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Sem olhar a quem!

Sei que poucos de vós me conhecem a cara, ou mesmo o espirito, mas posso-vos dizer que sou eterna criança.
Sinto-me todos os dias como se fosse uma gaiata que descobre tudo pela primeira vez.
Sou leve, levinha a quem me olha e pesada quem me quer mal.
Vibro com cores, formas e feitios.
Estudo todos os recantos da vida, pois sem ela seriamos inúteis.
Abraço assim tudo o que me conforta o coração e de certa forma rejuvenesce a alma, desde do nascer do sol à sua ida, apanho todas as manhas e segredos que o dia me oferece.
Bom dia, boa tarde e um como vai? São tão importantes que muitos não se apercebem do preenchimento de alegria que nós dá, da satisfação que é sentir a simpatia da alma humana.
Sou tão isto e tanto mais…
Espero que todos vós assim sejam, e se não forem…
Troquem a pressa pela calma de uma chávena de café à janela da vossa humilde casa, não deixem que a maldade da sociedade vos devore e sejam amáveis, troquei o telemóvel por uma sangria na praia com amigos de pés na areia e agarrem as noites quentes no campo com um piquenique!
Partilhem um “olá” com aquele senhor de olhar cansado que vai no barco convosco, de certo que com isto o dia dele irá ser melhor.
Porque alguém se interessou, reparou na existência de quem ali está.
Custa tão pouco ser humano, e felizmente consegui acordar para a vida simples e singela que me rodeia antes que a vida industrializada me levasse para longe.
Pratiquem a bondade,
Rezem à alma, seja qual for a alma.
Digam “olá”,
Não se esqueçam do “dorme bem”,
Sem olhar a quem!

©Krishna 2017 #69Letras

Por uma noite.

Texto escrito para a minha paixão platonica. Jared Leto.

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Fotografia: Jared Leto

Se te tivesse por uma noite, nem tu nem eu abriríamos a porta ao João Pestana! Ai não!
Passaríamos a noite acordados, numa king size de um hotel qualquer, rodeados de almofadas de todos os tamanhos e cores, lençóis desfeitos, janelas abertas e uma corrente de ar a beijar as nossas peles…
Se te tivesse por uma noite, as roupas à muito que nos deixariam de cobrir. Corpos livres de pudores, silhuetas reveladas pela luz da lua que se intromete pelo quarto dentro, a segunda fonte de luz, porque a primeira será a dos nossos olhares um no outro ou simplesmente esquecidos nas paredes brancas daquele quarto de hotel.
Se te tivesse por uma noite, entrelaçaríamos as nossas peles numa confusão de posições e sobreposições, estaríamos tão envoltos que a dada altura já não saberíamos a quem pertence o quê. Um só.
Se te tivesse por uma noite, teríamos conversas sem fim, conversas de alma alimento e nutrição!
Se te tivesse por uma noite, não quereria o teu sexo como todas as mulheres te querem. Não! Pelo menos para já, não é isso que quero de ti.
Quero conversar contigo, olhar para ti, partilhar o mesmo espaço físico contigo, e sentir o teu silêncio neste cenário que apresento.
Se te tivesse por uma noite os relógios vestiriam-se de pressa e da janela daquele quarto de hotel o sol comandará o fim daquela que é a minha noite perfeita ao teu lado.
E antes que ele tome conta do céu, já eu terei saído por aquela porta, saciada pela presença do teu espírito, sorriso e olhar naquele quarto de hotel.

 

A Vizinha