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Noites no Cabaret – Conto VI

TEXTO ERÓTICO M|18 ? ? ?? ? ?

 

CAPÍTULO VI
Ele acordou aquela essência que há tanto tempo resolvi enterrar.
Não consegui perceber se estava a ser observada como presa para ser devorada ou como obra arte.
Debruçou-se sobre mim, recebi um beijo suave que foi alongado para outro mais esfomeado. As suas mãos começaram a explorar o meu corpo, arrancando gemidos fazendo o meu corpo mesmo involuntário ceder aos caprichos daquelas mãos.
Queria fazê-lo parar, mas ao mesmo tempo o meu corpo pedia mais, como se fosse uma necessidade, algo que desejava há muito.
Mas a forma como era tocada, beijada, amada, derrubou todas as minhas barreiras.
Perdi a noção do tempo, acordei sobressaltada com os primeiros raios solares a baterem no meu rosto.
Olhei ao redor, coloquei num ápice os meus pensamentos em ordem.
Lola, o que fizeste?? Juraste nunca mais ceder a nada, nem ninguém. Como é que o deixaste entrar.
Vesti-me rápido para não o acordar e subi para o meu apartamento.
Enfiei-me debaixo do chuveiro, estava com raiva de tudo o que me lembrava..
Como era sábado, regressei a cama, tentava adormecer mas só me vinha à cabeça a noite passada e o porque de ter cedido.
Evitei cruzar-me com ele no prédio e, no cabaret tentei ter o mínimo ou quase nenhum contacto com ele.
Mas para surpresa minha, o canto onde ele passava as noites a vigiar-me, estava vazio.
Até as raparigas da boite perguntavam-se o que tinha acontecido com ele, não era normal.
Os dias, semanas foram passando e cada vez mais sentia um aperto no coração, um vazio.
Sentia falta do seu olhar.
Ficaram cada vez mais nítidas as imagens daquela noite. A única noite em que nos conhecemos realmente.
O meu corpo estremeceu só de relembrar e o meu coração acelerou como uma bomba-relógio.
Sentia necessidade de o ver de novo, de o sentir, das suas bajulações.
Passava todos os dias à sua porta na esperança de o rever.
Maldição!!!
Estava a apaixonar-me de novo. Não podia ser, vou sair magoada de novo.
Absorta nos meus pensamentos, não reparei no degrau a sair do prédio e ia caindo, quando senti segurarem-me fortemente pela minha cintura.
Virei o rosto para barafustar, mas….fui recebida por um olhar triste, rosto abatido como se tivesse estado sem dormir dias a fio.
Era o Helder.
Agradeci-lhe, dei-lhe os bons dias.
Fiquei com uma vontade louca de o beijar e afagar o seu rosto nas minhas mãos e dizer-lhe “Estou aqui para ti. Amo-te”.
Mas o meu orgulho falou mais alto. Continuei caminho, deixando-o à porta.
Sei que me seguia com os olhos, pois tinha aquela sensação de estar a ser observada.
Nessa noite, quando cheguei ao Cabaret, lá estava ele no canto habitual. Mas aquele ar abatido foi substituído por um olhar frio, insensível.
Senti um frio no estômago, mas segui em frente e deixe-lhe a sua bebida habitual wisky.
Ia a rodar os calcanhares e ouvi a sua voz, que me congelou por completo:
– Deixa a garrafa, se faz favor Lola.
Coloquei-a na mesa e fugi dali.
Que raiva! Ele faz-me ficar tão vulnerável.
Tentei distrair-me o resto da noite, a Rita perguntou-me várias vezes se estava bem. Assenti que sim.
A noite terminou calma. Fazia o meu percurso para casa como todos os dias, mas hoje, sentia-me observada, seguida. Acelerei o passo, desejosa de chegar a porta do prédio.
Mal coloquei a chave na porta, fui abalroada contra a parede, ia gritar. Mas, fui abafada com um beijo bruto, selvagem.
Queria me desembaraçar, mas ele era mais forte que eu e, pressionou-me o peso do seu corpo no meu.
Reconheci quem era, o meu corpo baixou num ápice a guarda. Deixei de resistir, como podia.
Sentia falta dele.
O Helder apercebeu-se que tinha deixado de lutar, afrouxou o beijo. Olhei-o bem nos olhos, estava meio embriagado, por momentos vi reflectido um brilho de paixão, assim me pareceu.
Mas ao olhar de novo, tinha desaparecido.
– Diabos, mulher!! Tens noção do efeito que surtes em mim? Esse teu sorriso, a tua forma olhar desafiadora e carinhosa. Esse teu corpo que desejo como um animal faminto. Tens noção como tenho lutado estes dias todos para não arrombar a tua porta e voltar a ter-te nos meus braços, fazer amor contigo.
Não sabia o que responder. Mas tinha a certeza que o que sentia por ele, era recíproco.
Afaguei as minhas mãos no seu rosto e deixei os meus lábios selarem-se nos dele. Senti o seu corpo estremecer de encontro ao meu.
Pegou-me ao colo, entramos. Deitou-me naquela cama, onde nos amamos a primeira vez.
Sem deixar de me beijar, despiu-me e fiz-lhe o mesmo.
Vi de novo aquele brilho no olhar, o seu sorriso. A sua boca percorreu cada canto do meu corpo, entretendo-se nos meus seios, barriga, baixo ventre. Fazendo me largar gemidos.
A língua quente dele, arrepiando-me toda, mas mesmo assim não o deixei sair de onde estava.
– Quero fazer amor contigo. – Disse-me.
Não precisei de dizer nada. Penetrou-me.
Cada vez que aumentava os meus gemidos, ele acelerava. Até atingirmos os dois o climax.
– Amo-te, sabias? – Disse.
– Eu também. Só não quero sair magoada de novo.
– Não me passaria pela cabeça fazer-te sofrer. Estou louco por ti – Retorquiu.
Acariciou o meu rosto, voltou a beijar-me.
©Lola 2017 #69Letras

