Arquivo de etiquetas: escrita

Uma rapidinha entre canais e uma porta fechada!

Não consigo pensar em nada mais triste do que um fim de um amor.

Uma porta fechada, um quarto morto apenas com o som de uma rotina: deitar para cedo erguer para trabalhar, voltar jantar e tornar a deitar. Continuar a lerUma rapidinha entre canais e uma porta fechada!

Atenção! Não ler na diagonal!

Não é novidade que vivemos num mundo onde a opinião e a crítica são gratuitas. Não é novidade que hoje em dia e por força dos meios de comunicação e das redes sociais todos têm uma opinião formada sobre tudo, por mais ignorantes que sejam nesta ou naquela matéria. Também não é novo o facto de que ser diferente ainda choca uma gente tão aberta a toda a informação que a sociedade global tem para oferecer, ainda que filtrada pelos velhos preconceitos, pelos velhos estigmas sem sentido…

Confesso que eu própria me abstive de escrever este texto durante um tempo para não destilar veneno desnecessário…
Mas enfim, tinha que ser…

Continuar a lerAtenção! Não ler na diagonal!

As nossas escritas tecidas a sorrisos e mordidelas

Escreveste-me com inúmeros sentidos, escreveste-me movido por todos os sentidos…
Escreveste-me ternura, carícias, sonhos e projetos.
Escreveste-me paixão, tesão, fetiches e loucuras.
Escrevo-te movida por um coração que sinto palpitar na boca pelas ânsias de ti, por um desejo que não pára de crescer, por lamechices e fogo, pelo ronronar, pelos gemidos abafados, pelo doce cavalgar bem como pela canzana à janela… Escrevo-te completa… Continuar a lerAs nossas escritas tecidas a sorrisos e mordidelas

Ilumino-te. Apagas-me. Acendo-me e roubas a luz.

O único pecado que existe é não estares ao meu alcance, como poderei eu saciar-me se não te tenho aqui onde és preciso?
Preciso-te para que me preenchas com os teus pedaços de homem trágico. Luz todos a temos, mas quantos de nós entram no quarto escuro da alma em que habitamos? E desses quantos, quantos são os que o partilham ou se deixam visitar? Adoro-te por isto! Pela porta que me abres, onde rompo por ti a dentro e instalo-me na noite sem estrelas onde resides, bruto, liberto, nessa mártir que me seduz onde alberga a minha luz. Continuar a lerIlumino-te. Apagas-me. Acendo-me e roubas a luz.

Não interessa quantos são

Não interessa quantos são.
São todos filhos do coração, quem diria que eu teria um coração de tal tamanho.
Os dias correm, corremos com eles de tal forma que perdemos demasiado à nossa volta.
Tomamos por certo tanto que nos escapa entre os dedos.
O vosso crescimento, meus queridos sobrinhos.
Os vossos medos, receios, vontades e preguiças.
Desculpem se em algum momento me quiseram junto de vós e não consegui aí estar para vos confortar.
Todos os momentos são únicos quando estou com vocês, ensinam-me tanto em tão pouco tempo.
Gabo-vos a forma de encararem a vida, todos os problemas, com esse vosso sorriso sincero e genuíno.
Sei que às vezes a vida prega-nos rasteiras, a tia sabe. Mas a tia está cá para vos apanhar sempre… e nestas rasteiras não choram, são por vezes mais fortes que os adultos.
Só quero que chegue o dia em que tomem consciência do quanto adultos já são, sendo tão miúdos. Hoje tomo-vos as dores como as minhas tias de certa forma, tomaram. Mas sei o que vos custa.
Quando tudo cai à vossa volta, quando os papás tentam não vos mostrar toda a mesquice deste mundo, vocês meus seres inteligentes, sentem mais do que visualizam.
Vocês são enormes, nunca se esqueçam disso.
Toda a tia tem este dever, não posso dizer que é prepara-los, pois eles prepararam-se sozinhos.
Acompanhem-nos nesta caminhada, ajudem-nos a tornarem-se adultos conscientes e agradecidos. Esta é a nossa função como tias/tios.
Embora o meu útero ainda não tenha gerado vida, sei o aperto de um amor pequeno, baixinho e birrento.
Não saiu de mim, mas são meus.
Todos eles.

©Krishna 69letras 2017 

 


 

Momento íntimo de intelectualidade

Estava eu perdida…
Na minha leitura,
Na minha escrita,
No meu momento íntimo de intelectualidade.
Até me apareceres, desse modo.
Sem jeito nenhum fiquei.
“Não podes fazer isto desta forma!”
Dizia eu perdida, nos teus beijos que percorriam o meu corpo.
“Anda-te embora…preciso de orientar a minha semana de 69…!”
E tu ralado com isso não é?
Logo cheia de ideias fiquei.
Não consigo resistir a esse teu …
Encanto de me seduzir,
De me levar por maus caminhos em horas impróprias.
Não consigo negar.
Dás me vontade de chorar e pedir por mais…

 

© Krishna 2017 #69Letras

Densidades

 

O ar compenetrado e meio sisudo do dia a dia, traduz-se num manter a distância das pessoas, pelas quais não nutre o mínimo interesse. A mulher cinzenta do dia, que durante a noite devora livros e sites eróticos. Que tira a roupa que lhe circunda e amarra o corpo, mal chega a casa, e se transforma. Transforma-se num ser quente, voluptuoso, ardente de  voz sensual, profunda. A sua procura por densidades de sentires diferentes da monotonia do escritório, daquelas mentes, germinadas em provetas, de pensamentos  desprovidos de desejo, de fogo…

Já passou a fase do sonho, do imaginar… Um último olhar no espelho, para o retoque na maquilhagem, e ver como o vestido preto lhe assenta na perfeição. As suas curvas generosas, os seus seios fartos, os saltos altos, sem nada por debaixo… É assim que gosta… De não se sentir restringida pelas peças de roupa interior.

O táxi já a espera. Leva-a ao bar de sempre. Sem perguntas, sem insinuações. Têm entre si, um acordo de silêncio, com horas marcadas nos sítios assinalados.

Como gosta destas saídas, da antevisão do que poderá acontecer… do poder que detém e de como abre mão dele… Sim… e da exposição… Excita-a a exposição, a oferenda do corpo a um outro corpo… As mãos que lhe tocam, as que lhe querem tocar… A sua entrega é completa, intensa… É ali, no meio de tantos e tão poucos, que afugenta os seus demónios; que leva o seu corpo a um estado de absolvição total…

 

#TheOyster 69Letras® 27.02.2017