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Nunca soubeste desta minha luta.

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Nunca soubeste desta minha luta.

Depois de te desculpares de mil e uma formas diferentes e insistires para nos dar uma segunda oportunidade, cedi e aceitei ‘perdoar-te’.
Perdoar-te…
Para ti foi como se nada tivesse acontecido, mas para mim, mais do que te aceitar de volta, foi uma luta diária, uma luta constante, uma luta que nunca soubeste o quanto dói e destrói.
Nunca soubeste desta minha luta, dos meses que demorei a ultrapassar para te voltar a sentir e desejar e apagar ou suavizar a lembrança da outra mulher com quem eu te partilhava sem saber.
Nunca vais saber desta minha luta entre lençóis!
Das luzes desligadas para não veres as lágrimas a cair, da insegurança em deixar-te ver o meu corpo.
Nunca vais saber que desde o momento em que entravas em mim o que mais queria era que te despachasses.. nunca vais saber que o teu toque fazia a minha pele doer, que os teus beijos me sabiam a falso e que enquanto me beijavas de um jeito que parecia apaixonado o meu peito gritava de mágoa.
Nunca vais saber que não te desejava, que te sentia dentro de mim como se fosse feita de gelo, apenas sentia os movimentos, mas o desejo sentimento tesão ou excitação apagou-se em mim…
Nunca vais saber desta minha luta em te perdoar e do quanto me esforcei para ultrapassar e nunca consegui.

© ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2017

Shiuuuuuuu, não digas nada.

 

Lancei-lhe um olá, foi tudo o que consegui dizer, mas tenho a certeza que o meu olhar lhe contou o quanto ainda a quero.
Como é que ela faz? Os anos passam, mas ela continua com aquele olhar inocente, e mesmo sabendo que não é, continua a deixar-me louco.

Como é que é possível?
Veste-se de inocência, sorri e cora com timidez, foge com o olhar quando se sente invadida, brinca com os cabelos quando a mente vagueia em sonhos e quando as roupas desaparecem da pele, veste-se de Afrodite, sorri de satisfação quando sobe para o teu colo, cora de desejo, devora-te não só com o corpo mas também com o olhar, segura nos cabelos e entrega-tos para que a tomes.
Menina que se esconde entre roupas, mulher que se revela quando se despe.
Já faz algum tempo que não te via, e durante todo este tempo é a ti que sempre quis e quero.

Eu sei que mexo contigo, e desta vez não vais fugir com desculpas, se abrires a boca é para te calar com beijos, e garanto-te, desta vez vais pegar fogo,

cede,
cai nos meus braços,
deixa-me desvendar a tua respiração,
decorar o teu cheiro,
deixa-te aquecer no meu abraço,
Shiuuuuuuu, não digas nada.

Sente, sente como os nossos corpos quando se unem giram como um furacão.

Nunca me senti assim, apenas tu, menina mulher fizeste o meu coração agitar, descompassar, podes tu agora, ceder ao invés de fugir e dares oportunidade ao amor?

 

© ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015