 

Noites no Cabaret – Conto V

TEXTO ERÓTICO M|18 ? ? ?? ? ?

 

CAPÍTULO V
Ia refilar, mas antes que o fizesse….
– Não reajas ao beijo. Faz de conta que tinhas saudades minhas. Disse-lhes que eras a minha namorada e que não consentia aquele tipo de atitude deles. Hoje, levo-te a casa. Eles estão a olhar.
Mas….
Quem lhe deu autorização para se fazer passar por meu namorado. Não quero ninguém. E porque é que a porcaria daquele beijo me incomodou? Doce, quente e com paixão.
Colocou-me a mão na cintura e começamos a andar, mergulhada nos meus pensamentos, na reacção que o meu corpo teve ao seu contacto. Porque raios tenho a sensação que me sinto atraída por ele?
Não dei conta que ele estava a falar comigo.
– Lola! Lola! Para que lado é a tua casa? Ou preferes que te leve para a minha?
Como se me tivessem dado um estalo, despertei do vazio.
– É naquele quarteirão à direita. Mas já posso ir sozinha.
– Moro também para esses lados, na Rua dos prazeres, 69. -Disse-me.
Estanquei.
Senti um calafrio na espinha e no estômago.
– O quê???!!! Mora onde?
– Ouviste bem. Mas porque essa admiração?
Porque? Porque seria? Acabei de descobrir que é meu vizinho. Gelei por completo.
O meu vizinho!!! 
Nunca quis conhecer ninguém do prédio, mas o azar tinha de ser tanto, para me cruzar e ser ajudada por um vizinho.
– Moro no mesmo prédio, que você. – Respondi-lhe a seco.
– Sério??!! Mas isso é bom!
– É??!!
– Sim. Assim fazemos companhia um ao outro a caminho de casa.
Ia argumentar, mas vi nele um brilho de contentamento ao canto do olho. E, estava tão cansada para discutir, que não abri boca o caminho todo.
Chegamos ao patamar do prédio e de sorriso travesso, disse-me que ali estava safa.
Estendi a mão para lhe agradecer, mas ele roubou-me outro beijo, mais suave, como se estivesse apaixonado.
Afastei-o.
– Não acha que já está abusar? Já não estou a ser vigiada.
O meu olhar desafiador e frio, foi como se fosse um desafio para a fera.
Agarrou-me nos braços, encostou-me a uma porta do prédio, senti o corpo dele no meu.  Não me dando manobra de me mexer, e a forma selvagem com que me beijou, sem hipóteses de refutar.
A minha mente teve um blackout, o meu corpo explodiu.
A porta atrás de mim abriu-se.
De costas para tudo, fui encaminhada por ele, até ao quarto. O cheiro doce a almíscar penetrou nas minhas narinas, aumentando mais o prazer que já tinha.
Deitou-me sobre a cama, despiu-me sem me perguntar fosse o que fosse.
Estava despida, nua a frente daquele conhecido-estranho. Ia-me cobrir e ele parou as minhas mãos.
– Deixa-me ver-te.
©Lola 2017 #69Letras

Noites no Cabaret – Conto IV

TEXTO ERÓTICO M|18 ? ? ?? ? ?

