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O prazer é…!

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O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que se estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e o coração, e não estou perdendo nada! E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre!
Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso de ser. Mas vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza com esse vazio-pleno: gastá-lo.

Clarice Lispector

Fotografia: Via Pinterest

…sei que estava a cometer um erro, mas era bom demais.

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A terminar de dar as aulas aos seniores, a preparar tudo para o merecido descanso.
Um bom banho, um bom vinho, uma refeição quente e o descanso dos deuses, era o que mais queria.
De costas para a porta, não senti que tinham entrado.
Sinto umas mãos fortes abraçarem me a cintura.
Virarem-me, agarrou-me na nuca, puxando um pouco os meus cabelos e beijou-me sofregamente e com paixão.
Não tive reacção, mas aquele beijo quente e forçado, fez-me ceder. Deixei a minha boca entreabrir-se.
Quase a perder o fôlego, senti-o afrouxar o beijo, abri os olhos e reparei que era um dos meus alunos.
Tentei escapar das garras dele, mas ele puxou.me mais para ele.
Disse-me que não resistia mais, tinha-me de sentir, de me possuir. Retorqui e disse-lhe que era impossível, questões de ética.
Tentei de novo desembaraçar-me de seus braços, mas ele entalou-me entre seu corpo atlético, torneado e o quadro.
Subiu-me o vestido, senti as suas mãos a percorrerem cada parte da minha intimidade. A minha respiração acelerava e não conseguia libertar-me.
Queria fugir, mas o diabo que ele estava a despertar em mim, queria ficar. Tentei resistir, mordendo o meu lábio para regressar à realidade, mas esse gesto foi como se o incentivasse ainda mais.
Pressionou-me mais contra o quadro, enquanto me beijava senti toda a virilidade dele em mim. Arfei…Afrouxou o beijo e começou a acariciar-me por todo o meu corpo, sempre dentro de mim.
Até me ouvir soltar gemidos de prazer, até ver o meu olhar vidrado de gozo e o meu sorriso de puta satisfeita.
Os meus poros cederam em todos os aspectos.
Disse-lhe que não poderia acontecer de novo. Acenou a cabeça com o sorriso de cabrão.
No dia seguinte, durante toda a aula sentia o olhar dele a percorrer todo o meu corpo e sentia-me a queimar. Sentia-me nua. Terminei a aula.
Ele parecia que não tinha ouvido o que lhe disse na noite anterior, pois voltou a carga e desta vez não lhe resisti.
Queria-o sentir de novo, sei que estava a cometer um erro, mas era bom demais.

Aquela sala de aula………

LOLA #69Letras