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Fotografia

Fotografia
Fotografamos momentos
Momentos felizes
Momentos tristes
Mas esses momentos
Ficam presos no tempo
Ficam retratados numa película
Sem cheiro nem cor
Só lembrança
Lembrança de algo
que nos fez feliz
Mas a nossa memória
Supera qualquer pedaço de papel
A nossa memória grava cada gesto
Cada pormenor, cada cheiro
As cores que nos rodeiam
Com ela sentimos-nos vivos,
O nosso coração acelera
A cada recordação
Faz o nosso corpo vibrar
Para quê fotografar?
Se tudo o que precisamos
Está cravado, na alma,
No coração, na mente
Lola 2017 #69Letras

Foto

Pela objectiva da minha máquina imortalizo cada momento, cada vida.
Retrato cada olhar, cada gesto numa película
Momentos que irão ficar sempre na memória,
Serão apreciados por várias gerações.
Mas são momentos de desconhecidos.
E os meus momentos?
Por que objectiva vou gravá-los?
Quem poderá ve-los? 
Se os mesmos se encontram trancados a sete chaves na minha memória.
Mas gostava que…
Gostava que um dia pudesses ver,
Ver o quanto sonhei,
O que consegui atingir, quem amei
Com quem partilhei e partilho os meus segundos.
Se por breves minutos pudesses
Ver pela objectiva da minha mente….
©Lola #69Letras

Sinto-me cansado…

Quando? Diz-me quando…
Quando é que estas saudades que te tenho vão deixar de me atormentar?
Quando chegará a noite em que conseguirei dormir sem que me tires o sono de tanto pensar em ti?
Quando vou conseguir ver uma fotografia tua sem que o brilho nos meus olhos me denuncie?
Quando? Diz-me quando…


Sinto-me cansado deste amor solitário, mas não consigo convencer o meu coração a deixar de te amar loucamente.


Serei um eterno sonhador que acredita que ainda voltas… Que acredita que o amor verdadeiro nunca morre e vence sempre!


Acredito que a minha única cura és tu e a solução para todos os meus problemas é voltares a iluminar-me com esse brilho que só tu tens e até a minha alma venera.


SilentSoul #69Letras

És minha…!

Foi mais um jantar normal de quem se está a conhecer, mas de normal não teve nada, só os primeiros 20 minutos de conversa banal em que falámos de tudo e de nada, de defeitos e qualidades, projectos e sonhos, planos para o futuro e as dúvidas do presente. Foi quando me contaste que o teu hobby era a fotografia…

– Ora aí está uma coisa que adoro mas nunca tive muito jeito!

Digo-te em tom de confidência e pronto, a conversa descambou a partir daí.

Tudo em ti me atrai, sem te aperceberes consegues seduzir-me a mente com palavras meticulosamente escolhidas e, quando o fazes de propósito, mais mexes comigo. Não consigo entender esta minha reacção a ti, à tua voz e ao teu perfume, que me inebria os sentidos e faz perder a noção do que me rodeia.

De repente, no meio de provocações e afirmações, dizes que gostavas de me fotografar, para meu espanto.

– Não sou bonita nem fotogénica, o meu corpo é o que tenho, cheio de imperfeições, e não há nada de atraente ou perfeito em mim para o fazeres. Ao que prontamente respondes:

– O teu corpo é um mero acessório que cobre a Alma enorme que tens!

Quase que morri naquele segundo. Para além de lindo de morrer és romântico, penso para mim enquanto bebo mais um gole de vinho, engasgando-me quando ele me toca no joelho por baixo da mesa, até o vinho entornei por cima de mim. Não foi pela surpresa nem pelo atrevimento mas sim pelo arrepio que me percorreu de uma ponta à outra, forte, intenso e sem explicação.

Ficaste sem jeito, pedes-me desculpa sem saber como reagir, meio aparvalhado com a situação, e ofereces-te para me levar a casa para trocar de roupa antes de irmos para o cinema o que aceito sem pensar.

