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Eu quero-te. Em caps lock com hífen e tudo!

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QUANDO QUEREMOS MUITO UMA COISA com muita força é normal que ela nos cause nervosismo e assim estou eu em relação a ti, a nós. Quero-te tanto que sou incapaz de sossegar com tanta desinquietude.

É…
O coração passou o dia todo com espasmos contra o meu corpo parecia ele que queria se escapulir e saltitar até ti. A noite foi mal dormida vi-me perdida num kamasutra de disposições e posições devido ás insônias. Onde estavam as ovelhas quando precisei delas para travar esta mente dramática incapaz de adormecer por estar a imaginar todos os possíveis e imaginários desfechos?
Tentei respirar fundo várias vezes e tentar relaxar…oh mas não consegui! Quanto mais me sentia na respiração mais te queria aqui a vivencia-la comigo.

Ai! Mas quando queremos mesmo muito uma coisa… como podemos nós olhar para ela com descontração? E se tu és mais um dos motivos que me fazem respirar com vigor como poderei eu não ter receio que algo corra menos bem? Não dá!
Hoje não fiz nada a não ser ver as preguiçosas das horas a passar e a aconselhar o meu podre coração a se acalmar, mas o teimoso não quis saber, fez-me sofrer o dia todo de antecipação.
Já não falta tudo e os sintomas desta inquietação começam a agravar. Tento a música para distrair mas não a oiço, as mãos suam e a minha barriga agita-se, não é fome nem vontade de ir à casa de banho, também não são borboletas, é este querer-te muito que já não se segura com tanta vontade!
Eu quero-te. Em caps lock com hífen e tudo!

Se ao menos conseguisses prometer que vai tudo correr bem…!

A Vizinha

Espasmos no abismo líquido

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Ele está a dois passos de mim… Três segundos e me perdi no verde-outono daqueles olhos. No teu pecado ou no meu?

Sigo em frente, ouço passos firmes e rápidos. Ando na direção do meu porto seguro…ele vem à sombra da fumaça do seu cigarro. No corredor passo por quadros que retratam rostos disformes, mãos que buscam nudez de Gueixa. Cortinas esvoaçantes dançam ao ritmo da tarde. Olhos se cruzam no espelho. Ao passar para o 3° andar ouço sua respiração. As luzes do fim de tarde atravessam a escuridão do corredor. Paro em frente ao retângulo bege. Alguns anos, de puro capricho burocrático com a vida, caem ao chão. Atravesso o vão do templo da retidão. Não passo a chave. Olho para a  banheira. A espuma convida. Deixo cada peça de roupa deslizar pelo meu corpo, como que, seres com vida, entendessem,  essa, momentânea eu, deixando-me seguir para o livre arbítrio. Junto delas se esvai cada centímetro do protocolo protetor.

Ele fecha a porta. Sinto seu calor, seu cheiro. Sua respiração anuncia.  Arrepios fluem destemidos. Meus cabelos são soltos e caem na cintura presa entre dedos arbitrários. Ele me mantém assim, à sua vontade. A língua invade. Liberta fico em suas mãos. Nesse interagir sem diálogo, personagens sem nome, deslizo solta, levada à doce força para um prazeroso enredo.

Ecoam sons, reflexos de átomos atraídos. As respirações cadenciadas como orquestra sob entendida batuta. Meu corpo é levado sem pressa, tomado como quem senta em uma praça, solitariamente e absorve o frescor do outono, deliciando-se, vagarosamente, num sorvete de pistache. Segue assim, sorvendo cada poro. O ventre toma forma, lateja… Quer! O ar embriaga. Cria-se a arena. Não sei se sou o touro, o pano vermelho, o toureiro ou mesmo a poeira lançada depois de cada “Olê” elegante. Logo sou um leque, frenético e frágil, de alguém na arquibancada. Ele dentro, vida dentro. O gemido vem entre lábios. Vozes em sussurros. Sou levada para fora do tribunal da consciência. Para ele sou Clarice-Marta-Angelina-Janis-Fabiani-Bartira-Ágata-Scarlet, sendo domada. Dois corpos em espasmos. Derramo-me, leve e dormente, em seu aconchego.

Volto à vida com o suspiro que me é contumaz. Lembro do abismo líquido do tédio e de como é saborosa a perversão.

Sigo em frente, com meus devaneios, com meu café forte e amargo ao som de… Ne me quitte pas.

Fabiani Ruiz

OLHOS VENDADOS!

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Hoje vou vendar-te os olhos, não quero saber se chamas o meu nome ou se pensas noutro,
deixei de me importar com os factos.
Hoje só te quero possuir, entrar em ti e fazer-te vir, levar-te à loucura,
mesmo que não seja eu no teu pensamento.
Quero-te encostar na parede e deixar-te sem fuga possível,
arrepiar-te o corpo, humedecer-te por dentro, fazer parte de ti.
Quero ver os teus joelhos fraquejarem a cada investida minha,
e enquanto tu imaginas de olhos vendados, nem sabes como gosto de ver parte de mim dentro de ti, a desaparecer.
Adoro ver-te a cravar as unhas no lençol, adoro ver-te morder a almofada tentando sufocar o grito do prazer…
Deixo-te louca e eu fico louco e é somente um jogo, sem vencedores ou vencidos,
apenas os nossos odores, onde praticámos nossos vícios.
Viciei-me em ti e no teu corpo que me liberta o prazer, ao mesmo tempo que o teu corpo suado Liberta espasmos e gemidos.
Exausta, quase perdes os sentidos…
Tiro-te a venda, olho-te nos olhos e digo-te:
“Não sei com quem fodeste mas sei que fodi contigo”…
Olhaste-me e sorriste…
“Não importa o teu nome ou quem és, só quero repetir tudo outra vez”…

Poeta Solitário

 

Guloso.

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Fotografia: Via Pinterest

Num sussurro revelas que me vais saborear muito devagar e que ao céu rapidamente iria chegar. Deves! Escarneci mentalmente. Nessa mesma tarde havia sofrido de um desejo subito e por três vezes, fui minha… Tão molhada e só minha… Há hora de jantar já estava nos braços dele, ou melhor na boca dele! Sem pressas, como se o tempo não existisse, vasculhou cada segredo meu, e na sua boca, senti-me como que a redescobrir-me. Sem relógios apressados, ele maravilhava-se entre as coxas,com o sabor adocicado do meu desejo, e a cada exclamação da sua degustação mais lhe dava a beber do meu suco… E sem avisar este meu corpo sucumbiu em espasmos de prazer, gemidos de fervor e mar de satisfação. Ele, ainda com a cabeça entre as minhas, deixou-se estar até deixar de sentir o meu coração a palpitar na suavidade dos seus lábios. Tentei puxá-lo até a minha boca para o beijar e lamber da barba o que restou de mim… Que estás a fazer? Pergunta ele – Ainda agora comecei. Guloso.