 

CAPÍTULO IV
Pela primeira vez olhei para ele. Alto, esguio, de porte atlético, olhar cor de mel, cabelos castanhos penetrantes e um sorriso que me deu calafrios. Ele aguardava de mão estendida o meu cumprimento, assim o fiz.
Mal senti o toque dele foi como se tivesse levado um murro no estômago. O meu corpo parecia ter levado um choque eléctrico.
– Lola!
– Da me o prazer de a acompanhar?
– Não é necessário. Obrigada. E boa noite.
Saí de perto daquele demónio, despertou algo em mim que não gostei.
Como poderia um desconhecido deixar me neste estado. Cheguei a casa, banho tomado e deitei-me.
Nos dias seguintes a minha vida passou a ser dupla.
De dia secretaria à noite barmaid, uma combinação terrível, mas ao mesmo tempo excitante.
Todas as noites sem excepção, o Helder estava no canto do costume, longe dos olhares indiscretos mas com uma visão de todos, em especial, sobre mim. Dava-me raiva e ao mesmo tempo um frio no estômago pela audácia e descaramento dele.
Não só tinha pedido para ser eu a servi-lo, como me abordava sempre a saída, com a desculpa que era para me acompanhar a casa.
As noites no bar ensinaram-me a ver quando me estavam a cantar, e todas as vezes eram negadas as suas investidas.
Mas ao mesmo tempo algo em mim ia mudando. Habitualmente era eu que os manipulava a meu belo prazer.
Só me apaixonei uma única vez e foi o suficiente para fechar as portas ao meu coração, às decepções.  Algo nele mexia comigo, agia diferente dos outros e a forma como me olhava parecia que me penetrava na alma.
A Rita adoeceu e fiquei sozinha no bar, nessa noite o bar estava cheio e com clientes novos. Era uma despedida de solteiros.
O meu sexto sentido avisou-me que a noite não iria correr bem. Mas desviei esses pensamentos.
Foram várias as investidas daquele grupo e sempre consegui esquivar-me das mãos deles e dos apalpões.
O movimento era tanto, que estava a entrar em desespero, o que não é costume. Estava distraia, que não dei conta que o padrinho do noivo, veio por detrás e puxa-me pela cintura.
Assustada, derrubei a bandeja no chão e nalguns clientes com restos de bebidas.
Entrei em pânico.
Os clientes quando se aperceberam, deram-me um sorriso e disseram que não havia problema.
Tentando recuperar a postura, viro-me irada para o padrinho.
– O que pensa que está a fazer? Não tem olhos na cara para ver que estou a trabalhar? Se quer alguma bebida, vai ao balcão e pede, ou então espera que vá à vossa mesa.
– O que estou a fazer é rapta-la para fazer um Tabledance ao noivo. E de momento só tenho olhos para si. Fascina-me.
– Vá-se sentar!, que você já está embriagado demais. E não vou fazer coisa nenhuma. Não sou dançarina, sou barmaid.
Ia virar para me ir embora, o padrinho dá-me um puxão. Quase que caía.
Já estava de mão no ar para lhe pregar uma bofetada, mas fui impedida por uma mão forte. Já estava em erupção, quando vi que era o Helder.
– Deixa que eu trato disso. Vai arrumar as coisas antes que apareça o boss. – E piscou-me o olho.
Mais aliviada, sorri e assenti com a cabeça.
Não sei o que o Helder lhe disse, mas o padrinho só pedia desculpas.
O resto da noite, acalmou um pouco e consegui orientar tudo.
Preparada para sair, vejo o Helder à porta, à minha espera com um sorriso.
A primeira vez que via um sorriso largo e sincero dele, senti o meu coração acelerar.
Raios!!!
Retribui.
Ia-me dirigir para seguir o meu caminho, quando ele interpolou na minha direcção e com as duas mãos agarra o meu rosto e beija-me.
Um beijo longo e profundo.
(continua)

Noites no Cabaret – Conto III

TEXTO ERÓTICO M|18 ? ? ?? ? ?

