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NMauFeitio #69Letras

MauFeitio é uma alcunha de outros tempos idos, o MauFeitio começou a escrever pelo ano 2000, escrevia devaneios e contos eróticos, fantasias que um dia desejava viver, depois acordou para a realidade e passou a escrever sobre tudo e sobre nada, escrevo para libertar a mente, sinto-me bem quando me sento num sítio qualquer e pego no meu bloco de papel e puxo de uma caneta e deixo que as palavras fluam.

Sou um homem demasiado introvertido, incapaz de lidar com as pessoas, o meu diálogo começa num imaginário muito próprio, com o tempo aprendi a lidar com o faltarem-me as palavras para escrever, nesta caminhada de 17 anos a escrever um pouco de tudo, por vezes faltam-me as palavras, mas a imaginação ainda ferve como no primeiro dia.

Não sou homem de grandes lemas, mas deixo dois especiais:

“Arrepende-te do que não fazes, o que fazes, certo ou errado é uma experiencia de vida”

Não existe nada perfeito no mundo, tudo foi elaborado pelo homem, logo tudo se adapta, tudo se transforma.

Sou um homem com um feitio especial, sou nascido em Maio de 1975, signo touro com ascendente em touro, tenho coisas boas e más a duplicar…

Escrevo por prazer, escrevo por necessidade, para mim, escrever não tem limites, sejam eles contos eróticos, devaneios alucinados, pensamentos exacerbados.

Sou um homem especial, na minha própria maneira de ser.

 

NMauFeitio #69Letras

Girassol | Escrito por: Inquilino 69 Letras

Em cada passo que dava, todo o chão contemplava,

erguia se sobre a terra, como se planasse em voo rasante,

coração de leão e alma de gigante, que em sua alma encerra,

seria menos homem porventura, seria menos sol de pouca dura.

Não, não seria, se de coração amava, Roma e Pavia não se fez num dia,

tomara que os dias findassem em mar de lava incandescente,

escorreita como a boca, que de deleite se sente, ele vivia novamente,

no cheiro a pétalas de Girassol, cada pétala cada sol, mãos na giesta, boca vadia.

Em cada passo que dava, ela pontilhada de estrelas o passo estacava,

debaixo do ulmeiro, enquanto o sol descansava, sentava-se a ver a lua,

corpo de mulher alvo, arlequim que da noite faz não e do dia faz sim,

em paz,  deitada e no calor da noite velada, com uma túnica apenas, encobria sua pele já nua.

Pelos dedos, ele decorava as estrelas uma a uma, como se um dia a cegueira o cobrisse,

mesmo como se sentisse, que sua pele era um mar de espuma, onde navegava desconhecido,

palavras dissesse ela ao ouvido, para se guiar como um farol, luz que alumia o fundo onde seu corpo ruma,

beijos cobriam-na a passo de caracol, húmida língua na humidade de um corpo por sinais varrido.

Guardado seu interior como uma sentinela, devagar se arqueja, seu corpo no dela,

dança no ventre suado, deveras já relaxado para o receber, abre a porta do inferno que o acolhe,

sentinela sem quartel guardado, sente ao inferno descer, perdendo-se de olhos fechados na beleza do pecado,

passo acelerado balbucia, meu bem, meu tornado, vou teu corpo prender, alma perdes sem medo de a viver.

Debaixo de um ulmeiro, no silêncio da madrugada, perdeu-se o diabo nas mão de uma fada,

no Olimpo inteiro, já Zeus boquiaberto empunha uma espada, raio e trovão que se agita e berra,

maremotos e cascatas agridoces, anunciam o clímax final, olhos postos no azul celeste, acaba a guerra,

Girassol sorriso, peito liberto, almas presas de um novo céu descoberto, pétalas viçosas, povoam a terra.

Tempo do tempo, sol se ergue em duas mãos entrelaçadas, debaixo de um ulmeiro á sombra deitadas.

 

O Inquilino #69Letras