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Ontem foi dia da mulher e não te liguei!

Ontem estive para te ligar, afinal de contas era dia da mulher, senti que deveria pertencer às  massas daquele dia, mas que mais te poderia desejar para além do desejo que te entrego sempre que encerramos os dias enrolados na pele um do outro?
Que mais de diferente podia eu fazer, se todos os dias me lês este desejo e a cada dia me descobres mais apaixonado por tudo o que és?

Liguei-te hoje.

Disse que te amava e que desconfiava que amanhã te iria amar ainda mais! Descobri na tua voz que não  estavas descontente por não te ter ligado ontem, antes pelo contrário, contente.

Obrigada por me amares todos os dias, foi o que ouvi quando desligaste.

Gosto de ti assim, segues a tua corrente, a nossa corrente, não  te deixas cegar pelo que acontece lá fora, caminhas dentro da nossa história, o ritmo é  só nosso, e o que temos é um mistério para o mundo, juntos internacionalizamos a nossa relação dentro um do outro, a sorrir um com o outro em orgasmos que nos tiram da pele e pairamos numa celebração tão  nossa, tão  pessoal, tão cheia…!

Amo-te.

 

© Cátia Teixeira, A Vizinha 2016

Tenho dias que respiro devagar

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Tenho dias que o calendário toma conta da razão, quando olho á volta e envolto no senão do que está á minha volta não faz sentido sentir apenas que somos uma voz na multidão. Tenho dias de cinzenta alma, cheia de coisas vazias, esperanças ocas de odes gentis em que te sentes e prazeres erguias para dar prazer a almas também como tu, apenas vazias. Tenho dias que acordado adormeço, sem saber ou sequer ter noção com que linhas me teço e por isso mesmo por aqui me deixo em portas de apreço contido em seios de acolher este tamanho desleixo. Tenho dias em que olho para o passado e fico na vontade colado de pensar que o passado não é mais do que um futuro camuflado de cheiro intenso a fado imaginado em casa em que me sinta aconchegado. E nesses dias de tempo não, viajo sozinho sem bagagem de mão, abandono o meu corpo e deixo me ir na perda da razão e fico ali apenas só e inerte á espera que aquilo que sinto seja apenas dor momentânea, apenas um resvalo do coração.Tenho dias sim que respiro devagar, como se voltasse a aprender a respirar para continuar a me conhecer e no meio do caos voltar a aprender a saber, o que é viver.

O Inquilino

Sinais que marcam calendários

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Resolvi flectir o pescoço
olhar sobre o meu peito
e descobrir os sinais sem tempo…
Aqueles que passeaste com dois dedos
num mapa de rotas infindas…
Onde relaxaste a mão
Quando…
chagavas ao porto seguro…
Sinais que marcam calendários
de folhas que fui rasgando
dia após dia
Perguntei em surdina
à onda que vinha
se sinais me levava…
Os do corpo ao menos!!
Porque tinham saudades do teu tactear…
A onda veio e disse:
No mapa das memórias não mexo
no calendário do tempo não entro
lembranças ficam,
boas ou más!
Ouvi …
Olhei de novo sobre o peito
E ao espelho com dois dedos
Percorri…
Sinal a sinal
dos que tinham…
saudades de ti!

Ela