Arquivo de etiquetas: dormência

Desistir de sentir

Ela não sentia.
Apesar das marcas evidentes no rosto e do rasto de sangue que seu corpo involuntáriamente denuncia.
Anestesiada e sem fôlego.

Encolhida num canto de um quarto qualquer. Onde o espaço lhe é estranho e desconfortável. Mas isso pouco importa. 

Tudo o que ela vê é um vazio enorme à sua volta onde a vida perde cor e o ar não se respira. Um buraco de maneira macabra, familiar. 

Não sente. Por muito que a dor se intensifique até à exaustão do corpo. Não sente. O mundo já não gira, será isso? 

De olhar imóvel e alheio ao mundo, ela deixou de sentir. Porque o sentir a matou por dentro numa morte lenta e sem sentido. 

Quanto tempo mais dura esta dormência? Será salva num declive? Abandonada na valeta sem um único olhar se sentir? 

 

Autora da página Deusa do Caos 

©Miss Steel 69Letras 2017 

 

 

Eu em tua boca!

13382324_1439329186092557_1832371025_n

Texto Erótico|M18

Havia 2 anos que ele incitava vontades muito intimas em mim! Evitava o seu olhar, sua conversa provocativa. Certa feita, estava em casa, atirada sobre grandes almofadas, quando o celular tocou… li no identificador: Ele! Novamente provocando, novamente lascivo… Quando disse, por fim: venha! Dez minutos depois abri a porta! Ele entra um tanto tímido para o seu tempo de vida e experiência… eu não falo nada! Apenas o beijo lentamente! Suas mão percorrem as minhas costas e entendem os meus cabelos negros por rédeas o que faz com que o beijo seja um mergulho sem escafandro em mar revolto! Desço percorrendo o seu dorso com a língua… neste momento, todo o meu corpo o quer… lateja, molha! Encontro um tesão imenso que deixo invadir a minha boca… ele geme! Logo me afasta e por segundos olha para mim e vê a minha língua buscar os cantos da boca como se gotas de um vinho bom pudessem escapar por ali. Ele sorri e num sussurro rouco diz: Tu é minha! Minha! Fecho os olhos e o sinto entre os meus rins… sugando, acarinhando… sorvendo! Sinto suas mãos cravadas nos meus quadris! Levanto, viro-me de costas para ele e apoiando a perna no sofá… inclino o dorso e ele vem… e me doma! Eu tremia e sussurrava gemidos! Ouvia a sua respiração mudando de cadencia e fomos assim, num encaixe perfeito até a explosão de sensações e , enfim, a dormência!

Fah Ruiz

Além da tesão ou a da chamada química.

f6deaad303da6c61c9501f8aabfb59ec.jpg

Fotografia: Via Pinterest

Houve uma altura em que realmente duvidei que um dia fosse capaz de voltar a sentir algo por alguém. Algo além da tesão ou a da chamada química.
Estava convicta que em mim tinha esgotado qualquer capacidade de voltar a gostar de alguém.
Um dia, esta minha crença tornou-se numa anedota.
Aconteceu numa localidade que detesto, numa tasca que apenas servia para comprar tabaco.
Aproximei-me do balcão, fiz o meu pedido e senti-me observada por uma figura que apenas identifiquei quando estava de saída.
Olhos nos olhos, a pele suou, o corpo vibrou, a alma agitou e o coração pulou. Repito: o coração pulou, ou seja, mexeu, ou seja reagiu ao fim de anos de dormência, ou seja, afinal ainda existia amor em mim!! E no meio disto tudo, a melhor parte é que senti que ele sentiu também naquele imediato todos estes sintomas de vida.
E naquela localidade cinzenta, que ambos detestamos, deu-se um encontro, entre duas pessoas que nada eram, mas que tudo foram desde o instante em que deram as mãos com o olhar.

 

A Vizinha