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Não sou o teu brinquedo

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Não é a minha ‘cena’.

Amar uma pessoa e exibi-la como se fosse um brinquedo novo pode não ser um ato de amor que a faça sentir bem a menos claro que ela se identifique com comportamentos exibicionistas. Para alguns amar é pessoal é intimo é um acontecimento exclusivo entre duas pessoas, para outros amar é publico, é partilhar com o mundo os novos sentimentos. Somos todos diferentes. Mas é importante identificar essas diferenças, antes de desfilar com o novo amor pellas ruas. Tu podes ir de peito cheio mas ele ou ela pode ir constrangida/o.
Para alguns como eu, gostamos de dosear as demonstrações de afeto entre um longo olhar, um beijo subtil, um sorriso ou uma mão esquecida na mão do outro. É o que basta. Para ele te sentir ali, para o sentires. Sem grande alarido, sem aquele grande letreiro por cima a dizer: Ei! Estamos aqui! Olhem para nós.
Para outros diferentes de mim, amar é gritar amor aos ventos e espalhá-lo pelos quatro cantos do mundo, é beijar sem exaustão com audiência, é tocar aqui e ali como que a dizer :‪#‎émeu‬ ‪#‎vocêsolhameeucomo‬ . Para alguns as demonstrações de afeto são exageradas, parece repetições de cenas até atingir o ‘take’ perfeito. Não vejo romantismo em exibir algo tão pessoal ao mundo, vejo romantismo se me roubarem para um beco e meterem a mão entre as minhas pernas, agora servir de preliminar para o público e esperar que batam palmas, não é a minha cena.

 

© Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015

Não sei o que quero de ti.

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Não sei o que quero de ti.
Talvez queira o mesmo que tu, mas afinal o que queres tu de mim?
Provavelmente queremos tudo e com um pouco de sorte venhamos a ter nada.
Apenas sei que basta o teu olhar para os preliminares começarem…
O que sentes quando eu te olho?
O teu olhar despe-me, aumenta a temperatura do corpo e faz-me querer pecar contigo em mil e uma formas diferentes. A tua voz acompanhada pela dança dos teus lábios faz-me engolir em seco e querer-te com a máxima urgência a gemer aos meus ouvidos, e ainda não me tocaste.
É bom que, quando nos descubramos tu, deixes de me atrair, porque desconfio seres a tentação que me poderá levar ao purgatório e condenar-me só às memórias.
Por isso, quanto ao teu toque só posso esperar que as tuas mãos não falem a linguagem do meu corpo e que o teu beijo não me trespasse e apenas o sinta nos lábios… para que quando voltares a questionar, o que quero de ti, possa responder ‘Nada’.

como se fosse a primeira vez!

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Para ficar, basta que faças tudo como se da primeira vez se tratasse.
Olha-me como se fosse a primeira vez que vês,
Abraça-me como se fosse a primeira vez que me sentes a favor do teu corpo,
Beija-me com a mesma paixão que vivemos no nosso primeiro beijo,
Toca-me com a mesma ternura que traz o primeiro toque,
Ama-me como se fosse a única mulher no mundo!
Ama-me por inteiro.
Ama-me pelos defeitos que tenho e pelas qualidades que te fizeram querer ficar.
Ama-me com orgulho no sorriso quando falas de mim, com brilho no olhar quando me apresentas aos teus.
Ama-me com desejo nas mãos.

Todos os dias, gosta-Me como se fosse a primeira vez… e eu fico!

Beija-me além do que se vê.

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Beija-me.
Beija-me os lábios, mas não te esqueças do cérebro.
Beija-me: o olhar, a boca, os cabelos, as mãos, o ventre, o interior das coxas, os pés, as faces, o sorriso, o pescoço, as feridas, o ouvido.
Beija o que vês, mas lembra-te de beijar o que os teus olhos não alcançam…
Beija-me
a pele
mas também a alma.

Quem é este estranho que nada sei mas quero de volta?

