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Foto

Pela objectiva da minha máquina imortalizo cada momento, cada vida.
Retrato cada olhar, cada gesto numa película
Momentos que irão ficar sempre na memória,
Serão apreciados por várias gerações.
Mas são momentos de desconhecidos.
E os meus momentos?
Por que objectiva vou gravá-los?
Quem poderá ve-los? 
Se os mesmos se encontram trancados a sete chaves na minha memória.
Mas gostava que…
Gostava que um dia pudesses ver,
Ver o quanto sonhei,
O que consegui atingir, quem amei
Com quem partilhei e partilho os meus segundos.
Se por breves minutos pudesses
Ver pela objectiva da minha mente….
©Lola #69Letras

Subway

Fazes todos os dias o mesmo percurso de metro.
Vês as mesmas pessoas, mas há aquelas que passam na surdina e não te apercebes.
Pensas que passas desapercebida no meio daquela multidão, mas a tua postura, o teu brilho, só a alguns é que tocas.
Mas a confusão diária, não te deixa ver os sinais, porque todos os dias vais embrenhada nos teus problemas.
Mas um dia…. Abstraiste do que te corroi o ser e vai matando a tua alma.
Olhas ao redor e comecas a ver os rostos de quem partilhas todos os dias a mesma carruagem.
Até….
Até, que alguém sobressai no meio da multidão. Retribui-te com um sorriso e desvia o olhar.
Será que foi para mim?
A dúvida permanece até voltares a sentir o olhar e o sorriso de novo.
Será mesmo?
Tentas não pensar muito no assunto, pois vais rodeada de pessoas, secalhar até nem era para ti.
Nos dias seguintes sucede a mesma coisa.
Será que o conheço e não me lembro?
Vou a sair da carruagem e perto do ouvido, oiço:
– Bom dia e bom trabalho.
Rodo a minha cabeça e a mesma pessoa que me retribuia o olhar, tinha-me dirigido a palavra. Meia sem jeito, esbocei um sorriso por delicadeza e educação.
Afinal o sorriso era para mim. Mas eu não o conheço.
Não deixei que aquele bom dia me consumisse o pensamento.
Mais outro dia, o mesmo ritual, as mesmas pessoas. Mas desta vez, instintivamente, andava à procura dele e não o via.
Senti um aperto no peito e senti-me decepcionada. Mas estava a ser parva, não tinha o direito de me sentir assim, ele não me era nada.
Fiz o resto do percurso cabisbaixa. A minha paragem. Ia preparar-me para sair, quando sinto uma mão forte e firme a segurar o meu braço.
Ia refutar, mas ouvi aquela voz incondundivel a dar-me os bons dias.
Atrapalhada, retribui com um sorriso.
Saimos os dois e fiquei meio intrigada. Virei pata tràs para perguntar, mas quando dei conta, estava dentro da cabine de tirar fotos.
Encostada na parede metálica, sou albarroada com um beijo sôfrego, ardente.
Prende-me o cabelo, pressiona a boca de encontro à minha como se a quisesse devorar. Sinto as suas mãos ao longo das minhas pernas, passarem por debaixo do meu vestido. Arrancou-me as cuecas, de um só puxão.
Levantou-me a perna e pude sentir toda a sua pujança dentro de mim.
Soltei um gemido, que foi abafado de novo por um beijo selvagem. Senti-me a ser regada com toda aquela essência.
Com a respiração ainda ofegante, deixa-me ali, meia vestida, meia despida. Cheirou as minhas cuecas e levou-as com ele.
Incrédula com o que tinha acontecido, mas ao mesmo tempo sentia-me com ar de safada, aventureira. Compus-me.
Joguei a mão na mala à procura do telemóvel e encontrei um papel.
               Ricardo 917…….21 
       Aguardo mensagem tua.
Sai da cabine a sorrir.
Audaz e atrevido o menino, tudo bem. Vais conhecer a tua diabinha.
Respondi-lhe:
–  A minha mensagem é: Mesma hora, mesma carruagem, mesmo sitio. L…
Na manhã seguinte cada um em seu canto, cada um com um olhar de lince e desafiador. A minha paragem de saida, acontece tudo de novo.
© Lola 2017 #69Letras

