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Que se f#€@m as regras!

Perfeita esposa e dona de casa é a minha marca registada para o mundo. Envergo o vestido perfeito que combina na perfeição com a maquilhagem cuidada e subo os degraus do sucesso com os meus sapatos de salto altos com a altura ideal para a ocasião.
Espero pelo táxi de forma ordeira e civilizada.
E eis que o caos se instala…
Um sem carácter machista derruba-me com o seu fato amarrotado e mal cheiroso com o intuito de me roubar o meio de transporte.
– Chega-te para lá boneca! Aqui o pai tem mais que fazer!
– Desculpe?
– Vai para o centro comercial gastar o dinheiro do velho que te sustenta, vai!
Meus punhos fecham-se, meu olhar irradia raiva e revolta e minha boca sente antecipadamente o sabor a sangue do meu inimigo à minha frente entrando no MEU táxi.
Antecipo-lhe os movimentos e bato-lhe com a porta na cara pondo logo a besta a sangrar do nariz. Com o salto do sapato, piso-lhe as partes intimas, bem mais precioso daquele homem e faço-o gemer por misericórdia.
– Minha senhora, isto não é assim! Não pode partir assim o vidro da porta do carro! Vai ter de pagar! Existem regras!
Meu olhar de raiva abranda num ar aborrecido e desdém.
Mudança de alvo!
Pego-lhe nos colarinhos engomados e a cheirarem a naftalina do taxista, estico o meu tão elegante dedo do meio e unha pintada de cor de rosa e respondo-lhe;
– Que se f#£@m as regras!

©Miss Steel 69letras 2017

Mar nunca antes navegado

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Parece que foi noutra vida quando o mar nunca fora violado nem as florestas desbravadas, quando em mim habitava um coração intacto e uma mão aberta ansiosa para amar preparada para receber e se entregar. Parece uma outra vida, tão distante desta que agora conheço, foi antes da poluição, dos sismos,das erupções vulcanicas e do degelo dos oceanos, foi antes de conhecer o lobo na pele de cordeiro, o melhor de todos os atores, o incrível imbecil destruidor de sonhos. (“Quem nunca se cruzou com um?”). Tudo isto foi antes de me terem arrancado o que de mais puro tivera, dentro do peito, um coração de sangue jovem, ingenuo e virgem, eterno sonhador, crente romântico, de forma prometida, suave, leve, regular doce e apaixonado com genuíno sentimento. Fora-me arrancado, vi-o sangrar nas mãos do saqueador de histórias de amor, vi-o ser jogado no chão  e o coração que antes era  vida em pedra se transformou quando no piso tocou. No chão rolou… rolou… pelo caos atravessou e a sua forma mudou e hoje de mão fechada, na minha pele ainda sangra.

 

A Vizinha