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Sento-me em ti. Encaixe perfeito.

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Espreito-te pela ombreira da porta. Tu olhas-me. São eternos aqueles segundos em que nada dizemos. Sabes o que quero e porque estou ali. Desligas o telefone, afastas a cadeira da secretária, mantens-te sentado. É a minha deixa. Entro deixo a porta fechada, peça por peça espalho as roupas pelo chão do escritório e enquanto caminho até ti, desapertas o cinto, os botões da camisa, o botão e o fecho das calças e exibes o que quero. Sento-me em ti. Encaixe perfeito. Desejo furtivo, vai e vem sobe e desce gostoso, ancas gulosas. Saio de cima de ti quando atinges o orgasmo. Visto-me, compões-te. Despeço-me com um sorriso que anuncia que mais logo quero mais.

 

A Vizinha

Estamos ligados.

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Quando me perguntam qual a nossa ligação nunca sei o que responder, chego a corar e a gaguejar por não ter resposta ou conseguir explicar.
A nossa ligação!
Gosto de ti porque sim, sem ‘q’s’ nem ‘porquês’, por tudo e por nada, por nada ser tudo, pelo que és e por tudo o que não és.
É-me impossível definir ou catalogar a nossa relação.
Respeito-te sou-te fiel como uma filha o é a um pai, no entanto já nos comemos, mas não foi no acto que nos unimos. Não é coisa de corpo mas de mente.
És o amigo (muito mais que amigo mas menos que amante) onde encontro respostas nos momentos em que me sinto estranha inadaptada porque em ti encontro a extensão da minha mente que ainda a estou a descobrir.
A nossa ligação nasceu não sei onde e foi fortalecendo porque somos dois corpos nus e crus, onde mostramos o nosso pior lado e nos gostamos por termos esse mesmo lado, sem luz.
Loucos
Doentes
Ou dementes
Não interessa.
Estamos ligados. Não se toca, explica.
Apenas se sente.

A Vizinha

No Words

 

 

 

 

Corpos cansados, cada um para o seu lado, cigarros acesos e olhas-me como se fosse um anjo desprotegido,

a tua ternura fere-me finjo nem te notar e perco-me a olhar para o fumo do meu cigarro enquanto tu continuas

a fitar-me como se fosse a mulher mais bela que alguma vez conheceste,

não permitirei que me faças gaguejar quando dizes o que quão perfeita te pareço despenteada,

nua sem acessórios e maquilhagem na tua cama,

com as pernas encolhidas junto ao peito e o meu jeito tímido de colocar o cabelo atrás da orelha.
Quero a tua companhia e o teu calor,

renova-me a alma mas não ouses quebrar o meu coração com conversa desinteressante,

ou em elogios que estou farta de ouvir.

Não! Não faças isso.

Nada de palavras.
Toma o meu corpo,

é a melhor forma para me levares a ficar.
Sem palavras,

apenas corpos suados que colidem como se o mundo fosse desaparecer,

como se o s3xo fosse o único alimento que nos fará sobreviver.
Silêncio.

© Cátia Teixeira 69 Letras 2015

A nossa cama não é mais a mesma.

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Nos seus tempos de glória, atraía-me sempre que a fisgava pelo canto do olho.
Seduzida por ela, atirava-me para o colchão e desafiava-te a amares-me novamente.
A nossa cama escolhida com tanto desejo revelou-se cúmplice do encaixe perfeito dos nossos corpos, os lençóis cheiravam à nossa paixão e foi neste colchão que por tantas horas as nossas almas deram as mãos e comunicaram no silêncio dos corpos cansados.
Desde que partiste, a nossa cama nunca mais foi a mesma. Também ela me abandonou.
A cada dia que passa torna-se maior, já não me embala nem me seduz.
Sou engolida pelos lençóis no vazio da cama, o frio impera e o meu corpo encolhe cada vez mais pela falta do teu abraço.
Outrora esta cama foi palco do nosso amor, hoje, já nem ela sabe o que isso é.

A história poderia ter sido outra.

Na fotografia: Kendall Jenner
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A história poderia ter sido outra.
Terminado com dois corpos juntos suados após uma noite de desejo livres de preconceitos.
Em vez de ter recebido um beijo desapontado na cara, naquela despedida com sabor amargo, poderíamo-nos ter beijado e corrompido o ar que nos envolvia.
Este primeiro beijo, adivinho-o ardente, explosivo, sôfrego, faminto desde o primeiro toque até irmos parar a um quarto.
Em vez de ter ido para casa sozinha, poderia ter ido acompanhada e conhecido o calor do teu toque.
O desfecho daquela noite, poderia ter tido o cenário sexual que tanto imaginamos.
Poderia esta, ser outra história.
Uma outra história de sexo sem preconceito e desejo que nasceu com dois olhares que sorriram quando se cruzaram.

descobri que tu és muito mais que prazer…

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Existe uma memória da ultima noite, que ficou suspensa no meu olhar.
Nós dois sentados, frente a frente, despidos de barreiras e no ar o cheiro do nosso amor.
Tu és mais que prazer.
Despidos de roupas, olho-te. Gosta tanto de olhar para ti!
Se tivesse poderes, tornava aquela noite eterna e passaria a infinidade daquele momento a desvendar os mistérios da tua pele junto com os segredos que o teu olhar esconde.
Cumplicidade.
Dois corpos felizes e encantados um com o outro.
Estes dois corpos, éramos nós!
Nós! Não eu, não tu, mas nós!
Coro com o teu olhar e desfaço-me no teu sorriso.
Tu és atrevido, mas a minha espontaneidade faz-te rejubilar!
Tiro-te o ar com o fogo da minha juventude e enfeitiço-te com o desejo que carrego de ti que te deixo sentir.
Fazes-me contorcer nas tuas mãos vis, e enfraqueces a minha voz com os gemidos que me provocar.
Na memória da nossa ultima noite está a lembrança do nosso olhar.
Olhar cúmplice.
Olhar que assiste ao sonho a tornar-se realidade!

Esta noite sonhei contigo. Sabe-se lá porquê!

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+18 | Texto erótico |Sabe-se lá porquê estavas sentado à beira de uma cama, e eu em pé à tua frente.
Isto sim é estranho, que estávamos nós a fazer num quarto?
Lembro-me que estávamos a conversar dos assuntos já habituais entre nós, quando de repente sou invadida por um louco desejo momentâneo.
Naquele instante, apenas via o movimento dos teus lábios, mas nada ouvia. A minha audição estava atordoada. Os meus sentidos estavam apenas centrados no calor que surgia entre as minhas coxas.
Um calor invadiu-me, suores frios caiam sobre mim, e naquele quarto, para aquele momento, só tu estavas lá, creio que se não me aceitasses amar naquele instante, acabaria por desmaiar com tanto tesão.
Por favor, deixa-me sentar em ti – Pedi-te.
Não fizeste perguntas, nem brincaste com o meu pedido, apenas te prontificaste libertando o teu s3xo dentro das calças, dispo as calças do pijama ( porque raio estava eu de pijama?), e sento-me em ti.
Ali, tu sentado na beira da cama, eu sentada sobre ti, fomos um só.
Tu impulsionavas-te para mim, e eu empurrava-me para ti… esfregámos-nos numa melodia perfeita, por um tempo que parecia infinito, pois os nossos corpos libertavam agua, o cansaço na respiração ja se ouvia, mas o desejo não desvanecia…
Entretanto acordei, ainda a flamejar entre as pernas… mas tu já não estavas lá…

© Cátia Teixeira 69 Letras 2017