 

 

CAPÍTULO III
No dia seguinte, levanto me a hora do costume, olho me no espelho, de rosto ainda meio sonolento e cansado.
“- Hoje começas uma nova etapa, Lola. Tu consegues, cabeça erguida.”
O dia correu na normalidade, mesmo com as parvoíces e piadas secas do patrão. Saio a horas, a minha mente já estava a milhas e a pensar no que vestir. Tinha de ir apresentável mas não muito produzida.
Banho tomado, tolho para o guarda-fato e reparo quase nada tenho casual, opto por umas leggings pretas, blusa cinza, e sapatos de salto. Vejo me ao espelho e sorrio.
Está óptimo.
Dirijo me ao bar, o segurança da noite anterior era o mesmo, interrogou-me com o olhar.
Dei-lhe um sorriso meio nervoso.
– Boa noite, primeiro dia. O gerente está.
Assentiu com a cabeça e abriu me a porta.
Entrei, um silêncio absoluto, só se ouvia as vozes dos empregados, os copos e meio sumido musica. Dirigi-me ao bar, e perguntei a rapariga se o gerente estava.
Ela manda um grito, e passado minutos ele aparece.
Vinha com o semblante carregado, mas quando olhou, tentou esboçar um sorriso meio forçado, mas aceite.
– Boa noite, Lola. Vou pedir desculpa de não a acompanhar a mostrar as instalações, mas tenho um assunto em mãos.  Rita!! Podes fazer as honras da casa e depois explicares como funciona o bar e as mesas, se faz favor. Obrigado.
A rapariga meio descontente lá se apresentou e levou me a conhecer o clube, todos os recantos.
Após o tour, ela disse que a primeira noite seria melhor ficar ao balcão, para me familiarizar.
Nunca pensei que as noites aqui, fossem calmas, clientes educados e alguns depois de alguns shots e champagne, soltam-se. Ficam mais atrevidos, mas respeitadores.
Eram 4h da manhã, já a fechar, fui dar a volta as mesas para ver se estava tudo em ordem.
Quando…. Me deparei com uma silhueta de alguém escondido na penumbra de um dos cantos da sala. Dirigi-me à mesa.
– Lamento, mas terá de sair, vamos fechar.
Vejo a cabeça a mover se e um par olhos azul cinza a brilhar na minha direcção.
– Eu sei que estão a fechar. Estava aprecia-la desde o inicio da noite. Você tem um ar exótico, intrigante, além dum corpo perfeito. Nunca a tinha visto por aqui. É alguém que não passa desapercebida.
– Desculpe!!! Acho que está a ser impertinente. Como lhe disse já fechamos. Se não se importa, pode ir andando.
Ele levantou-se, retira do bolso dinheiro e deixa na mesa.
– É para si, pelo serviço prestado durante a noite.
– Mas….Eu não…..
Quando olhei ao redor, já não havia ninguém, só eu e a Rita. Peguei em tudo o que estava na mesa, incluindo o dinheiro.
Perguntei à Rita quem era o cromo. Disse que era cliente habitual, ficava no canto a apreciar. Pedia sempre wisky e não se metia com ninguém, fazia um ou outro flirt com as empregadas nada demais.
Nunca deixava gorjeta.
Mostrei-lhe o que ele tinha deixado. A Rita soltou um grito de admiração e disse:
– Desde que estou cá a trabalhar, nunca ele tinha feito isso. Tu só podes ter surtido efeito nele de alguma forma. As miúdas se souberem vão roer-se de inveja.
– Por favor, não comentes nada!!! Não quero arranjar chatices, e preciso deste emprego. Não faço tensões de ter algo com ele.
– Por mim está descansada. Sou um túmulo. Mas o mesmo não posso dizer das corujas, até tem olhos na nuca.
Interroguei-a com o olhar.
– Irás descobrir breve. Vamos! Esta tudo terminado.
Saímos as duas, despedimos-nos e cada uma para seu lado. Ia virar a esquina e sou interpolada por um homem.
Dou um pulo atrás.
– Não tenha medo. Não a queria assustar. Estive à espera que saísse. Posso acompanha-la ate ao carro, ou até casa?
– Desculpe??!!! Não o conheço para ter essa liberdade comigo. Sei bem ir sozinha para casa. Já sou crescidinha. Já passei a maioridade.
– Mil perdões! Tem razão. Lá dentro foi rude da minha parte não me apresentar. Chamo me Helder.
©Lola 2017 #69Letras

Noites no Cabaret – Conto II

TEXTO ERÓTICO M|18 ? ? ?? ? ?

