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Noites no Cabaret – Conto IV

TEXTO ERÓTICO M|18 ? ? ?? ? ?

 

CAPÍTULO IV
Pela primeira vez olhei para ele. Alto, esguio, de porte atlético, olhar cor de mel, cabelos castanhos penetrantes e um sorriso que me deu calafrios. Ele aguardava de mão estendida o meu cumprimento, assim o fiz.
Mal senti o toque dele foi como se tivesse levado um murro no estômago. O meu corpo parecia ter levado um choque eléctrico.
– Lola!
– Da me o prazer de a acompanhar?
– Não é necessário. Obrigada. E boa noite.
Saí de perto daquele demónio, despertou algo em mim que não gostei.
Como poderia um desconhecido deixar me neste estado. Cheguei a casa, banho tomado e deitei-me.
Nos dias seguintes a minha vida passou a ser dupla.
De dia secretaria à noite barmaid, uma combinação terrível, mas ao mesmo tempo excitante.
Todas as noites sem excepção, o Helder estava no canto do costume, longe dos olhares indiscretos mas com uma visão de todos, em especial, sobre mim. Dava-me raiva e ao mesmo tempo um frio no estômago pela audácia e descaramento dele.
Não só tinha pedido para ser eu a servi-lo, como me abordava sempre a saída, com a desculpa que era para me acompanhar a casa.
As noites no bar ensinaram-me a ver quando me estavam a cantar, e todas as vezes eram negadas as suas investidas.
Mas ao mesmo tempo algo em mim ia mudando. Habitualmente era eu que os manipulava a meu belo prazer.
Só me apaixonei uma única vez e foi o suficiente para fechar as portas ao meu coração, às decepções.  Algo nele mexia comigo, agia diferente dos outros e a forma como me olhava parecia que me penetrava na alma.
A Rita adoeceu e fiquei sozinha no bar, nessa noite o bar estava cheio e com clientes novos. Era uma despedida de solteiros.
O meu sexto sentido avisou-me que a noite não iria correr bem. Mas desviei esses pensamentos.
Foram várias as investidas daquele grupo e sempre consegui esquivar-me das mãos deles e dos apalpões.
O movimento era tanto, que estava a entrar em desespero, o que não é costume. Estava distraia, que não dei conta que o padrinho do noivo, veio por detrás e puxa-me pela cintura.
Assustada, derrubei a bandeja no chão e nalguns clientes com restos de bebidas.
Entrei em pânico.
Os clientes quando se aperceberam, deram-me um sorriso e disseram que não havia problema.
Tentando recuperar a postura, viro-me irada para o padrinho.
– O que pensa que está a fazer? Não tem olhos na cara para ver que estou a trabalhar? Se quer alguma bebida, vai ao balcão e pede, ou então espera que vá à vossa mesa.
– O que estou a fazer é rapta-la para fazer um Tabledance ao noivo. E de momento só tenho olhos para si. Fascina-me.
– Vá-se sentar!, que você já está embriagado demais. E não vou fazer coisa nenhuma. Não sou dançarina, sou barmaid.
Ia virar para me ir embora, o padrinho dá-me um puxão. Quase que caía.
Já estava de mão no ar para lhe pregar uma bofetada, mas fui impedida por uma mão forte. Já estava em erupção, quando vi que era o Helder.
– Deixa que eu trato disso. Vai arrumar as coisas antes que apareça o boss. – E piscou-me o olho.
Mais aliviada, sorri e assenti com a cabeça.
Não sei o que o Helder lhe disse, mas o padrinho só pedia desculpas.
O resto da noite, acalmou um pouco e consegui orientar tudo.
Preparada para sair, vejo o Helder à porta, à minha espera com um sorriso.
A primeira vez que via um sorriso largo e sincero dele, senti o meu coração acelerar.
Raios!!!
Retribui.
Ia-me dirigir para seguir o meu caminho, quando ele interpolou na minha direcção e com as duas mãos agarra o meu rosto e beija-me.
Um beijo longo e profundo.
(continua)