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Bicho…

Texto Erótico | M18

Esse beijo que consigo identificar em qualquer lugar no mundo…mesmo privada de todos os meus sentidos… Foi esse beijo que acordou todos os pontos sensíveis do meu corpo… O beijo que não esperava, já que andaste o dia todo na correria e a ser… O bicho… Continuar a lerBicho…

Quando amas no escuro é complicado

Quando amas no escuro é complicado,
quando o coração quadrado que fica petrificado e duro,
como um quarto fechado de paredes negras como a tua alma,
nem o vento lá fora acalma, nem o teu pensamento assombrado,
te deixa sossegar, dormes a espaços, em sonho guardado,
de vil posição em teu corpo exilado, hesitas na dúvida do teu duvidar.
E dizer, se podes dizer, se alguém um dia te possam compreender,
que será ela a razão do teu viver, ou simplesmente o seu querer,
seja igual ao teu, que o crescer conjunto, pode ser a diferença do teu não morrer,
e do dela amanhecer, para mais um dia de sol frio, na longa lista do teu já coração defunto.
E abraçar, poder cheirar o cabelo molhado depois do banho,
enrolar dedos no cabelo que apanho, e apenas cheirar,
ou sentir as costas quentes coladas a teu peito, e as línguas ardentes,
num desejo satisfeito, como estrelas cadentes, que viajam pela luz da lua,
em teu corpo de mulher nua, meu corpo no teu deitados no leito.
Quando amas no escuro, toda a vida se atrasa e os olhos fecham,
a boca se cala e as palavras que a boca deita, são pinturas vazias no muro,
em que a tela que pintas não fala, nem sequer sentes que existe cura para tal maleita,
não existe lá fora, porque o teu coração não se deita, estático, não quer ir embora,
procurar paragem noutro lugar, fazer do coração um ninho onde o amor possa voltar a morar.
Quando amas no escuro, não existem cidades de reclames em néon a piscar,
nem pontes com cadeados acorrentados quando o teu coração era puro,
nem existem bares, ou museus abertos ao domingo, em que te sintas bem a passear.
ficas no teu mundo a escoares, o pouco que ainda tens de ti e que ainda consegues dar,
a quem muitas vezes te dá aquilo que não lhe queres deixar, que é teu e está guardado,
no teu corpo, já gasto e formatado, pela espera do que possa advir de outro quarto pintado.
Quando amas no escuro é complicado, as horas são infinitas e os dias não acabam,
mas as noites, ai as noites são eternas de tempo parado, são camas cheias de imagens malditas,
que te atormentam a mente e não te deixam descansar, tectos que desabam e te oprimem numa ansiedade tal,
que desejas que o dia que começa possa chegar, para poderes voltar a sorrir, voltar a sonhar,
e achares que no fundo e afinal, pode vir a ser hoje o dia tal, em que te encontras e possas voltar pelo teu pé a caminhar.
Quando amas no escuro é complicado, o teu sonho num pesadelo formado.

Voltei a sentir-te com a alma.

615448_10152277488229132_8095765461350871392_oImagem: Fabian Perez

Ainda estávamos na café quando te sussurrei o meu desejo para mais logo, tomar um duche às escuras contigo.
o me perguntaste porquê apesar do teu olhar incrédulo apenas limitaste-te a sorrir e a consentir o meu pedido.
Foi no hall de entrada, com as luzes apagadas que nos despimos sem presas. Segurei a tua mão e atravessamos os corredores até à casa de banho.
Reencontrei-te naquele duche às cegas…
Foi assim que nos amamos naquele banho quente – à descoberta. Sem luzes, sem contornos iluminados, sem olhares, tu e eu, a água e o som da mesma a correr sobre nós e o vapor da temperatura a envolver-nos.
As minhas mãos pintaram o teu corpo na minha mente, as tuas mãos à descoberta dos meus traços leram o desejo da minha alma.
O amor é cego, surdo e mudo. Três sentidos que dissimulam a pureza dos sentimentos.
Sentir-te através do toque com a tua pele a esfregar-se na minha, limpou a minha cabeça poluída pelos outros sentidos.
Voltei a sentir-te com a alma.
Foi na escuridão daquele duche a dois que te voltei a sentir em mim.

Sejamos alegres como as manhãs de primavera.

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Quero que passe o inverno, e não pelas saudades que me traz do verão, mas este tempo frio e chuvoso faz-me tremer e sucumbir ás mais infinitas tentações de desejoso carnal, do tédio que se revolta no meu corpo com a saudade de ti. Vislumbro nas gotas que caem na minha janela cada curva de teu desenhado corpo, e imagino-te a ver gémeas desta gota bater incessantemente na tua, pedindo que o meu conforto sejam teus braços, e pernoitar contigo, calorosamente, pelos simples facto de te ter a meu lado. Quero que passe o inverno porque esta imagem não me serve de consolo e a ti não serve de guarida no escuro da solidão. Sejamos alegres como as manhãs de primavera.

Ricco #69Letras
Na fotografia: Monica Bellucci