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Esperei uma eternidade por aquele estranho como quem espera pelo fim de semana e quando finalmente chegou os relógios acordaram para o levarem junto com o tempo.
Já que te foste podias ter levado as nossas memórias também contigo ao invés de me deixares neste purgatório sem a tua pele, mas contigo a assombrares a minha mente e a invadires as vontades do meu corpo.
Quem é este homem que nunca quis saber que medos carrego?
Quem é este homem que desprezou a mulher delicada que sou, e me agarrou pelos cabelos e trouxe a chama ao meu olhar?
Nunca tive tanta força dentro de mim, como quando estava contigo. A minha mente era livre de violar e provocar o caos, o meu corpo descobri ser pequeno para tanto prazer e frágil para tanta perversão. Ah mas esta fragilidade deixou-me ainda mais louca e insaciável por desejo devasso.
Quem é este estranho que do sobrenome nada sei, nem de onde veio ou onde nasceu?
Deste estranho apenas conheço o olhar vazio com que acelerava a minha pulsação sempre que me olhava, decorei também aqueles lábios esfomeados de pecado, o meu olfacto absorveu o cheiro a animal selvagem e vadio que me atordoava os sentidos, e o meu corpo memorizou o tamanho daquelas mãos vis.
Ah, a forma como aquele estranho apertava o meu pescoço contra a parede num beijo sem espaço para fôlego é de perder a força nas pernas…
Quem é este estranho que nada sei mas quero de volta?

Quero um abraço que me deixe libertar

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Sei do que estou a precisar.
Sei o que me está a fazer falta, mas desconfio que se o fizer irei desfazer-me em lágrimas e receio, sozinha não ser capaz de suportar.
Pudesse eu, largar esta dor num abraço quente, mas onde paira este abraço que tanto preciso, quem o carrega?
Onde está quem se deixe afogar nas minhas lágrimas?
Quero um abraço que me deixe libertar.
É numa falésia que gostaria de estar neste momento. A ver o mar e a ser apaparicada pelo vento. (Quero o vento gelado no rosto e o céu cinzento a sombrear o mar revolto do inverno).
Vou fechar os olhos e ouvir-me. Vou ouvir tudo o que não digo, tudo o que não escrevo e o vento vai levar para o mar as lágrimas salgadas que me lavam a cara.
E de repente o teu abraço surgirá por trás… viras-me para ti e seguras o meu rosto com as mãos largando um leve beijo nos lábios…
Quando não existir mais lágrimas, em silêncio iremos tomar um banho quente, e já na cama… serei embalada pela melodia da tua respiração…
© Cátia Teixeira 69 Letras 2017

um lugar que ninguém vai ocupar.

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Sentada no canto deste quarto onde nos devorámos em infinitos momentos, revivo-nos.
Memórias tão fortes, que me trazem o cheiro familiar da nossa paixão.
Sinto falta de ver o teu desejo crescer, com um simples movimento do meu corpo.
Deitada nesta cama, já à muito sem os lençóis que contaminamos de tesão, dezenas foram os filmes com que gravaste cada imperfeição do meu corpo, cada sinal que me pinta, cada cicatriz que me foi aberta.
Quantas noites de conchinha tivemos o privilégio de ter?
Conhecias o meu dormir. Sabias quando descansava com os anjos, ou quando precisava do teu aconchego para expulsar os diabinhos que tentavam estragar o meu sono de beleza.
Despertar com o teu toque a derreter-se na minha pele, era o melhor início de dia. Todos os dias, começávamos com o pequeno almoço dos deuses, o teu sabor em mim, o meu em ti. Líquidos cheios de açúcar.
Vício.
A tua mão a embalar os meus cabelos e a intensidade do teu beijo, trazem-me saudade….
Espero voltar a ver-te nos meus sonhos…o único lugar onde ainda existes, um lugar que ninguém vai ocupar.

?A vizinha #69Letras