 

CAPÍTULO II
O porteiro gentilmente deu-nos as boas noites. E perguntou-nos se éramos as novas strippers ou clientes. Sorrimos as duas e respondemos que éramos clientes.
Entregou nos um cartão de consumo a cada uma, informando que o consumo mínimo era 15 euros e o cartão era entregue a saída carimbado como pago.
Agradecemos. Entramos.
Tivemos de adaptar os nossos olhos a semi escuridão do espaço.
Luz media de varias cores, as paredes cobertas de um material aveludado, os sofás em tons de bordeaux e preto. Tinha um mini palco com um varão a nossa direita e do lado oposto o bar.
Olhei para cima e reparei que existia um andar coberto de cortinas transparentes e via se as meninas a fazerem lap dance aos clientes.
Sentamos nos no canto bar pedimos um black espirit, para aquecermos porque a noite estava fria.
Olhei a redor e via os olhares furtivos dos homens e mulheres que lá estavam.
Senti-me desconfortável, só me olhavam assim quando era para fazerem sexo comigo.
Mas não estava lá para isso.
Minutos depois somos abordadas por um quarentão, corpo bem delineado, olhos claros e um sorriso cativante.
Cumprimentou nos e perguntou se era a nossa primeira vez ao clube.
Afirmamos que sim.
Esclareceu-nos que era o gerente e que género de serviços prestavam.
Meio apreensiva, perguntei:
– Não estão a precisar de alguém para o bar ou mesas?
Pela primeira vez senti o olhar daquele homem percorrer cada centímetro do meu corpo. E perguntou-me:
– Parece me ser uma mulher inteligente, alem de bonita, porque haveria de vir trabalhar para aqui?!
– Não arranjo ninguém de confiança para partilhar o apartamento, quero terminar a minha licenciatura e o que ganho no turno de dia, não cobre as despesas todas. Preciso de um extra. Ajeito-me a fazer cocktail e servir a mesa não deve ser difícil.
– É um pouco, porque temos por vezes clientes com imans nas mãos e param no rabo das empregadas. Já alguma vez teve com um homem ou homens, mulheres??
Senti-me a corar da cabeça aos pés, mas mantive-me firme na minha postura.
Ergui o rosto para fixar o olhar dele, aquele olho azul que me desconcertava solenemente, e para que visse que estava determinada a obter o que queria, respondi:
– Se quer saber se sou virgem. Não. Já tive namorado há muito tempo. Na adolescência tive uma experiência com uma rapariga. Mas nada mais. Além disso, julgo que a minha intimidade nada tem haver como o género de trabalho que possa vir a fazer.?!
– Não precisa ficar irritada, menina….
– Lola. Sra Lola.
– Menina Lola, só estou a perguntar, porque como já lhe disse, os nossos clientes por vezes são inconvenientes. Era só para saber se ficaria constrangida se lhe tocassem.
A minha indignação por causa daquela pergunta, atenuou.
-Ok. Tudo bem. Esclarecida. Mas continua sem me dizer se existe alguma vaga, ou não?
Sorriu, e retorquiu:
– Já vi que é uma mulher determinada e não desiste à primeira. Muito bem. Esteja cá amanhã às 20h, pode ser?
– Sim. Do escritório saiu às 17.30, dá tempo de ir a casa, trocar-me e estar aqui a essa hora.
-Otimo!
Terminamos as bebidas, ele pegou nos nossos cartões e colocou uma rubrica.
Ia disparatar, julgando que me estava a dar o número telefone dele, mas reparei o que estava escrito “Pago”.
Agradeci com um aceno de cabeça e despedimos-nos.
De regresso a casa, íamos caladas. Até que quebrei o silencio e disse:
– Isto vai me sair caro..
-Pois… -respondeu a Vicky.
Só queria dormir, amanha era 6a feira, inicio fim semana.

©Lola 2017 #69Letras