BUS

? ?  Texto Erótico|M18 ? ?
O Bus faz uma travagem brusca, nem tempo tenho para me segurar.
Sou projectada para a frente e quase a bater com a cabeça no varão, sinto uma mão a rodear a minha cintura e a puxar-me para trás.
Ia retorquir, mas fiquei sem fala, quando senti o meu corpo encostar-se a algo parecido a um rochedo.
Olhei e vi, aquele monumento de homem que me acompanhava todos os dias, mas só nos víamos à distância, e de quando a quando os nossos olhares cruzavam-se.
Do nada o meu coração disparou! Tive de controlar a respiração e inconscientemente o meu corpo encaixou-se no dele.
– Está Bem? Não se magoou?
Senti pela primeira vez aquela voz rouca e forte, e o seu cheiro… Ai o cheiro! Que arrebatou as minhas narinas, deixando-me estonteada.
Ia tentar me desembaraçar daqueles braços fortes e seguros, que nem dei conta o quanto fracas as minhas pernas estavam, do susto que apanhei.
– Sim….Disse. E, ia caindo de novo e, de novo senti aquele braço à minha volta.
– De certeza!! – Retorquiu. Mas desta vez, olhei-o nos olhos e vi o seu olhar malicioso.
Porra!!!Que se passa comigo? Tentei recuperar as forças e tentar ficar longe dele. Mas foi impossível. O Bus estava cheio, não conseguia sair dali.
Desejosa que a paragem da minha saída, chegasse rápido. Precisava de me afastar daquele corpo, o som da sua voz ainda ecoava, a respiração dele entorpecia os meus sentidos.
Não conseguia raciocinar, nem agir. Foi como se estivesse presa a um íman.
Nunca nenhum homem me pôs assim. Preciso SAIR!!!
Cheguei!! Que bom!! Tive de empurrar as pessoas à minha frente para poder sair dali, o mais rápido possível.
Não olhei para trás, comecei a descer a avenida.
Do nada senti puxarem-me para uma ruela. Ia gritar.
Quando fui encostada à parede e silenciada com um beijo bruto, arrebatador, de perder o fôlego.
As mãos que me envolveram, senti que as conhecia, abri os olhos e deparei-me com ele. Aquele monumento do Bus.
Ia para me desviar e falar, mas não deu hipóteses. Voltou a beijar-me, levantou-me as  pernas, arrancou-me as cuecas e puxou-me para ele.
Pude senti-lo todo em mim. Senti o meu sangue ferver, o desejo que estava a sentir era incontrolável. Não conseguia controlar-me.
Deixei-me ir. Viemos-nos como se fossemos um só.
– Desejo-te desde o primeiro dia, que te vi, naquele bus. Anseio todos os dias para te rever. Nunca tive coragem de te abordar, até hoje. O teu corpo  e o teu cheiro despertaram desejos que nunca imaginei ter.
O que ele me segredou ao ouvido, senti um arrepio na espinha e o meu coração descompassado. Sai disparada e deixei-o sozinho, naquela ruela.
Cheguei ao escritório e a minha colega perguntou:- Estás bem? Está tudo bem?
Acenei com a cabeça :- Sim. Porquê?
– Porque estás corada e toda desalinhada.
Fiquei embaraçada e disse-lhe: – Houve um acidente no Bus. Vou só ao WC retocar-me.
Sei que ela não acreditou. Que se lixe!!
Passei o dia a pensar naquela ruela, no meu corpo junto ao dele..Como é possível eu ficar assim?
No dia seguinte….
LOLA #69Letras

O encantamento enobreceu

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Fotografia: Via Pinterest

Lindo foi o dia em que dois desconhecidos cruzaram o olhar pela primeira vez. O olhar fixou e assim nasceu aquela que foi a primeira vez que sorriram um para o outro. O sorriso a florescer, a timidez a rosar na face, e as primeiras trocas de palavras.
Apalparam terreno, deram passinhos bebé, mas a cada avanço, mais se reconheciam um no outro. O encantamento enobreceu, as palavras ensurdeciam com o desafio constante dos olhos atentos ao movimento da boca um do outro.
O nervosismo chegou, o sorriso pediu, o olhar faiscou, e os dois desconhecidos saíram pela primeira vez.
Descobriram que só foram desconhecidos até se verem pela primeira vez. Depois disso, tiveram a certeza que não foi mero acaso. Reencontraram-se.

A Vizinha

Não me desafies mulher

Oh ! Mulher atrevida , ousas desafiar me ?

A minha pele e a minha Alma vais marcar ?
Não me olhes com esse desejo , não queiras a minha atenção .
Saio à rua de manhã , encontro te sempre sem qualquer razão , sabes tão bem como fico !!!! Com o teu sorriso matreiro só me despertas tesão.
Não me desafies mulher… ou então !!!! Procura me amanhã e tira me toda a razão.

Stranger ( o vizinho )
Para “A” vizinha

#69Letras