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Podia ser um fado…

É tão triste este meu fado.
Toda esta enorme sina.
Que canto num grito abafado.
De mulher mas tão menina.
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Destino…

Ironia do destino, que me guia a vida com traço fino, linha ténue que se desvanece, que em nada me enaltece, e me envolve em névoa sombria, nesta noite chuvosa e fria, onde a vida se torna incerta, cheia de nada e deserta, traço esse que continuo a seguir, esperando que um dia o destino me possa sorrir.

Será talvez o meu Fado, este destino mal fadado, que teima em me pregar partidas, fechar todas as minhas saídas, põe pessoas no meu caminho, para logo as afastar de mansinho, como se comigo gozasse, e essa linha ténue enleasse, por capricho ou por prazer, de toldar o meu viver.

Não aceito esta minha sina, que me rouba os sonhos de menina, contra ela vou lutar, o destino desafiar, afastar as pedras do meu caminho, que passo a passo percorro devagarinho, dando um sentido à vida, feita para ser vivida, largando este definhar, e com unhas e dentes por ela lutar.

Miss Kitty #69Letras

A vida passa…

A vida passa, a um passo descompassado, gigante e acelerado, em que o destino é sina, dor que ninguém imagina, ou será talvez o meu fado, e o tempo inimigo e aliado, que me afasta apressado, de um passado tão indesejado.

Esse tempo é o meu fado, um fado mal fadado, de quereres, momentos e viveres, de tudo o que não foi alcançado, de um passado de prazeres, que a alma não saciaram, e no tempo perdidos ficaram, não passando de memórias, lendas fantasias ou histórias.

E no insistente presente, em que me foge o tempo, agarro-me aos parcos momentos, vivo sentimentos, neste coração parado, que na vida ficou estagnado, que com vontades se contenta, que o deixam triste e amargurado com uma falsa paz que o acalenta.

Mas esse passo apressado, que teima em não abrandar, e o tempo não parar, torna-se cada vez mais descompassado, e a sina da vida tenta mudar.

 

Miss Kitty #69Letras

Tenho dias que respiro devagar

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Tenho dias que o calendário toma conta da razão, quando olho á volta e envolto no senão do que está á minha volta não faz sentido sentir apenas que somos uma voz na multidão. Tenho dias de cinzenta alma, cheia de coisas vazias, esperanças ocas de odes gentis em que te sentes e prazeres erguias para dar prazer a almas também como tu, apenas vazias. Tenho dias que acordado adormeço, sem saber ou sequer ter noção com que linhas me teço e por isso mesmo por aqui me deixo em portas de apreço contido em seios de acolher este tamanho desleixo. Tenho dias em que olho para o passado e fico na vontade colado de pensar que o passado não é mais do que um futuro camuflado de cheiro intenso a fado imaginado em casa em que me sinta aconchegado. E nesses dias de tempo não, viajo sozinho sem bagagem de mão, abandono o meu corpo e deixo me ir na perda da razão e fico ali apenas só e inerte á espera que aquilo que sinto seja apenas dor momentânea, apenas um resvalo do coração.Tenho dias sim que respiro devagar, como se voltasse a aprender a respirar para continuar a me conhecer e no meio do caos voltar a aprender a saber, o que é viver.

O Inquilino

O perigo é teres receio do que desconheces

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O que é o perigo ?
Esse eterno desconhecido que nos impele as cautelas,
é o olhar penetrante quando estamos lado a lado,
é o mundo aberto que se tenta medir em tabelas,
é o corpo deitado de uma mulher em homem acautelado.

É a mulher no seu recôndito mais escondido,
é a vida que não se sabe mas que ás vezes nos sabe tão bem,
é o cheiro que não se tem e o sabor desconhecido,
é flor que não se abre mesmo quando o sol vem.

É o desejo de ter o que nunca se teve,
é o som da voz que nos embala no berço e nos faz esquecer,
é a noite feita dia e que em nosso peito contem,
a alegria de estarmos vivos mesmo sem saber o que dai advier.

O perigo é teres receio do que desconheces no passo descompassado,
de um coração ansioso mesmo sabendo que existem passos em vão,
é o que nos impele a sermos diferentes mesmo sabendo do passado,
e essa veia que temos de sangue na guelra e que nos dá a paixão.

Acautelando-nos, reservando-nos em nós nos acomodamos,
na esperança que a tristeza não nos faça voltar a chorar,
vivemos na certeza que aquilo que sonhamos,
não seja mais do que aquilo que algumas vezes nos faz pensar.

Em perigosamente vivemos muitas vezes mesmo ao pé do abismo,
como se tivéssemos o dom de o dominar,
tédio que se apodera de nós como um cataclismo,
e na certeza porem que algum perigo também é amar.

É  mulher sábia que o homem sabe dominar,
é a maneira hábil que tem de ser mulher,
é o homem que impelido pelo desejo se deixa enganar,
é a mulher que por está bem se deixa colher.

Viver perigosamente em vagas constantes,
deixa-nos exaustos sem saber muitas vezes o que fazer,
estarrecidos e desorientados ficamos expectantes,
que esse perigo nos possa algum dia acolher.

Mas a borboleta quando nasce da larva não sabe o perigo que é nascer,
mas da beleza que irradia em tempo seja ele de vida que num só dia,
e viva na sua mais completa alegria de poder por minutos viver,
nasce feliz por dar cor ao mundo e alegria.

Por isso te digo, perigo não significa negativo,
é apenas a incerteza que tem duas faces desconhecidas,
uma que tomamos com consciência que se erra porque se está vivo,
e outra que tomamos consciência por experiencias vividas.

Não há como fugir ao perigo mesmo que queiramos,
ele está presente em todo o lado,
mesmo quando nem do amor nos aproximamos,
e muitas vezes nos refugiamos no nosso triste fado.

Por isso vive com alegria e esperança,
leva as coisas de mente aberta e por isso te digo,
conhece, levando sempre na lembrança,
belos momentos vividos em cima desse mesmo perigo.

O Inquilino

?A vizinha #69Letras