Ao chegarmos sobes comigo, entramos e peço-te para te sentires à vontade e aguardares enquanto me troco. Vou para o quarto, dispo-me e de repente lembro-me que não te tinha oferecido nada para beber, visto o meu robe de cetim só por cima da lingerie e vou ter contigo à sala. Começo a perguntar se querias beber algo quando bruscamente me interrompes:

-Pára! Não te mexas!

Fiquei imóvel, surpresa, quando te vejo tirar uma pequena máquina fotográfica do bolso.

-Estás linda, quero guardar este momento se não te importares.

Fico sem reacção, deambulo num misto de surpresa e excitação crescente, mas assinto e começas a fotografar.

De repente chegas perto de mim, dás-me um beijo no pescoço e com os dedos percorres a linha do decote do robe, abrindo-o mais um pouco. Não ofereço resistência, confesso que acho toda a cena extremamente excitante, quase que faço amor com a máquina fotográfica e isso também não te deixa indiferente. Puxas o cinto do robe e afasta-lo dos ombros fazendo com que caia aos meus pés e sem esperar, pelo meio de muitas fotos agarras-me pela cintura, puxas-me para ti e começas por me despir o soutien e depois as cuecas, deixando as meias, o cinto de ligas e os sapatos, tocas-me e sorris ao sentir quão húmida estou, neste momento já não reajo, deixo-me levar quando me pedes para sentar, dando-me um beijo urgente e doce.

– Toca-te, como se fosse eu, olha-me nos olhos e fá-lo. Quero decorar a tua expressão quando te vens para mim, fotografar o momento em que pela primeira vez te tornaste minha.

Surpreendida mas assinto, toco-me sem desviar os olhos de ti até perder o controlo e ter um orgasmo brutal que me deixa a tremer, impossível resistir-te e a toda a sensualidade do momento, e de repente vejo-me envolvida numa história de sedução e submissão à qual não consigo fugir, tornei-me a tua menina e tu o meu amo. O dar-te prazer é o meu prazer…

– Agora sim, és minha… Dizes.

Miss Kitty #69Letras

E se o meu corpo é pequeno a minha alma é grande quando está na tua presença!

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Não é segredo que nos rendemos um ao outro, tu à minha luz e eu à tua noite. Não é segredo que transpiramos os momentos que inspiramos. Ardo em saudades que não conto, passo pelos dias com saudades da tua singular noite.

Se um dia fui Rainha foi porque tu foste o meu Rei e o nosso sexo o castelo onde reinamos rodeados de perversão.
Que saudades de te ver caminhar até mim, a cada passo mais o manto da noite me abraçava e mais iluminado o meu corpo se sentia.
Chegas vindo de não sei onde, deixando para trás paisagens memoráveis, a lua guia-te até mim e revela-me o teu sorriso.
Vens leve solenemente despreocupado, com as mãos nos bolsos, de expressão cerrada e eu de sorriso espelhado.
Contigo trazes a decrepita noite e todo o mistério que ela esconde.

Como uma flor esquecida pelo dia frágil e ressequida pelo sol, afagas-me e acolhes-me no negrume do teu toque, esse mesmo que me dá a vida que havia um dia perdido.


Beijas-me silenciosamente e deixo-me embalar pela maravilha do teu olhar e se o meu corpo é pequeno a minha alma é grande quando está na tua presença. Não mais sinto angustia, não mais sinto indiferença, toda eu sou vida no destino do teu corpo.
Desfolhas-me com avidez e dedicação e toda a natureza nos observa, os animais noctívagos recolhem-se, os sons soam mais baixinho dando destaque ao prazer com que me deixas quando em mim entras…

… quando vais é dia…

nunca mais foi noite…

nunca mais fui colhida.

 © ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015

Fotografia: Via Tumblr

Carta de Amor

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Eu sabia que seria apenas depois de te teres ido embora que iria perceber a completa extensão da minha felicidade e, alas! o grau da minha perda também. Ainda não a consegui ultrapassar, e se não tivesse à minha frente aquela caixinha pequena com a tua doce fotografia, pensaria que tudo não teria passado de um sonho do qual não quereria acordar. Contudo os meus amigos dizem que é verdade, e eu próprio consigo-me lembrar de detalhes ainda mais charmosos, ainda mais misteriosamente encantadores do que qualquer fantasia sonhadora poderia criar. Tem que ser verdade. Martha é minha, a rapariga doce da qual todos falam com admiração, que apesar de toda a minha resistência cativou o meu coração logo no primeiro encontro, a rapariga que eu receava cortejar e que veio para mim com elevada confiança, que fortaleceu a minha confiança em mim próprio e me deu esperanças e energia para trabalhar, na altura que eu mais precisava.

Quando tu voltares, querida rapariga, já terei vencido a timidez e estranheza que até agora me inibiu perante a tua presença. Iremos sentar-nos de novo sozinhos naquele pequeno quarto agradável, vais-te sentar naquela poltrona castanha , eu estarei a teus pés no banquinho redondo, e falaremos do tempo em que não existirá diferença entre noite e dia, onde não existirão intrusos nem despedidas, nem preocupações que nos separem.

A tua amorosa fotografia. No início, quando eu tinha o original à minha frente não pensei nada sobre a mesma; mas agora, quanto mais olho para ela mais esta se assemelha ao objecto amado; espero que o rosto pálido se transforme na cor das nossas rosas, e que os braços delicados se desprendam da superfície e prendam a minha mão; mas a imagem preciosa não se move, parece apenas dizer: «Paciência! Paciência” Eu sou apenas um símbolo, uma sombra no papel; a tua amada irá voltar, e depois podes negligenciar-me de novo».

Eu gostaria imenso de colocar esta fotografia entre os deuses da minha casa que pairam acima da minha secretária, mas embora eu possa mostrar os rostos severos dos homens que reverencio, quero esconder a face delicada da minha amada só para mim. Vai continuar na tua pequena caixinha e eu não me atrevo a confessar a quantidade de vezes, nestas últimas vinte e quatro horas, que tranquei a minha porta para poder tirar a fotografia da caixa e refrescar a minha memória.

Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays

Fotografia: Via Pinterest

Ser mulher, é ser muito mais que ser homem

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Mulher, tu que és a nascente da vida, coração e alma da casa, da tarefa em telhado coberto tão dividida, em mil como tu todos os dias a vida não se atrasa. Mulher, mãe de olhos muitas das vezes cansados, dormes muitas das vezes em sobressalto, preocupada se os filhos já dormem descansados, incansável sempre nessa natureza que aquece como o sol lá no alto. Mulher, que na dor da espera no parto, olhos no fruto que de ti nasce, esse primeiro olhar inigualável e único de facto, felicidade estampada no teu rosto apesar do desgaste. Mulher, tu tens forças quase sobrehumanas, carregas a vida de quem te acompanha, peso nas costas, lágrimas de vida ufanas, teu corpo é perfeito nessa beleza tamanha que é ser mulher porque gostas da força que de ti emanas. Ser mulher é ser amor, essa palavra de descrição infinita, assim é ser mulher é ter o poder do calor, de aquecer o mundo nessa forma tão bonita, de conseguir o impossível de conseguir ter até alegria na dor. Eu já vi, não senti, mas no meu pensamento tão pequeno compreendi, que ser mulher é de uma amplitude enorme, que mesmo sendo homem de mãos duras é mulher que mata a fome e dá luz ás coisas mais puras. Ser mulher, é ser muito mais que ser homem, porque mulher na sua forma ás vezes tão fragil, consegue tirar forças onde nem os mais herculeos as tomem, para ser mulher, mãe e homem na sua forma simples de ser ágil. Ser mulher é realmente e apenas ser… Infinita.

O Inquilino #69Letras
Na fotografia: Monica Bellucci