonte de inspiração, o modelo a seguir ou o olhar doce que acalma as almas mais perturbadas.
Eu fui o erro que hoje se tornou tão certo.
Todos os punhos que enfrentei, meu sangue derramado e até o fogo das minhas palavras de outrora, tudo isso é a minha história. Tudo isso é o meu “eu” de hoje.

MissSteel#69letras

A magia do anoitecer

Texto erótico |M18

Frio… Silêncio… Anoiteceu em segundos…
Apenas consigo ouvir o som da lenha a arder na lareira e a tua respiração, junto do meu ouvido esquerdo. Encosto a minha cabeça no teu ombro e fecho olhos. A tua barba a tocar-me na testa provoca-me arrepios absolutamente viciantes…
Dou-te um beijo… E deixo-te sozinho. Os teus olhos intensamente sedutores seguem-me e encostas-te à janela à espera de perceber o que vou fazer…
Às vezes pareces tão forte e inalcançável Outras pareces simplesmente um miúdo ansioso à espera de receber um presente. O teu olhar denuncia-te sempre!
– Tenho frio… – Digo eu enquanto tiro o casaco propositadamente.
Às vezes gosto de contradições!
Dá-me um gozo descomunal provocar-te!
Olhas para mim sem te mexer. Sorris… Eu adoro misturas o sorriso com o teu lado provocador…
Insisto que tenho frio…
Continuas imóvel…
E eu começo uma luta sem fim… Entre o frio, a sedução e a vontade de te ter…
Descalço-me e em dois segundos estou à tua frente…
Pego-te nas mãos e puxo-te… Olhos nos olhos… Contornamos a mesa por instinto e o sofá por opção.
Ficamos em frente à lareira. Já não há frio… Apenas demasiados tipos de calor, misturados num só.
Tiras-me a camisola… E beijas-me cada centímetro da minha pele.
Ajoelhas-te… Tiras-me as calças… Entre beijos e brincadeiras nada inocentes, fico à tua frente apenas com a minha lingerie preta…
Baixo-me e tiro metade da tua roupa… Beijo suavemente os teus lábios, enquanto me abraças e me empurras para o chão…
Deitas-te em cima de mim. Enrolo as minhas pernas à volta da tua cintura… E deixo que me provoques ao máximo, com tudo o que tens…
Em menos de nada, sinto a tua respiração perto da pouca roupa que ainda tenho vestida… As tuas mãos a puxarem-me as alças do soutien e a brincarem com os meus seios… A tua boca a puxar-me a tanga preta… E de novo os teus olhos a seduzirem-me…
Sorris e começas lentamente a torturar-me… Muito devagarinho… Porque sabes que a seguir eu vou-me vingar a triplicar de tudo o que me fizeres…
E como o que fazes, fazes bem… Levas-me à loucura de uma forma alucinante. Puxo-te para mim… E passo para cima de ti. Tocas-me e seduzes-me com cada toque… Mais. Mais. E mais….
Agora é a minha vez de despertar cada um dos teus sentidos. Um a um… E mais algum…
As minhas mãos, os meus lábios, a minha língua… Perdem-se na imensidão de sensações que provocamos um ao outro…
E paro… No momento em que já não aguentas mais. No momento em que já não aguento mais.
Cada vez faz mais frio lá fora, com o cair da noite… Cada vez existe mais calor a envolver-nos… Despidos de qualquer pensamento… Partimos em busca do prazer máximo. Agora mais nada importa para além de nós…
Sedução. Paixão. Desejo. Brincamos com a nossa loucura como quem brinca com o fogo…
O segredo é esse…
E a explosão de magia que ambos descobrimos ao mesmo tempo, é a essência desse segredo!

 

Raio de Sol | #69Letras

Noite que ficou na história…

Com o luar que me ilumina, e a Lua como companheira, caminho sem destino, luto contra o meu desatino, deste sentir que me fascina, me torna tua heroína, princesa sem príncipe nem cavalo, esperando pelo meu vassalo, aquele que me faz sonhar e a felicidade alcançar.

E no alto do meu reino, aguardo-te em meus braços, onde nos rendemos aos abraços, tudo de mau se desvanece, o passado que nos magoa se esquece, o Luar ganha novo brilho, essa luz que no meu peito perfilho, e com a nossa entrega se enaltece.

Nesta nossa viagem, ao meu corpo prestas vassalagem, como se de um altar se tratasse, os teus desejos acalentasse, entre a bruma da floresta sombria, onde o Luar tece magia, sou menina e mulher, tudo o que o meu vassalo quer, numa entrega assoberbada, de sentimentos e sentidos pautada, onde não existe diferença, só dois corpos que um do outro reclamam presença, sem a títulos olhar, na forma mais pura de amar.

E quando a Lua se encontra com o Sol, tendo a terra molhada como lençol, afastam-se os amantes, sozinhos tornam-se errantes, cada um com seu destino, do seu amor assassino, ficando só na memória, uma noite que fica na história, onde encontraram a felicidade, longe de toda a maldade, mas como esta não é uma história de petiz, o seu final nunca foi feliz.

Miss Kitty #69Letras