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Não tinhas o direito! Não podias…

 

Porque é que o fizeste?

Fotografia: Via Tumblr
Estavas a tentar provar que afinal não sou feita de gelo? E agora que já sabes que por baixo desta capa ainda existe a mulher que um dia tocaste, o que é que tu vais fazer? Se nada é a resposta então já te digo que te devias ter deixado ficar por aí… pelo nada. Valia mais!
Não tinhas o direito! Não podias…
Não podes chegar e beijar-me! Dar-me a mão e descobrires-me frágil perante o teu avanço já que não tens intenção de me amar! Não podes dar á minha boca o refresco que é o teu beijo, não podes sacudir o meu coração e deixar-me assim sem saber para onde ir e o que fazer com este gostinho de felicidade com que pintaste meus lábios.
Não se faz.
Foste o verão que nunca esqueci, foste a luz da minha noite, tocaste-me genuinamente como antes nunca fora tocada, e eu tenho saudades disso! De quem eu era ao teu lado, mesmo que tenha sido breve, a mulher que conheceste é a mesma por quem sinto saudades. Tu foste e ela escondeu-se… fechou-se numa concha, pérola essa que nunca mais foi alcançada como um dia tu a marcaste…

 © ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015

Que amor sobrevive por meio do egoismo?

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Recordo aquele amor como recordo uma história, lembrança de um sentimento, mas hoje já não fere ou inflame. É uma passagem, uma história, uma no meio de tantas outras já vividas.
Se vivi, faz parte de mim!

Lembro-me tão bem daquele amor que em tempos me transformou numa super heroína. Era vê-la incansável a mover montanhas a bater o pé tal bandeira hasteada a reivindicar que nada a demovia de amar aquele homem. Vieram as gárgulas, as sereias matreiras, as bruxas com as garras de fora e os ogres, mas ela derrubou-os e a cada combate mais forte se tornava aquele amor. Era ele o meu proposito, a minha criptonite mas também quem me nutria.
Ela virou costas a tudo o que era contra o que o seu coração pedia, como se o seu coração apenas batesse devido à força daquele amor.
Foi assim durante infinitas temporadas, foram as batalhas cada vez mais cortantes, a força dela já não chegava porque ele nunca vestiu a capa. Que amor sobrevive por meio do egoismo? Que amor prospera quando não é regado? Amor dúbio que destrói qualquer coração adornado de sentimento.
E foi assim, como seria de prever que aquele amor dos velhos tempos forte e destemido pronto para enfrentar a fúria, com o tempo tornou-se débil. Pobre furação que se dissipou, perdeu a energia e murchou.
Ela tirou a capa e nua em frente ao espelho lavada em lágrimas decidiu ser a sua super heroína. Ele… bom, ficou com saudades dela!!!

?A Vizinha

?A vizinha #69Letras

Salva-me. Não fiques a assistir.

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Se me vires a tentar destruir-me, não fiques a ver, vem, eu quero que venhas. Tu.
Quando me vires a afogar vem salvar-me coloca-me nos teus braços, pousa-me na areia e ensina-me novamente a respirar.
Traz-me paz, novos mundos, novos oceanos, rasga a capa que todos os dias visto, e deita-me nua na tua cama.
Olha-me agora, sem a capa vestida com as luzes acesas e ouve no meu olhar tudo o que escondo do mundo. Não me faças falar, ouve, guarda para ti e abraça-me no final.
Vem até mim. Tu.
Observa-me com atenção quando estiver deitada na tua cama. Lê o meu olhar, sente a paz da minha minha respiração, tudo o que vês, tudo o que em mim gostas é a luz que refletes em mim.
Salva-me. Não fiques a assistir. Salva-me e toma-me nos teus braços.
É tudo o que quero.
Brilhar sob o teu olhar.

A Verdadeira História do Capuchinho Vermelho

 

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Naquele dia o que ela mais queria era fazer-se mulher nas mãos daquele predador.
Nada do que sucedeu nesse dia, foi por acaso, aquela menina inocente premeditara tudo.
Com a casa da avó livre como cenário Capuchinho fez-se à estrada.
Colocou um leve vestido branco rendado na aldeia onde vivia, e nesse dia fez questão de poupar a mãe, coitada que trabalha tanto, e foi ela mesma quem preparou a cesta onde muito obedientemente levava o lanchinho à avó que vive no bosque todos os santos dias. Capuchinho rejubilava quando chegava a hora de se fazer à estrada e hoje não seria diferente.
A linda menina de lábios inocentes da cor do pecado seguiu sem olhar para trás em direcção à casa vazia da avó envolta na capa encarnada que sua mãe costurara para si.
Imaginem só aquela doce menina de pele clara, lábios pequenos e pureza espelhada no olhar a correr no bosque sozinha nervosa e ansiosa!
Pousou na mesa do chá o bolo e o pote de mel e do fundo da cesta tirou o que tanto escondeu da mãe.
TOC TOC!
Com o peito aos saltos, o corpo a tremer, e a ansiedade nas faces rosadas, Capuchinho Vermelho abre a porta em lingerie da cor da paixão, cabelos caídos nas costas, e atira-se para os braços do seu lobo.
Conhecera-o no dia em que trouxe pela primeira vez o lanchinho para a sua querida avó, e desde aí, fez questão de ser incumbida dessa função.
Capuchinho Vermelho foi arrebatada por aquele 69 do bosque que a fez derreter com o seu sedutor olhar.
Os passeios pelo bosque, os pés descalços no rio de aguas límpidas e cristalinas, as flores exóticas que juntos apanhavam, deixaram de ser suficientes. Foi ela, aquele doce menina, que quis tornar-se dele! E foi naquele dia, que o predador dos bosques, comeu a virgem da capa de vermelho e a tornou sua mulher sob a dança do corpo esculpido pelas horas de trabalho como lenhador naquele bosque.
Quanto à avó, que terá ela ido fazer para não estar em casa no dia em que a sua neta planeou deixar de ser menina? (esta será outra história)

 

A Vizinha

Fotografia: Via google

Represento.

Ilustração: Adara Sanchez Anguia

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Como eu consigo?
Não consigo.
Visto cores alegres para esconder a alma, e uso falsos sorrisos sinceros para ajudar nesta farsa.
Ao fim de várias repetições vai-se tornando mais fácil fingir que não tenho saudades tuas, e que não choro a tua partida.
Como eu consigo?
Não consigo.

Represento.