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Vamos aproveitar… abraça-me forte!

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Fotografia: Jürgen Vollmer – Paris, 1960

 

Aproveita esta noite e ouve o quão alto fala o meu coração, mas não uses os ouvidos não, porque ser-te-á tudo revelado num beijo.
Vamos sentar-nos frente a frente, olhos nos olhos, mãos com mãos, corpo com corpo, lábios nos lábios e amar-nos sem medo de nos perdermos amanhã.
Hoje, aqui e agora, consome os meus sonhos através de um beijo, sente tudo o que o meu coração não te diz num simples e apaixonado beijo e deixa-me ouvir as respostas na ponta da tua língua a devorar a minha.
Vamos aproveitar a noite, e depois de tudo dito, abraça-me forte!

 

A Vizinha

Não sou o teu brinquedo

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Não é a minha ‘cena’.

Amar uma pessoa e exibi-la como se fosse um brinquedo novo pode não ser um ato de amor que a faça sentir bem a menos claro que ela se identifique com comportamentos exibicionistas. Para alguns amar é pessoal é intimo é um acontecimento exclusivo entre duas pessoas, para outros amar é publico, é partilhar com o mundo os novos sentimentos. Somos todos diferentes. Mas é importante identificar essas diferenças, antes de desfilar com o novo amor pellas ruas. Tu podes ir de peito cheio mas ele ou ela pode ir constrangida/o.
Para alguns como eu, gostamos de dosear as demonstrações de afeto entre um longo olhar, um beijo subtil, um sorriso ou uma mão esquecida na mão do outro. É o que basta. Para ele te sentir ali, para o sentires. Sem grande alarido, sem aquele grande letreiro por cima a dizer: Ei! Estamos aqui! Olhem para nós.
Para outros diferentes de mim, amar é gritar amor aos ventos e espalhá-lo pelos quatro cantos do mundo, é beijar sem exaustão com audiência, é tocar aqui e ali como que a dizer :‪#‎émeu‬ ‪#‎vocêsolhameeucomo‬ . Para alguns as demonstrações de afeto são exageradas, parece repetições de cenas até atingir o ‘take’ perfeito. Não vejo romantismo em exibir algo tão pessoal ao mundo, vejo romantismo se me roubarem para um beco e meterem a mão entre as minhas pernas, agora servir de preliminar para o público e esperar que batam palmas, não é a minha cena.

 

© Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015

Não sei o que quero de ti.

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Não sei o que quero de ti.
Talvez queira o mesmo que tu, mas afinal o que queres tu de mim?
Provavelmente queremos tudo e com um pouco de sorte venhamos a ter nada.
Apenas sei que basta o teu olhar para os preliminares começarem…
O que sentes quando eu te olho?
O teu olhar despe-me, aumenta a temperatura do corpo e faz-me querer pecar contigo em mil e uma formas diferentes. A tua voz acompanhada pela dança dos teus lábios faz-me engolir em seco e querer-te com a máxima urgência a gemer aos meus ouvidos, e ainda não me tocaste.
É bom que, quando nos descubramos tu, deixes de me atrair, porque desconfio seres a tentação que me poderá levar ao purgatório e condenar-me só às memórias.
Por isso, quanto ao teu toque só posso esperar que as tuas mãos não falem a linguagem do meu corpo e que o teu beijo não me trespasse e apenas o sinta nos lábios… para que quando voltares a questionar, o que quero de ti, possa responder ‘Nada’.

como se fosse a primeira vez!

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Para ficar, basta que faças tudo como se da primeira vez se tratasse.
Olha-me como se fosse a primeira vez que vês,
Abraça-me como se fosse a primeira vez que me sentes a favor do teu corpo,
Beija-me com a mesma paixão que vivemos no nosso primeiro beijo,
Toca-me com a mesma ternura que traz o primeiro toque,
Ama-me como se fosse a única mulher no mundo!
Ama-me por inteiro.
Ama-me pelos defeitos que tenho e pelas qualidades que te fizeram querer ficar.
Ama-me com orgulho no sorriso quando falas de mim, com brilho no olhar quando me apresentas aos teus.
Ama-me com desejo nas mãos.

Todos os dias, gosta-Me como se fosse a primeira vez… e eu fico!

Beija-me além do que se vê.

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Beija-me.
Beija-me os lábios, mas não te esqueças do cérebro.
Beija-me: o olhar, a boca, os cabelos, as mãos, o ventre, o interior das coxas, os pés, as faces, o sorriso, o pescoço, as feridas, o ouvido.
Beija o que vês, mas lembra-te de beijar o que os teus olhos não alcançam…
Beija-me
a pele
mas também a alma.

Quem é este estranho que nada sei mas quero de volta?

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Esperei uma eternidade por aquele estranho como quem espera pelo fim de semana e quando finalmente chegou os relógios acordaram para o levarem junto com o tempo.
Já que te foste podias ter levado as nossas memórias também contigo ao invés de me deixares neste purgatório sem a tua pele, mas contigo a assombrares a minha mente e a invadires as vontades do meu corpo.
Quem é este homem que nunca quis saber que medos carrego?
Quem é este homem que desprezou a mulher delicada que sou, e me agarrou pelos cabelos e trouxe a chama ao meu olhar?
Nunca tive tanta força dentro de mim, como quando estava contigo. A minha mente era livre de violar e provocar o caos, o meu corpo descobri ser pequeno para tanto prazer e frágil para tanta perversão. Ah mas esta fragilidade deixou-me ainda mais louca e insaciável por desejo devasso.
Quem é este estranho que do sobrenome nada sei, nem de onde veio ou onde nasceu?
Deste estranho apenas conheço o olhar vazio com que acelerava a minha pulsação sempre que me olhava, decorei também aqueles lábios esfomeados de pecado, o meu olfacto absorveu o cheiro a animal selvagem e vadio que me atordoava os sentidos, e o meu corpo memorizou o tamanho daquelas mãos vis.
Ah, a forma como aquele estranho apertava o meu pescoço contra a parede num beijo sem espaço para fôlego é de perder a força nas pernas…
Quem é este estranho que nada sei mas quero de volta?

Quero um abraço que me deixe libertar

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Sei do que estou a precisar.
Sei o que me está a fazer falta, mas desconfio que se o fizer irei desfazer-me em lágrimas e receio, sozinha não ser capaz de suportar.
Pudesse eu, largar esta dor num abraço quente, mas onde paira este abraço que tanto preciso, quem o carrega?
Onde está quem se deixe afogar nas minhas lágrimas?
Quero um abraço que me deixe libertar.
É numa falésia que gostaria de estar neste momento. A ver o mar e a ser apaparicada pelo vento. (Quero o vento gelado no rosto e o céu cinzento a sombrear o mar revolto do inverno).
Vou fechar os olhos e ouvir-me. Vou ouvir tudo o que não digo, tudo o que não escrevo e o vento vai levar para o mar as lágrimas salgadas que me lavam a cara.
E de repente o teu abraço surgirá por trás… viras-me para ti e seguras o meu rosto com as mãos largando um leve beijo nos lábios…
Quando não existir mais lágrimas, em silêncio iremos tomar um banho quente, e já na cama… serei embalada pela melodia da tua respiração…
© Cátia Teixeira 69 Letras 2017